JOSÉ SUÁREZ, LA MANCHA, 2005
Completam-se hoje 400 anos da morte de Miguel de Cervantes (Alcalá de Henares, 29 de setembro de 1547 – Madrid, 22 de abril de 1616) e de William Shakespeare (Stratford-upon-Avon, Reino Unido, 23 de abril de 1564 – Stratford-upon-Avon, Reino Unido, 23 de abril de 1616)
José Suárez
La Mancha
Fotografia: José Suárez / Texto: Xosé Luis Suárez Canal, Teresa Siza, Ramiro Fonte
Lisboa: Instituto Cervantes de Lisboa / 2005
Português, espanhol / 104 págs.
Brochura

José Suárez (Allariz, 1902 – Guarda, 1974) foi um dos fotógrafos históricos espanhóis mais importantes. O seu trabalho, desenvolvido essencialmente em séries fotográficas, é fundamentalmente humanista. A série “La Mancha”, realizada na década de sessenta, mostra o interesse que o fotógrafo galego pela obra de Cervantes e é o resultado de confrontar o seu olhar com as paisagens eternizadas pela pena de Cervantes. É um trabalho cuidadoso que analisa os espaços em torno do homem, destacando o contexto, para que as pessoas não apareçam individualizadas, mas como arquétipos da classe social a que pertencem.
Nota do Editor
Sobre o trabalho do autor, escreveu Amor Eduardo Blanco, para o catálogo da exposição “Mariñeiros”, de José Suárez, sobre Castilla, apresentada na Sala de Arte da Caixa de Ahorros de Vigo (1967) e no Museu Arqueológico de Ourense (1971):
E a sua rapsódia LA MANCHA? Nunca, no meu conhecimento, os brancos tinham dado essa quietude e claridade, ao mesmo tempo que tão terno e expressivo diálogo, ou os negros um conteúdo tão patético e sóbrio. (E o Grande Senhor dela, que também foi em seu tempo, “levando a canção consigo ” continua caminhando, sem andanças, pelo “lá” dessas fotos: sem elmo, sem lança, sem figura nem sequer triste, mas vivo, continuando nestes homens e mulheres feitos a traços de luz e sombra: nesses doces animais solidários, na forma acariciada, permanente das coisas: o navio, a ferramenta, a entidade limitadora das cercas, o harmonioso contrapeso dos beirais, os moinhos que se acreditaram dos gigantes e às vezes o foram: Castilla).”
José Suárez, La Mancha, Lisboa: Instituto Cervantes de Lisboa, 2005
Este livro é o catálogo da exposição de fotografia “La Mancha”, de José Suárez, produzida pelo Instituto Cervantes de Lisboa, apresentada em 2005.
O nome de Miguel de Cervantes(Alcalá de Henares, 29.09.1547 – Madrid, 22.04.1616) traz de imediato à memória a figura de dois personagens por si criados: o Fidalgo D. Quixote de la Mancha e o seu criado Sancho Pança. E as suas aventuras, como a luta de D. Quixote contra os gigantes…
Levou-me a procurar fotografias dos gigantes… Encontrei este livro, editado em Portugal, pelo Instituto que tem o nome de Cervantes (o principal divulgador da cultura espanhola no mundo)…
E esta luta recorda-me o poema de António Gedeão:
Impressão Digital
Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos,
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.
Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns veem luto e dores
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.
Pelas ruas e estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros gnomos e fadas
num halo resplandecente.
Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D.Quixote vê gigantes.
Vê moinhos? São moinhos!
Vê gigantes? São gigantes!”
In “Movimento Perpétuo”, 1956, em Poesia Completa, Lisboa: Sá da Costa Editora, 1982 (8.ª edição).
Pode ver mais sobre este livro aqui.