EDGAR MARTINS, THE REHEARSAL OF SPACE AND THE POETIC IMPOSSIBILITY TO MANAGE THE INFINITE, 2014

Edgar Martins

The Rehearsal of Space and the Poetic Impossibility to Manage the Infinite

Fotografia de Edgar Martins, ensaios de John Gribbin, João Seixas, Sérgio Mah

Madrid: La Fabrica, com colab. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian / Maio 2014

Espanhol e inglês / 24,0 x 32,0 cm / 184 págs / 86 fotografias

Cartonado com sobrecapa /

ISBN: 9788415691686

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Desde sempre o espaço atraiu o homem. Nos finais do séc. XIX, com o desenvolvimento científico e tecnológico, Júlio Verne viajava já “Da Terra à Lua”…

Fascinado desde sempre pelo espaço e pela ficção científica, de que tem uma coleção significativa, Edgar Martins (Évora, 1977) teve a ideia de fotografar os espaços do Espaço. Há muitas coisas que hoje nos são familiares, e é grande a influência da cultura popular na modelação da forma como entendemos a exploração espacial, Edgar Martins refere o filme Gravidade, de Alfonso Cuarón ou o álbum Dark Side of the Moon, dos Pink Floyd, como influência.

Como contou na visita guiada à exposição então patente na Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa, 27.06 a 07.09.2014), fez uma carta à ESA (European Space Agency – Agência Espacial Europeia), com a proposta de um projeto. A ESA procurava alguma visibilidade para as atividades espaciais europeias junto do público, pelo que a proposta de Martins mereceu uma atenção especial, incluindo, além da publicação de um livro, várias exposições e conferências.

Assim, Martins teve o privilégio de entrar e fotografar as instalações da ESA, sendo a primeira vez que a agência abriu as portas a alguém externo: foi o primeiro fotógrafo a fazê-lo.

O trabalho foi fabuloso e o resultado não é menos: com plena liberdade para fotografar (e significativa liberdade para apresentar), Martins teve acesso a todos os espaços, inclusive aos mais reservados, àqueles que impõe medidas mais restritivas, nomeadamente de esterilização, as salas limpas, obrigando a equipamentos especiais.

Foi assim que ao longo de 2012 e 2013 teve acesso privilegiado a cerca de 20 instalações da ESA e de parceiros, em nove países de três continentes: Reino Unido, França, Holanda, Espanha, Alemanha, Rússia, Cazaquistão e Guiana Francesa.

Martins fotografa com câmara de filme de grande formato (10 x 8 polegadas, pontualmente 4 x 5 polegadas): o fotografar não é simplesmente chegar, apontar, disparar; mas carregar tripé e câmara, montar, enquadrar, focar, estimar a exposição e… disparar. De vários minutos a algumas horas… Fazer um, dois ou três disparos. Depois, no regresso ao laboratório, revelar, digitalizar… E, algumas vezes, regressar (viajar, contactos, agendar) para repetir uma vez mais aquela imagem que não ficou bem. Como refere, as “máquinas de grande formato permitem uma abordagem muito mais reflexiva, mais introspetiva. O fotógrafo tem de estabelecer uma relação bastante mais intima com o seu sujeito/tema”.

Martins mostra o interior. Como no projeto anterior, The Time Machine, não é o exterior, que é relativamente conhecido, que lhe interessa, mas o interior, o reservado, o ‘mágico’, o fantástico: das grandes naves aos elementos de dimensão mínima.

As imagens mostram os grandes espaços de fabrico e testes, os simuladores espaciais, laboratórios, departamentos de robótica, centros de treino de astronautas, mas também os pequenos equipamentos, os fatos e os registos pessoais dos astronautas, até fragmentos de componentes e de ensaios, alguns dificilmente visíveis a olho nu.

Como refere na apresentação do livro no site da The Moth House (ver aqui):

Como sempre, a sua abordagem é dupla, descritiva e especulativa, está situada entre o facto e a ficção, no qual as fotografias assumem o seu pleno significado. Os documentos de The Rehearsal of Space estão na nossa busca para penetrar a realidade astrofísica do universo, a fim de melhor compreender tempo, espaço e matéria. Ao fazê-lo, Martins destaca as políticas mais amplas de exploração do espaço, o papel crescente da ciência e da tecnologia na nossa sociedade e a nossa relação com o desconhecido, enquanto levanta questões mais amplas em torno de epistemologia, metafísica e, finalmente, a conceção da humanidade em si mesma.”

As imagens de Martins, mais que um caráter documental ou descritivo, constituem como que um hino, um poema (ou um conjunto de poemas) visuais do tema fotografado. É impossível registar tudo, fica uma essência. Aliás, o próprio título é definidor de todo o projeto: The Rehearsal of Space and the Poetic Impossibility to Manage the Infinite – O Ensaio do Espaço e a Impossibilidade Poética de Conter o Infinito.

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Edgar Martins, The Rehearsal of Space and the Poetic Impossibility To Manage the Infinite, 2014

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A exposição «Edgar Martins. A impossibilidade poética de conter o infinito» esteve patente na Fundação Calouste Gulbenkian, de 27 de junho a 8 de setembro de 2014, curadoria de Leonor Nazaré.

No âmbito do programa “As escolhas das Curadoras”, durante o período de confinamento (2020/21), Leonor Nazaré fala sobre a exposição e apresenta uma visita guiada com Edgar Martins; pode ver aqui.

Em 2021.01.28

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Outros projetos de Edgar Martins no FF, aqui.

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