ANTÓNIO BRACONS, O OLHAR DE D. JOÃO, COIMBRA, 1989-1996, 1997
725 anos da fundação da Universidade Portuguesa: a Bula De Statu Regni Portugalliae, do Papa Nicolau IV, de 9 de agosto de 1290, reconhece a Fundação do Estudo Geral.
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António Bracons
O OLHAR DE D. JOÃO
Fotografia: António Bracons / Texto: Professor Doutor Abílio Hernandez Cardoso
Coimbra, Pró-Reitoria da Cultura da Universidade de Coimbra / 1997 (1.ª ed.), 1998 (2.ª ed.
Português (1.ª ed.) / Português e inglês (2.ª ed.) / 24,4 x 32,8 cm / 9 folhas (1.ª ed.), 10 folhas (2.ª ed.)
Portfólio / Capa, fólio com rosto e texto do Professor Doutor Abílio Hernandez Cardoso e oito fotografias, impressão: bicromia, 1.000 ex. (1.ª ed.) + 1.000 exemplares (2.ª ed.).
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Forma especial significante, a fotografia retira a sua densidade do jogo entre a luz e a sombra, entre o claro e o escuro. Elementos que só existem neste jogo a dois, são a luz e a sombra que organizam a fotografia e o seu espaço, se instituem em sua unidade semântica e lhe conferem a forma pela qual ela se ilumina de sentidos.
Nas fotografias de António Bracons, a paisagem é conhecida. Mais do que isso, é familiar, isto é, algo em permanente risco de se tornar invisível. Que fazer, por isso, para lhe dar (nova) visibilidade? Como olhar o que, por tão próximo, se não consegue já ver? Como olhar de novo sem ver o mesmo?
Estas fotografias escolheram um espaço e um olhar: o espaço real do Paço das Escolas e o olhar fictício de D. João III que, em 1537, instalou definitivamente a Universidade em Coimbra. Aqui.
Fotografar é, justamente, conceder o primado ao olhar, quer dizer, não aceitar o que claramente se vê e recusar o grau zero de uma pretensa objectividade. Olhar é por isso uma questão de intensidade. E é também um itinerário, a escolha de um ponto de fuga, do lugar a partir do qual o olhar se institui, da perspectiva como intencionalidade retórica, do fragmento como ilusão de uma realidade. A nossa.”
Abílio Hernandez Cardoso, O olhar de D. João
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D. João III, 1996 . O Paço das Escolas, 1992 . A Alcáçova Real, 1991 . Porta Férrea, 1992
Os Gerais, 1990 . Via Latina, 1990 . Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, 1989 . Universidade de Coimbra, 1990
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Em 12.11.1288, os Priores dos Mosteiros de Santa Cruz de Coimbra, de S. Vicente de Lisboa, e do abade de Alcobaça e os superiores de 24 igrejas e conventos do Reino, reunidos em Montemor-o-Novo, escreveram ao Papa Nicolau IV pedindo que se dignasse criar um Estudo Geral, o qual seria financiado por rendimentos cedidos pelos vários mosteiros e conventos.
O rei D. Dinis não esperou pela chegada da bula papal e, por carta emitida de Leiria em 1.03.1290, “Scientiae Thesaurus Mirabilis”, funda o Estudo Geral [data reconhecida como a da fundação da Universidade]. A fundação foi reconhecida “urbi et orbi” pela Bula “De Statu Regni Portugalliae”, exarada em Orvieto a 9 de Agosto daquele ano: concedia autorização, enumerava os privilégios, dava o foro eclesiástico e as honras dos graus académicos. Contava inicialmente quatro faculdades: Artes, Cânones (Direito Canónico), Leis (Direito Civil) e Medicina. O ensino da teologia só se iniciou por volta de 1380, pois até então estava reservado às escolas conventuais dominicanas e franciscanas e à Universidade de Paris.
A Universidade portuguesa é uma das doze mais antigas da Europa e do mundo.
Inicialmente o Estudo Geral funcionou em Lisboa, mas em 1308, D. Dinis transferiu-o para Coimbra, dando-lhe em 15.02.1309 os primeiros estatutos, pela “Charta Magna Privilegiorum”.
Em 1338, D. Afonso IV mudou-o para Lisboa, voltando para Coimbra entre 1354 e 1377, quando D. Fernando o transfere novamente para Lisboa. No reinado de D. João I foram outorgados os segundos estatutos, em 16.06.1431: passou a cursar-se Teologia e Aritmética, Geometria e Astrologia, as quais seriam fundamentais para a epopeia dos descobrimentos, de que foi percursor o Infante D. Henrique, primeiro Protetor da Universidade; a partir de D. João II todos os reis foram Protetores da Universidade. D. Manuel I, em 1503, dá novos estatutos.
Com o grande movimento de Lisboa, com muitas e diversas gentes e tarefas, em pleno período dos Descobrimentos, a cidade não se tornava propícia ao estudo, pelo que o rei D. João III mudou definitivamente a Universidade para Coimbra, corria o ano de 1537.”
António Bracons e José Cura, Marcofilia Comemorativa de Coimbra, ed. Secção Filatélica da AAC, Coimbra, 2013
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Por isso, a Universidade de Coimbra confunde-se com a Universidade portuguesa. Hoje é uma das maiores do país, com mais tradições e vida académica, em permanente crescimento e desenvolvimento. Só após a implantação da República, na segunda década do séc. XX, é fundada a Universidade em Lisboa e no Porto e décadas depois, são criadas as Universidades de Algarve, Aveiro, Beira Interior, Évora, Minho, Trás-os-Montes e Alto Douro.
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