JORGE CALADO, INGENUIDADES. FOTOGRAFIA E ENGENHARIA 1846 – 2006, 2007

80.º Aniversário da Ordem dos Engenheiros

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Jorge Calado

INGenuidades. Fotografia e Engenharia 1846 – 2006

Fotografia: (160 autores de 30 países) / Introdução: Emílio Rui Vilar, Anne Momens e Paul Dujardin / Texto: João Caraça / Ensaios: Jorge Calado

Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian / 2007

Português / 24,3 x 29,4 cm / 617 págs.

Cartonado / 1.000 ex.

ISBN: 9789723111743

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Jorge Calado

INGenuity. Photography and Engineering 1846 – 2006

Fotografia: (160 autores de 30 países) / Introdução: Emílio Rui Vilar, Anne Momens e Paul Dujardin / Texto: João Caraça / Ensaios: Jorge Calado

Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian / 2007

Inglês / 24,3 x 29.4 cm / 646 págs.

Cartonado / 1.000 ex.

ISBN: 9789723111750

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Neste dia em que se comemoram 80 anos da Ordem dos Engenheiros, criada em 24 de novembro de 1936, que sucedeu à Associação dos Engenheiros Civis Portugueses, fundada há 147 anos, assumiu desde logo como missão prioritária o contributo “para o progresso da Engenharia, estimulando os esforços dos seus associados nos domínios científico, profissional e social, bem como o cumprimento das regras de ética profissional.”

Como engenheiro, não podia deixar passar este dia sem o assinalar neste espaço, até porque a fotografia está, desde sempre, ligada à engenharia, quer como registo da sua evolução e da sua obra, quer como ela própria, instrumento de pesquisa e de intervenção. Aliás, a própria Fotografia – como tanto que nos rodeia – é resultado da engenharia, particularmente na conceção e produção dos equipamentos, materiais sensíveis e tratamento: engenharia química, física, mecânica, materiais, eletrónica, informática…

Na verdade, desde sempre o Homem procurou soluções para a sua segurança, para o seu conforto, para melhorar as suas condições de vida, procurando ser mais eficaz e obtendo as soluções mais económicas: recorre, pois, ao seu Ingenium. Desde a pedra lascada, à roda, ao GPS… A Engenharia é, pois, inata ao Homem. Como esta obra demonstra.

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INGenuidades. O título é simultaneamente um trocadilho ou jogo de palavras e uma provocação. Deriva da minha paixão (científica e técnica) pelo séc. XVIII quando se estabeleceu uma certa confusão entre o engenhoso e o ingénuo (o antepassado do engenheiro). Em inglês, as palavras são foneticamente muito próximas: “ingenious” e “ingenuous”. Gene e genuíno são outras conotações possíveis. Sou assumidamente ingénuo (não no sentido habitual do termo). Qualquer bom dicionário revela que ingenuidade é a condição da pessoa que nasceu livre, que nunca foi escrava. … INGenuidades é uma homenagem à liberdade e génio criativo dos cientistas, técnicos e engenheiros.”

Refere Jorge Calado quando conta “A História de INGenuidades”, referindo ainda a importância e o papel da fotografia nas engenharias (p. 27):

O curioso é que a história da fotografia acompanha a história da engenharia. Descoberta em 1839, a fotografia é a última grande invenção da I Revolução Industrial. Tudo o que se segue – e será muito – virá acompanhado e será validado pela câmara fotográfica.”

Este livro “revela, paralelamente, a história das engenharias e da própria fotografia”, combinando “o engenho e a arte da fotografia para mostrar o progresso técnico da humanidade”, sendo a primeira obra que sobre a história mundial da engenharia, nas diferentes áreas, através da fotografia.

 

Jorge Calado apresenta o

ciclo vital das engenharias – criação, destruição, reciclagem – visto e contado através dos quatro elementos: terra, água, fogo e ar. …

No princípio era a terra, o oceano e a atmosfera e a luz do Sol e do fogo. Os elementos interactuaram e evoluíram, e surgiu a vida. As espécies evoluíram, outras extinguiram ‑se, derrotadas pelas mais aptas ou pela estupidez necessária da espécie mais avançada (e última) – o Homo sapiens. Dominado o fogo, trabalhada a terra, utilizada a água e o ar, a engenharia podia emergir.

