WIM WENDERS, «À LUZ DO DIA ATÉ OS SONS BRILHAM»

 

 

 

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À luz do dia até os sons brilham.

Fernando Pessoa, in Wim Wenders, Lisbon Story / Viagem a Lisboa, 1994

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Ninguém duvidará de que, depois da água,

a vida é a melhor coisa que o ser humano tem

Georg Christoph Lichtenberg (1742-1799)

 

 

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WIM WENDERS (Dusseldorf, 14.08.1945) é uma das principais figuras do Novo Cinema Alemão, realizador, cineasta, dramaturgo, ator, fotógrafo.

 

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Queryzo, Wim Wenders, 2015

 

O olhar de Wim Wenders é muito fotográfico, mesmo antes de se assumir como fotógrafo, e esse modo de olhar está patente nos seus filmes e documentários: nos horizontes, nas paisagens, nos detalhes, nos retratos.

 

De Paris-Texas (1984),

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ao bailado de Pina Bausch (2011),

 

 

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de As Asas do Desejo (1987)

 

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a O Sal da Terra (2014), sobre a fotografia de Sebastião Salgado.

 

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A fotografia de Wim Wenders reflete-se nos filmes, mas encontra-se também nos livros. Na procura de espaços para rodagem dos seus filmes, ao longo das filmagens, nos ensaios, Wim Wenders regista na fotografia o que o sensibiliza.

Foi precisamente com Paris-Texas, que descobriu na fotografia a cor na paisagem do oeste americano, deixando o preto e branco e tornando-se desde então um fotógrafo da cor. A fotografia que fez então, durante as filmagens, deu origem ao livro Written in the West (1984).

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Wim Wenders, Written in the West, 1984

A sua segunda grande exposição fotográfica e livro foi “Pictures from the Surface of the World”, levou-o à Austrália, Cuba, Israel, Arménia ou Japão, “sempre em busca de imagens que capturassem a essência de um local.”

 

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Wim Wenders, Pictures from the surface of the world

 

 

Desde então, publica e expõe com frequência, tornando-se, a par de cineasta, um fotógrafo de renome.

 

A Lisboa de Wim Wenders está presente nos seus filmes:

 

 

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The State of Things / O Estado das Coisas (1982),

 

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Until the End of the World / Até ao Fim do Mundo (1991),

 

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E, sobretudo, Lisbon Story / Viagem a Lisboa (1994), o qual se passa na capital, sobretudo nos bairros mais antigos e que conta com a presença da música e do grupo Madredeus, a banda criada por Pedro Ayres de Magalhães e com a voz fabulosa da Teresa Salgueiro, numa encomenda da EXPO’98.

 

Wim Wenders esteve em Portugal e particularmente em Lisboa, na preparação das filmagens daqueles filmes entre “1980 e 1994, num tempo de mudanças políticas e de começo de expansão económica do país.”

Em 1980 (1979?, conforme legenda) fotografou as instalações abandonadas do Hotel da Praia Grande, a preto e branco.

 

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Wim Wenders , Hotel da Praia Grande, 1979

 

 

Sobre elas diz:

 

Uma vez

no extremo oeste

do continente europeu,

onde Portugal tem o seu nariz pontiagudo,

pelo menos no atlas,

deparei-me com um hotel abandonado.

Com cada onda

o Atlântico impõe a sua posse deste pedaço de terra.

Este lugar estava a pedir para se tornar um filme,

achei,

apercebendo-me ao mesmo tempo

que já tinha trazido a história comigo,

e que só aqui poderia tirar esse peso dos meus ombros.

A América estava “oposta”,

do outro lado do mar.

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O filme chamou-se “O Estado das Coisas”

com Henri Alekan como director de fotografia.

Foi um balanço bastante pessimista e sombrio do cinema,

mas mesmo assim, a luz do Henry ainda conseguiu dar brilho a tudo.”

Wim Wenders, Once. Pictures and Stories. Munique: Schirmer Art Books, 2015, p.26

 

 

Em 1994 fotografa esse mesmo complexo hoteleiro, já recuperado.

 

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Wim Wenders , Hotel da Praia Grande, 1994

 

 

Sobre as fotografias, lemos na folha de sala:

As fotografias de Wim Wenders são, no entanto, mais do que a documentação fotográfica das suas deambulações urbanas. Do mesmo modo que o engenheiro de som Philipp Winter escuta e capta os sons da cidade em Lisbon Story / Viagem a Lisboa, as fotografias de Wim Wenders são uma homenagem à evolução humana que gerou esta cidade, símbolos de uma transformação que se manifesta no espaço.

 

 

 

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 Wim Wenders, série À luz do dia até os sons brilham, 1980-94

 

Uma vez, Potsdam fez-me lembrar Lisboa…”

Wim Wenders, Once. Pictures and Stories. Munique: Schirmer Art Books, 2015, p.240.

 

 

 

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Wim Wenders, série À luz do dia até os sons brilham, 1980-94

 

…e em Lisboa lembrei-me da Alemanha da minha infância.”

Wim Wenders, Once. Pictures and Stories. Munique: Schirmer Art Books, 2015, p.244.

 

As imagens, em grande formato, na estreita largura da galeria que o tanque proporciona, leva-nos a entrar nas imagens. De espaços amplos, por vezes, pontos de vista invulgares, a interiores intimistas, a pequenos detalhes, o olhar de Wenders sobre Lisboa – e sobre Portugal – leva-nos a reconhecer a cidade e o país, alguns locais, sentir como conhecidas as imagens, os olhares, a luz.

Umas imagens trazem-nos outras à memória. Da nossa história. Como as pinturas murais, algumas ruas, alguns telhados. Como lhe recordaram a Alemanha da sua infância.

Porque há coisas que, para vermos, precisamos de nos afastar, ver de fora, adquirir um outro olhar.

 

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Wim Wenders, série «À luz do dia até os sons brilham», 1980-94

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Em “«À luz do dia até os sons brilham.» Wim Wenders à descoberta de Portugal” mostram-se agora 28 fotografias , em grande formato, exposição com curadoria de Anna Duque y González e Laura Schmidt, no fabuloso espaço do Museu da Água da EPAL, o Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras, em Lisboa, entre 7 de novembro de 2015 e 2 de abril de 2016, numa organização da Fundação Wim Wenders, do Lisboa & Estoril Film Festival e do Museu da Água.

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Para conhecer mais sobre o autor e a obra, ver aqui.

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