JOÃO MOTA DA COSTA, ÁLAMOS, 2015
João Mota da Costa
Álamos
Fotografia e texto: João Mota da Costa / Edição e design: Patrícia Almeida e David-Alexandre Guéniot
Lisboa: Edição de Autor / Novembro . 2015
Português e inglês / 18,3 x 27,0 cm / 24 págs
Capa cartonada, caderno em fole (432 x 27,0 cm), separado / 200 ex.
ISBN: 9789892061320

A capa é uma capa.
A capa mostra os Álamos, as árvores. Fechada ou aberta, as árvores e parte do seu enquadramento. Na lombada, discretamente, o título e o autor.
Estas árvores, como que nos dão sombra e antevêem uma brisa ligeira, para nos sentarmos sobre a relva a ver o livro.
O livro é um fólio extenso. Folheia-se, abre-se, na sequência das imagens e dos espaços em branco. Uma… duas… três… uma… quatro… imagens contíguas, em sequência, quase como uma imagem única, intercaladas por uma ou duas páginas brancas…
As fotografias mostram as raízes que crescem à superfície, entre a relva aparada, vemo-las como quem percorre o caminho, como quem as observa. O fólio permite múltiplas conjugações na sua extensão, muito para além do definido.
Os álamos são assim as suas raízes. Como são as raízes que nos marcam, que nos fazem.
Aqui as árvores estão presentes nas suas raízes, no que as segura ao solo e as alimenta. No que sobressai do solo.
O grafismo é diferente e original, feliz. A capa é a proteção, destaca-se. Não há nada que prenda o fólio à capa, como a natureza, com liberdade para crescer, para se libertar, para se desenvolver. Permite-nos vê-la nessa liberdade, como um jogo ou um divertimento. Folheando, desdobrando, abrindo, esticando, encolhendo…
No interior da contracapa, num texto muito breve, Mota da Costa dá uma justificação para o projeto:
Quando em 2009 adquirimos as moradias, numa banda de vinte casas do empreendimento … , admirámos a fileira de álamos que se estendia ao longo de toda a extensão de casas. Não imaginávamos no entanto, que como passar do tempo, estas árvores desenvolvessem raízes tão extensas e vigorosas, orientadas invariavelmente para a parte profunda das casas, onde passam as canalizações de água. …
Até hoje desconhecemos se já houve algum encontro entre a canalização e as raízes. mas à superfície continuamos à sombra das suas copas, embalados pelo som do vento nas folhas.”
Sento-me sobre a relva…
João Mota da Costa, Álamos, 2015
“Álamos” foi lançado em Lisboa na Feira do Livro de Fotografia, no Arquivo Municipal – Fotográfico, em 28 de novembro de 2015, ver aqui.
João Mota da Costa expôs “Álamos” na exposição “Romper”, juntamente com Nuno Brito, na sede da Ordem dos Médicos, em Lisboa, de 08 a 31 de outubro de 2015.