HELENA ALMEIDA, HELENA ALMEIDA, 1978
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Helena Almeida
Helena Almeida
“Fotografias: Artur Rosa” (Helena Almeida) / Texto: Helena Almeida
Porto: Módulo – Centro Difusor de Arte / Novembro . 1978
Português e inglês / 15,3 x 21,0 cm / 54 págs, não numeradas
Brochura / “1500 exemplares, sendo 50 ex. numerados de 1 a 50, 5 ex. «HC» de I a V, cada um numerado e assinado pela artista, contendo dois originais, assinados pela artista, e 1450 ex. edição normal.”
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“Tentar abrir um espaço, custe o que custar, é um sentimento muito forte nos meus trabalhos. Passou a ser uma questão de condenação e de sobrevivência.
Sinto-me quási sempre no limiar onde esses dois espaços se encontram, esperam, hesitam e vibram. É uma tentação aí ficar e assistir ao meu próprio processo, vivendo um sonho com duas direcções. Mas isso é intolerável e com urgência, qualquer coisa se liberta em mim como se quisesse sair para a frente de mim própria.
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De toda a maneira já consegui sair pela ponta dos meus dedos.”
Helena Almeida, obra em análise
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O Módulo – Centro Difusor de Arte foi criado no Porto, na Av. da Boavista, 854, em 1975, “como um espaço cultural orientado para as novas tendências na arte contemporânea reveladas a partir de finais da década setenta”, em 1979 abre o seu espaço em Lisboa, tendo entretanto realizado várias exposições em Lisboa, na SNBA e na Galeria Quadrum, nomeadamente de Helena Almeida e Richard Smith, Jorge Pinheiro e John Hoyland.
Helena Almeida expôs no Módulo do Porto em 1976 e em 1978, quando foi editado este livro, em Lisboa.
O livro, “um livro de artista … um trabalho produzido directamente para a escala da edição”, refere Mário Teixeira da Silva, foi apresentado na Art Basel, na Galeria Erika + Otto Friedrich, em Berna (1978, 1980), em Paris, na Galeria Bama (1978, 1981) e em Bologna.
Esta publicação reproduz duas séries, sequências de 12 e 11 imagens, não identificadas, mas que se enquadram nas séries “Desenho habitado” e “Pintura habitada”, que desenvolvia neste período.
Nas suas imagens, Helena Almeida está presente, como parte integrante da imagem. As suas mãos desenham os traços, seguram o traço do desenho, seguram a cor da pintura, definem a pintura, destacam o traço do desenho e a cor da pintura. Desmonta o desenho e a pintura como algo independente do suporte, do papel. Na verdade, regista em fotografia o desenho – e o traço do desenho, materializado em crina de cavalo – e pinta sobre ela a cor da pintura. Pinta sobre a fotografia. É o seu suporte.
Helena Almeida não considera o seu trabalho fotografia, mas pintura e desenho. Pelo menos nesta data. (E não só nesta data, sempre.) Comprova-o um registo extremamente interessante neste livro, no colofon (pág. 2): “Fotografia: Artur Rosa”.
É Artur Rosa (Lisboa, 1926), arquiteto e escultor, marido de Helena Almeida, o responsável pelo ‘disparo’ das fotografias, não só neste trabalho, mas ao longo de todo o percurso artístico da Autora, se bem que o enquadramento e a definição do trabalho sejam de Helena. Se nas obras posteriores a autoria das mesmas é já atribuída a Helena Almeida – e nestas seja também –, nesta é distinguida a autoria da fotografia, não como a conceção da mesma, mas como o ‘premir o obturador’.
Embora o trabalho desenvolvido por Helena Almeida seja visto e acolhido como fotografia, ainda que ‘intervencionada’, para Helena, a fotografia é a base ou a forma de apresentação do seu trabalho: o seu trabalho é a pintura. Como diria, sobre a sua obra, em entrevista a Cristina Margato (E. A revista do Expresso, n.º 2293, 08.10.2016, pág. 30-37):
Isto não tem a ver com fotografia. Tem a ver porque é o meio. Só tem a ver com pintura.”
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Helena Almeida, Helena Almeida, Módulo, 1978
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