DUARTE BELO, CESARINY. EM CASAS COMO AQUELA, 2014
10.º aniversário da morte de Mário Cesariny (Lisboa, 09.08.1923 – Lisboa, 26.11.2006)
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Duarte Belo
Cesariny. Em casas como aquela
Fotografia: Duarte Belo / Texto: José Manuel dos Santos
Lisboa: Documenta Editora / Novembro . 2014
Português / 16,7 x 21,0 cm / 88 págs.
Brochura
ISBN: 9789898566829
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ou em casas como aquela
onde Rimbaud comeu
e dormiu e estendeu
a vida desesperada
estreita faixa amarela
espécie de paralela
entre o tudo e o nada…”
Mário Cesariny de Vasconcelos, “Os pássaros de Londres”, in Poemas de Londres.
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Belo regista a casa deste génio, poeta e pintor, antologista, compilador e historiador do surrealismo em Portugal, do qual é considerado o principal representante.
A casa: o espaço dos livros, dos quadros (sobretudo dos amigos), das suas coisas, o espaço da vida de Cesariny, e o próprio Cesariny. Em 2002.
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Escreve José Manuel dos Santos no ensaio “Em casas como aquela”:
Estas fotografias de Duarte Belo são como um navio de espelhos onde o mundo fechado de Cesariny nos entrega os seus sinais, as suas sombras, as suas solidões, os seus sóis, os seus fantasmas, os seus funâmbulos. Nesse navio, ele era como um capitão na sua ponte de comando sob os relâmpagos que dão a fundura do mar à altura do céu.
Agora, olho estas fotografias (Cesariny gostava de dizer: lindas) de Duarte Belo e elas são a madalena do Proust que-ele-não-leu-porque-não-precisava e que me traz o tempo e os seus habitantes. Olho-as e digo com ele: “… a sombra dita a luz / não ilumina realmente os objectos / os objectos vivem às escuras / numa perpétua aurora surrealista / com a qual não podemos contactar / senão como os amantes / de olhos fechados / e lâmpadas nos dedos e na boca”.
Olho-as e vejo-me nelas como se tivesse acabado de chegar àquela casa que apenas foi inteiramente dele quando a rua lhe negou abrigo, susto e aventura. Nestas fotografias, a casa é uma colagem de objectos em êxtase, uma colecção de imagens em rotação, uma constelação de astros em fuga, uma sucessão de sinais sagrados. Aqui, Mário Cesariny é um rei no seu castelo de relâmpagos e raios.”
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Duarte Belo, Cesariny. Em casas como aquela, 2002, 2014
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Este livro foi publicado com o apoio da Fundação EDP, por ocasião dos VIII Encontros de Mário Cesariny, realizados pela Fundação Cupertino de Miranda em Vila Nova de Famalicão, em Novembro de 2014. Reúne um conjunto de fotografias de Duarte Belo, registadas na casa de Mário Cesariny, na Rua Basílio Teles, n.º 6 – 2.º dir., em Lisboa, no âmbito da atribuição do Grande Prémio EDP – Artes Plásticas, em 2002, e integrando o conjunto de iniciativas comissariadas por João Pinharanda que conduziram à realização da exposição retrospetiva, em 2004, no Museu da Cidade, em Lisboa.”
Nota Editorial (p. 87)
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Convite para o lançamento do livro, em Lisboa, 13.12.2014.
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Vale a pena referir aqui um outro olhar pela casa de Cesariny: o livro Monsieur Cesariny, de Susana Paiva, Ed. Débout sur L’Oeuf, 2015, no Fascínio da Fotografia aqui.
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Pingback: SUSANA PAIVA, MONSIEUR CESARINY, ED. DÉBOUT SUR L’OEUF (DSO), 2015 | FASCÍNIO DA FOTOGRAFIA