EDGAR MARTINS, THE TIME MACHINE, 2012
Edgar Martins
The Time Machine: an incomplete and semi-objective survey of hydropower stations
Fotografia de Edgar Martins, ensaios de Geoff Dyer, João Pinharanda
Bedford: The Moth House / Maio 2012 / fevereiro 2013 # / novembro 2012 ##
Inglês e português / 36,0 x 42,0 cm / 156 págs
Cartonado, com caixa acrílica impressa / 1000 ex;
# Cartonado (capa azul) / 200 ex (parte da edição de 1000 ex)
## Cartonado, em imitação de pele, em caixa / 150 ex. numerados e assinados.
ISBN: 9780956908506
Edição base
Edição especial #
Edição especial ##
Este projeto veio introduzir uma nova linha de trabalho na fotografia de Edgar Martins: ver por dentro dos grandes espaços do nosso tempo, olhar em grande escala e no detalhe realidades inacessíveis ao comum dos mortais, mas do qual todos têm conhecimento.
Em The Time Machine Martins fotografa as grandes barragens portuguesas, num projeto desenvolvido para a EDP – Eletricidade de Portugal. Mas Martins não nos mostra as imagens das grandes paredes que se erguem fechando os vales na definição das barragens, nem as águas a alta pressão saindo dos descarregadores após fazerem mover as pás das turbinas. Não há grandes horizontes ao longo da água que se espalha enchendo a barragem. Não há paisagens conhecidas.
Apenas uma primeira imagem, de uma torre de água, mostra alguma extensão de água. Descemos então ao interior daqueles corpos gigantescos de betão. Martins mostra-nos aquele mundo claro, branco, luminoso: as grandes naves das turbinas, quais catedrais da técnica e da evolução, da qual a energia, particularmente a elétrica é motor fundamental.
Paralelamente, estão os pequenos espaços de gabinetes e de comando. E as ferramentas e materiais específicos, parafusos e porcas e chaves, alguns de dimensões enormes, mas que Martins descontextualiza e retira a escala ao fotografar isolado contra um fundo negro, apresentando como uma peça única, como se se tratasse de uma obra de arte da tecnologia.
Muitas das barragens foram construídas entre 1950 e 1970, um período de perspetivas de esperança de um rápido crescimento económico e da mudança social. A sua razão de ser, alimentar a expansão do país e empurrá-lo para um futuro próspero.Quarenta anos depois, não mais do que meia dúzia de pessoas, incluindo especialistas, pessoal de limpeza e de segurança, percorrem estes lugares que, nalguns casos, foram projetados para abrigar até 250 trabalhadores, apenas algumas décadas atrás. Essas pessoas e as suas famílias foram destinadas a viver em aldeias reais, centros de população e desenvolvimento urbano num futuro que, hoje, em última análise, tem emergido como desabitado.Em cada barragem, mecanismos computorizados regulam agora a produção e a distribuição de energia. Este sistema alienou o poder concreto e imediato pelo qual a realidade é governada e concentrou o controlo de um sistema complexo hidrelétrico num centro distante (dando, assim, consistência para a fantasia das máquinas gerirem os homens).”,
refere Martins.
Martins entra assim no mundo real, fantástico, fabuloso, mas inacessível. Este é o primeiro de três grandes projetos, nesta data já concretizados: depois das grandes barragens portuguesas, a descoberta do espaço em The Rehearsal of Space and the Poetic Impossibility To Manage the Infinite (ver aqui) e o desenvolvimento de um novo modelo automóvel em 00:00:00 (ver aqui).
Edgar Martins, The Time Machine, 2012
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