JORGE CALADO, PRÉMIO UNIVERSIDADE DE LISBOA
O Prémio Universidade de Lisboa 2016 foi atribuído a Jorge Calado (Lisboa, 1938), professor catedrático de química-física no Instituto Superior Técnico (IST), durante quase 30 anos, até se jubilar, em 2007 e professor emérito do IST (2015), conforme foi divulgado em 14 de junho.

António Bracons, Jorge Calado, Porto, 2000
O júri presidido pelo reitor da Universidade de Lisboa, António Cruz Serra, justifica o prémio pois Jorge Calado “cruzou saberes, cultivou de modo singular as ciências e as humanidades tornando-as acessíveis e atraentes para um público alargado”.
Nas palavras de Teresa Patrício Gouveia (2015), Calado é “cientista por vocação, humanista por natureza”.
Jorge Calado licenciou-se no IST, em 1961, em engenharia químico-industrial e doutorou-se em termodinâmica, em 1970, na Universidade de Oxford, no Reino Unido. De regresso ao IST, iniciou em Portugal um grupo na área da termodinâmica, criando escola. É sócio efetivo da Academia de Ciências de Lisboa, em 1988 e foi o primeiro a receber o Prémio Ferreira da Silva, o mais alto galardão da Sociedade Portuguesa de Química.
Conheci pessoalmente Jorge Calado no Porto, aquando do XII Congresso da Ordem dos Engenheiros, no ano 2000. Tive oportunidade de conversar com ele e ouvi-o, como todos os participantes, numa excelente comunicação sobre arte e engenharia.
Não me recordo de ver fotografias de sua autoria, mas não tenho dúvidas que terá um espólio muito muito interessante. Contudo, é uma das pessoas que mais promoveu e mostrou a fotografia portuguesa, bem como mostrou, no nosso país e não só, muita fotografia de muita qualidade.
Ouvi-o várias vezes em comunicações e visitas guiadas, para além das crónicas ou textos publicados na revista do Expresso (com os vários nomes que foi tendo), quer sobre fotografia, quer sobre ópera, onde, de forma clara e sucinta, cruza os vários saberes e experiências, com uma vastíssima cultura e conhecimento.
Na Universidade de Cornell, NY, como professor catedrático adjunto (1983-92) leccionou disciplinas interagindo a arte com a ciência “A Arte da Ciência”, “Arte, Técnica e Sociedade”, “Os Limites da Ciência” e colaborou com revistas como Times Literary Supplement, Opera News e Opera Now.
Não é por acaso que foi incumbido pela Secretaria de Estado da Cultura, de iniciar a Coleção Nacional de Fotografia, em 1988-91, numa ocasião em que era possível comprar imagens de grandes fotógrafos por custos relativamente baixos. É assim que, com o pequeno valor colocado à sua disposição, 20.000 contos na altura (vinte milhões de escudos ou 100.000 € em cambio direto), adquiriu 346 imagens de 98 fotógrafos: portugueses, olhares estrangeiros sobre Portugal e imagens importantes da história da fotografia mundial. Hoje, algumas custam aquele valor.


Jorge Calado, “1839-1989 Um ano depois / One year later”, Lisboa: Secretaria de Estado da Cultura, 1990
Livro (capa e contracapa)
Jorge Calado foi comissário de mais de duas dezenas de exposições de fotografia, uma grande parte para a Fundação Calouste Gulbenkian.
Destaco “Ingenuidades. Fotografia e engenharia 1846-2006”, integrada nas comemorações dos 50 anos da Fundação, apresentada entre 09.02 e 29.04.2007 em Lisboa e em Bruxelas, na Bélgica, no BOZAR / Centre of Fine Arts, de 06.07 a 09.09.2007: um olhar sobre as várias áreas da engenharia e a sua importância para o Homem, através de 345 fotografias de 164 fotógrafos, exposição acompanhada por um soberbo catálogo (com duas diferentes edições: em português e em inglês).

Jorge Calado, “Ingenuidades. Fotografia e engenharia 1846-2006”, Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2007
Também a exposição “Au Féminin: Women Photographing Women 1849-2009”, na delegação de Paris, de 23.06 a 29.09.2009, através da qual coloca Maria Lamas no campo da arte fotográfica, ao incluir oito fotografias de Lamas, a fotógrafa mais representada e com a biografia mais extensa, em 135 fotografias de 100 fotógrafas, paralelamente a Berenice Abbott, Helena Almeida, Julia Margaret Cameron, Annie Leibovitz, ou Germaine Krull, para citar apenas alguns nomes.


Jorge Calado, “Au Féminin: Women Photographing Women 1849-2009”, Paris: Centre Culturel Calouste Gulbenkian, 2009
Livro e convite para a inauguração da exposição
Entre outras exposições que comissariou, podemos referir:
“Pedras & Rochas em fotografia”:

“Terra Bendita”, com fotografias da FSA e Afins:

“À Prova de água. Waterproof”, no âmbito da EXPO’98:

“Signes. Signs”, com fotografias de Mark Power:

ou o “Bohemia. Life and death in the Chelsea Hotel”, de Rita Barros (ver aqui):

Além de exposições, escreveu textos de apresentação ou enquadramento para múltiplos catálogos de exposições e outros livros de fotografia.
Foi o fundador do IST Press, na qual publicou, em 2012, o livro “Haja luz! Uma História da Química Através de Tudo”, onde integra a arte com a ciência.


Jorge Calado, “Haja luz! Uma História da Química Através de Tudo”, Lisboa: IST Press, 2011
Livro e convite para o lançamento
Como Calado disse numa entrevista dada à Sociedade Portuguesa de Química, em 2003: “Acredito firmemente (…) que há apenas uma única cultura e que tudo se encontra relacionado”, mas a termodinâmica merece um carinho especial: “É a ciência da energia. Nada acontece sem energia, a energia é fundamental para tudo. A termodinâmica permeia a vida.”
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