AUGUSTO BRÁZIO, VENDE-SE, 2014
Augusto Brázio
Vende-se
Fotografia: Augusto Brázio / Design: Léo Favier / Edição: Augusto Brázio, David-Alexandre Guéniot e Patrícia Almeida
Lisboa: Ghost Editions / 2014
Português e inglês / 16,0 x 23,0 cm / 180 págs
Brochura, sem capa, impressão offset, envolvida em cinta impressa em silkscreen / 300 ex.
ISBN: 97789899829848

Em 2013, com cada vez menos encomendas dos jornais e revistas para onde trabalhava, o fotógrafo Augusto Brázio, procura uma forma de dar continuidade à sua prática. Começa a percorrer as ruas de Lisboa e, rapidamente, confronta-se com lojas fechadas. No centro de Lisboa e nos subúrbios, no Porto, no Algarve, no Norte de Portugal, são centenas, milhares de lojas fechadas. Algumas parecem ainda ter o sinal “Volto já” afixado na porta; noutras, vê-se já indícios de abandono. Pelos efeitos conjugados da nova Lei do Arrendamento Urbano (que facilita a expulsão dos arrendatários), da queda do consumo e do aumento dos impostos, os comerciantes são confrontados com situações economicamente incomportáveis. …
As coisas são silenciosamente substituídas. Desaparecem como se nunca tivessem existido (ou melhor, como se nunca devessem ter perdurado tanto tempo).
Estas lojas fechadas são uma brecha por onde se vê os efeitos da crise.”
Augusto Brázio começou a fotografar as lojas fechadas: encosta a objetiva ao vidro e regista o interior, através do pó, do lixo, o abandono: espaços vazios ou meio ocupados, abandonados, esvaziados dos conteúdos, apenas um ou outro cartaz, um ou outro móvel, já sem utilidade…
Estas fotografias tornaram-se um levantamento sistemático, um registo de lojas que podemos reconhecer, onde entrámos, onde fizemos compras, lojas em tempo, de sucesso, de grande movimento, geradoras de trabalho e de riqueza, algumas por longos anos.
“Vende-se”, são lojas que já não vendem. Noventa. Cada loja, um fólio, numa impressão única a preto, ficando por vezes nos tons cinzentos, os cadernos cosidos e colados, a primeira página dá continuidade à última. A envolver estas lojas, estas montras, uma capa em forma de cinta com toda a informação textual necessária. O próprio livro é um reflexo da precariedade que retrata.
Augusto Brázio, Vende-se, 2014
A exposição “Vende-se” de Augusto Brázio, foi inicialmente exposta no Museu do Neo-Realismo em Vila Franca de Xira, no âmbito da Bienal de Vila Franca de Xira de outubro a 16 de novembro de 2014.
Encontra-se em exposição, integrada no Mês da Fotografia do Barreiro, naquela cidade, no Auditório Municipal Augusto Cabrita – Galeria Azul, na Av. Escola dos Fuzileiros Navais – Parque da Cidade, de 5 de novembro de 2016 a 29 de janeiro de 2017; curadoria de Sérgio B. Gomes.
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