PEDRO DOS REIS, SEA DRAWINGS, 2015
.
.
.
Pedro dos Reis
Sea Drawings
Fotografia: Pedro dos Reis
Lisboa: Edição de Autor / 2015
Português / 21,0 x 21,0 / 50 págs., não numeradas
Brochura / 150 exemplares, numerados 1/150 pelo autor
.
.

.
.
Para Pedro dos Reis,
“Sea Drawings” é um reviver de um tempo passado. Quando os dias eram maiores e a vida estava cheia de detalhes. A praia e as suas formas de vida faziam parte do processo de descoberta da vida e qualquer rocha era um motivo para exploração de um novo território.”
.
Sea Drawings é a descoberta da praia, do mar, o maravilhar-se com as manchas de lapas, com as algas que se estendem pela areia, a natureza sob a água a baixa profundidade, a apanha das lapas…
As fotografias apresentam-se como se fossem desenhos, na sua forma essencial, no cinzento das cores, da neblina, do mar.
Uma peça muito simpática.
.
Sobre esta obra, diz-nos o Autor:
Uma coisa que quis fazer com este livro foi transpor o que se vê, para o tato, daí as imagens terem textura e rugosidade. Também a escolha da cartolina da capa foi intencional e procurou dar continuidade àquilo que o leitor pudesse estar a ver.
Acho também que é um fator que não deixa de ser importante referir: este livro tem um lado de memória e foi criado com a intenção de ser uma cápsula do tempo: com tanta mudança climática e a possibilidade de acidentes na nossa costa (que, sendo grande, está sujeita a qualquer um), estas imagens podem um dia ser mais uma memória. Eu quis capturá-la agora, que sei que existem mas, por outro lado, tem todo esse lado gráfico, em algumas das imagens, com as texturas visuais, que referi e que são acompanhadas das texturas da capa.
Os acidentes ambientais na nossa costa existem, mas não são sentidos, como foram na Galiza, no caso do Prestige. E foi por causa do Prestige, que é agora uma memória, que também criei o livro com essa intenção de cápsula do tempo. Sei que na Galiza ainda se sente muito o que se passou nessa altura e a Natureza tem feito o seu papel, mas ainda demorará até atingir o estádio do que existiu antes. No entanto, basta irmos a uma praia não concessionada e vermos o lixo trazido pelo mar: plásticos, instrumentos de pesca, etc, que vão sendo acumulados e começam a fazer parte das dunas, para perceber que esses acidentes existem; ou mesmo quando os petroleiros lavam os tanques e os resíduos de nafta se misturam na areia das praias.
O livro foi criado com a ideia de simplicidade, mas com alguns “temperos” de sofisticação, mas muito subtil. É um livro que não tem a intenção de dar demasiadamente nas vistas, mas que procura, a quem o procura, dar ou transmitir várias sensações, que vão para além do que se vê.
Este é um aspeto que tenho no trabalho que desenvolvo. Tento que a fotografia ou os trabalhos que resultam da minha criação na Imagem tenham alguma duração e não se esgotem neles mesmos, mas que consigam mutar ao longo do tempo, na relação com o espectador.
Para isso imagino sempre estas “camadas” adicionais, que vivem num equilíbrio que, muitas das vezes, não criam uma ligação com o espectador logo à primeira e podem até criar certas barreiras.”
.
.
.
Pedro dos Reis, Sea Drawings, 2015
.
.
.
Adquiri este livro, no ano passado, na Feira do Livro de Fotografia de Lisboa, que tem lugar no último fim-de-semana de Novembro; este ano de 2016, de 25 a 27. Como o ano passado, será no Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico, na Rua da Palma, 246, próximo do Martim Moniz. É um espaço de encontro de autores, editores e livrarias especializadas em livros de fotografia, incluindo edições de autor, normalmente com tiragens relativamente pequenas; há apresentações de livros, debates e ainda estão em exposição e podem ser folheados livros, bem como maquetes de livros ainda não editados.
.
.
.
Pingback: AGENDA . ABRIL – JUNHO 2017 | FASCÍNIO DA FOTOGRAFIA
Pingback: AGENDA . JULHO – SETEMBRO 2017 | FASCÍNIO DA FOTOGRAFIA