EDGAR MARTINS, SILÓQUIOS E SOLILÓQUIOS SOBRE A MORTE, A VIDA E OUTROS INTERLÚDIOS

Silóquios e Solilóquios sobre a Morte, a Vida e outros Interlúdios começou a estruturar-se no decurso de uma pesquisa no Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF), em Lisboa. Ao longo de três anos, Edgar Martins realizou mais de mil fotografias e digitalizou mais de três mil negativos do vasto e extraordinário acervo do INMLCF. Uma parte significativa destas imagens representa provas forenses, nomeadamente armas e objectos usados em crimes e suicídios, mas também locais de crime, máscaras fúnebres, projécteis, cartas de suicidas e actividades inerentes ao trabalho do médico-legista. Porém, a par destas fotografias, Edgar Martins começou também a recuperar imagens do seu arquivo ou a produzir novas fotografias sobre outros assuntos, pensadas como contraponto visual, narrativo e conceptual. O projecto assenta precisamente nesse contraponto entre imagens, imaginações e imaginários em torno da morte e do corpo morto, como um domínio intersticial, um interlúdio, entre arte e não arte, entre passado e presente, entre realidade e ficção.”
Sérgio Mah, catálogo da exposição
Catálogo da exposição (16 pág.)
Este projeto constitui uma mudança no trabalho de Edgar Martins: depois da última série de trabalhos (The Time Machine – ver aqui; The rehearsal of space and the poetic impossibility to manage the infinite – ver aqui e 00:00:00 – ver aqui), em que Martins fotografa espaços inacessíveis e desconhecidos do público, de forma real, concreta, perfeita: o interior das barragens portuguesas, a Agência Espacial Europeia ou o desenvolvimento de um protótipo automóvel da BMW.

António Bracons, Edgar Martins, 2016.06.29
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Martins continua em espaços muito reservados: agora o Instituto de Medicina Legal de Lisboa, no entanto o seu olhar não fica no interior: no espaço, na atividade, na “produção”, mas centra-se no Arquivo, no Histórico, na memória.
Os materiais de arquivo são documentos em si, no geral são fotografia em si (porque são fotografias mesmo ou porque são fotografias de documentos) e são apresentados (também) como fotografias, das quais se apropria.
Martins parte também destes documentos de arquivo: notícias, descrições, imagens, com o pretexto de criar “uma história” (ou uma imagem) para cada uma dessas descrições, através de uma imagem fotográfica.
Deste modo, o tema da morte é aqui explorado através de uma articulação produtiva entre registos documentais e factuais (vinculados a casos reais e cumprindo as exigências científicas e funcionais do IML) e imagens que procuram incitar o potencial especulativo, ficcional e imaginário em torno do tema. Neste sentido, Siloquies and soliloquies on death, life and other interludes é um trabalho que se propõe a perscrutar as tensões e as contradições inerentes à representação e imaginação da morte, em especial da morte violenta, e correlativamente sobre o papel decisivo mas profundamente paradoxal que a fotografia – nas suas implicações epistemológicas, estéticas e éticas – tem exercido na sua percepção e inteligibilidade.”
Sérgio Mah




















António Bracons, Aspetos da exposição
Esta exposição, com curadoria de Sérgio Mah, foi inaugurada a 29 de junho, fazendo parte do programa inaugural do MAAT, no edifício da Central Tejo.


António Bracons, Edgar Martins e António Mexia, presidente da EDP, 2016.06.29
Prospeto do programa inaugural do MAAT
A exposição está patente até de 16 de outubro de 2016, na Sala Cinzeiro 8.
Em Setembro será lançado o livro do projeto.
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