JONAS – GRUPO DE TEATRO DE SANTO ANTÓNIO DO ESTORIL, 2016 – III

 

 

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Em seguida, foi pu­blicado na ci­dade, por ordem do rei e dos prín­cipes, este decreto: «Os homens e os animais, os bois e as ove­lhas não co­mam nada, não sejam levados a pas­tar nem bebam água. Os homens e animais cubram-se de roupas gros­sei­ras, e clamem a Deus com força; converta-se cada um do seu mau ca­minho e da violência que há nas suas mãos. Quem sabe se Deus não se arrependerá e acal­ma­rá o ardor da sua ira, de modo que não pereça­mos?»

Deus viu as suas obras, como se convertiam do seu mau caminho, e, arrependendo-se do mal que ti­nha resolvido fazer-lhes, não lho fez.

Jo­nas ficou profundamente abor­re­­cido com isto e, muito irritado, di­rigiu ao Senhor esta oração:

«Ah! Senhor! Porventura não era isto que eu dizia quando ainda es­tava na mi­nha terra? Por isso é que, preca­vendo-me, quis fugir para Társis, por­que sabia que és um Deus miseri­cor­dioso e clemente, paciente, cheio de bondade e pronto a renunciar aos cas­­tigos. Agora, Senhor, peço-te que me mates, porque é melhor para mim a morte que a vida.» O Se­nhor respondeu-lhe: «Julgas que tens ra­zão para te afligires assim?»

Jonas saiu da cidade e sentou-se a oriente da mesma. Ali fez para si uma cabana e sentou-se à sua som­bra, para ver o que ia acontecer na cidade. O Senhor Deus fez crescer um rícino, que se levantou acima de Jonas, para fazer sombra à sua ca­beça e o proteger do Sol. Jonas ale­grou-se grandemente por aquele rícino. Ao outro dia, porém, ao rom­per da ma­nhã, enviou Deus um ver­me que roeu as raízes do rícino, e este secou. Quando o Sol se levan­tou, Deus fez soprar um vento quente do oriente, e o Sol enviou os seus raios sobre a cabeça de Jo­nas, de forma que ele, desfalecido, desejou a morte e disse: «Melhor é para mim morrer do que viver.»

En­tão Deus disse a Jonas: «Jul­gas tu que tens razão para te indig­nares por causa deste rícino?» Jonas res­pondeu: «Sim, tenho razão para me in­dignar até desejar a morte.»

Disse-lhe Deus: «Sentes pena de um rícino que não te custou tra­balho algum para o fazeres crescer, que nasceu nu­ma noite, e numa noite pereceu! E não hei-de Eu compade­cer-me da grande cidade de Nínive, onde há mais de cento e vinte mil pessoas, que não sabem distinguir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda, e um grande número de animais?»

Jon. 3, 7 – 4,11

 

 

 

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Refere Joana Liberal que

numa pequena conferência sobre o Ano da Misericórdia, realizada em Dezembro, na Universidade Católica, D. Manuel Clemente declarou que se pudesse guardar apenas duas páginas da Bíblia, guardaria a Parábola do Pai Misericordioso (Filho Pródigo) e o Livro de Jonas. A partir desta ideia nasceu o espectáculo para o Jubileu da Misericórdia.”

 

JONAS – Todas as ondas do mar tem por base o livro de Jonas, com citações dos livros de Isaías, Joel, Amós e Oseias, algumas referências do segundo livro dos Reis e do segundo livro das Crónicas, que se encontram interligadas. Inclui referências da história do povo assírio, bem como diversas partes ficcionadas como algumas cenas com a rainha de Judá e toda a cena de Nur, o bom assírio, a sua irmã Niri e a avó, personagens inventadas.