FRANCISCO DE ATHAYDE M. DE FARIA E MAIA, KODAKS, 1912
Nos 105 anos da Implantação da República Portuguesa
Francisco de Athayde M. de Faria e Maia
Kodaks (Impressões de viagem)
Livraria Ferreira, Lisboa, 1912
Português, 135 x 204 x 11 mm
Brochura.
Quem gosta de livros, gosta de alfarrabistas. Numa livraria encontramos imensos livros, particularmente os mais recentes. Num alfarrabista, encontramos também livros mais antigos, já fora de mercado, porque retirados das prateleiras ou há muito esgotados.
Em Torres Novas, há dias, num alfarrabista, encontrei um pequeno livro, editado em 1912: Kodaks (Impressões de viagem), de Francisco de Athayde M. de Faria e Maia. Folheei: algumas fotografias, 6, em pequeno formato (65 x 50 mm), cada uma numa página, centrada, o verso em branco, todas da Suiça, legendadas.
Mas o que me chamou a atenção foi o título: “KODAKS”.
E é pela descrição feita, mais que pelas imagens que o trago aqui…
Comecemos pela Kodak, a marca que primeiro democratizou a fotografia, tornando-a praticamente acessível a todos, mesmo com poucas posses e sem saber de fotografia, ao lançar, em 1888, a primeira câmara, com filme incluído para 100 fotografias. O primeiro anúncio foi publicado em 29.09.1888 na Scientific American: “The Kodak Camera – 100 Instantaneous Pictures – Anybody can use it – No knowledge of photography is necessary – The latest and best outfit for amateurs – Send for descriptive circular – Price $25.” O famoso slogan “Carregue no botão, nós fazemos o resto” “You press the button – We do the rest”, surgiria logo a seguir, como neste anúncio de 1889:
Voltemos a este pequeno livro. O autor é correspondente do jornal diário “República”, para o qual escreveu alguns artigos sobre as suas viagens. As fotografias são da sua última viagem. E no preâmbulo do livro, em jeito de carta, datada de 30 de julho de 1911, esclarece o título… Curioso, no entanto, o paralelismo traçado entre o livrinho e as máquinas fotográficas Kodak, ao tempo, marca já internacionalmente conhecida, 22 anos após o lançamento do primeiro modelo…
Todavia… , como o meu amigo insistiu e me armou a cilada de annunciar as minhas «Impressões», e para que nem eu nem a Republica sejamos acusados de faltar ao promettido, abalancei-me á empreza. Peço-lhe, porém, que se contente com os instantâneos, Kodaks, que lhe envio e continuarei a enviar.
Não darei longas descripções, nem críticas profundas ; não descreverei minuciosamente museus, nem monumentos ; não falarei d’arte, nem de sociologia ; não farei philosophia nem litteratura. Simplesmente reproduzirei com a rapidez d’uma Kodak e com as imperfeições d’um aparelho de lentes ordinárias, pataqueiro, como nós dizíamos em calão académico, sem lentes Zeiss, aquelles trechos de paysagem, aquellas coisas e factos que por estarem melhor illuminadas, mais evidentes, puderam impressionar mais duradoiramente as placas photographicas do meu cérebro, permittindo agora á minha memoria, neste remanso do campo, reproduzi-las com a falta de relevo d’um mau photographo, inexperiente, desconhecedor das dosagens a empregar, para não estragar as photographias que revela.
…
Lá vão, pois, os Kodaks, mas com a condição de pedir aos leitores da Republica que os vejam em estereoscopios poderosos que corrijam as imperfeições do mau photographo”…
A fotografia da capa e do rosto, idêntico à capa
Na Suiça, no início do séc. XX, a educação era obrigatória até aos 16 anos.
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