Primeiro, regulada pelos números e pela imagem (geometria). São as Grandes Maravilhas. Depois, pela evolução das ciências – física, química, geologia, biologia, medicina… Engenharia é ciência aplicada. O cientista é mais livre que o engenheiro, mas o engenheiro é mais útil. A primeira engenharia a sair do sincretismo técnico foi a militar. O homem quer vencer o seu semelhante.

Mais tarde apareceu a engenharia não‑militar ou civil. Seguiram‑se as engenharias mineira, mecânica, química, eléctrica… E depois outra e outras, com nomes cada vez mais misturados e sexy. Mas todas se reduzem às ciências aplicadas. E as ciências estão hoje todas misturadas. Só os quatro elementos se mantêm: terra, água, ar, fogo.

INGenuidades agrupa as várias engenharias segundo os quatro elementos. Fazer engenharia é controlar as forças da terra, da água, do ar e do fogo. Mas, às vezes, somos derrotados por elas. Nos terramotos, cheias e tsunamis; nos furacões, incêndios e erupções vulcânicas. De tudo isto se dá conta nesta exposição. O percurso é simples, mas a viagem é longa. Para variar, a viagem pode ser feita nos dois sentidos – do princípio para o fim e do fim para o princípio. O espaço é reversível, mas o tempo não. Temos o futuro à nossa frente.”

Fundação Calouste Gulbenkian, Newsletter, n.º 80, Fevereiro 2007, pp. 16-18.

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Jorge Calado, INGenuidades. Fotografia e Engenharia 1846 – 2006, 2007

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“INGenuidades – Fotografia e Engenharia 1846-2006” é o catálogo da exposição homónima, apresentada na Galeria de Exposições Temporárias da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, de 9 de Fevereiro a 6 de Maio de 2007 e no Palais des Beaux-Arts, Bruxelas, de 6 de Julho a 9 de Setembro de 2007, no âmbito das comemorações dos 50 anos da Fundação Calouste Gulbenkian.

Este impressionante livro reúne mais de 350 fotografias de 160 fotógrafos de 30 nacionalidades, provenientes de “colecionadores privados, galerias, museus, desde Sydney a Berlim, passando por São Francisco e Reiquejavique”. Os fotógrafos portugueses representados são: António Júlio Duarte, Carlos Miguel Fernandes, Edgar Martins, Emílio Biel, José Manuel Rodrigues, Luísa Ferreira, Luís Pavão, Paulo Catrica, Paulo Guedes e Paulo Nozolino.

Assim, após as Forças da Natureza – Fogo, Terra, Água, Ar –, seguem-se as Grandes Maravilhas: a Terra – Máquinas e Ferramentas, Engenharia Civil, Engenharia Mecânica, Engenharia de Minas; a Água – Engenharia Hidráulica e Engenharia Naval; Regresso à Terra – O Corpo Prolongado, Biotecnologia, Engenharia Social; o Fogo – Engenharia Metalúrgica, Engenharia Química e Engenharia Nuclear; o Ar – Pontes, E Tudo o Vento Levou, Engenharia Elétrica, Engenharia Aeronáutica e o Espaço.

Os textos que integram a obra, além das introduções de Emílio Rui Vilar (FCG) e de Anne Momens e Paul Dujardin (Palais des Beaux-Arts), são de: João Caraça, diretor do Serviço de Ciência da FCG, que apresenta “O Mundo Maravilhoso de Jorge Calado” e Jorge Calado conta-nos “A História de INGenuidades”, e escreve dois excelentes ensaios: “Engenho, Espanto e Maravilha” e “O Ciclo Vital das Engenharias”.

A edição em inglês inclui nas notas biográficas dos fotógrafos, a sua bibliografia, não incluída na edição em português.

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António Bracons, Aspetos da exposição, FCG, Lisboa, 2007.

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Um percurso da exposição foi efetuado por António Faria no blog da APPh – Associação Portuguesa de Photographia, aqui.

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Atualizado em 2019.05.24 (fotógrafos portugueses presentes).

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