NUNO MATOS DUARTE, ARQUEOGRAFIA, ED. LICORNE, 2014
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Nuno Matos Duarte
Arqueografia
Fotografia e texto: Nuno Matos Duarte
Editora Licorne / 2014
Português / 21,9 x 32,7 cm / não paginado
Brochura / 215 ex.
ISBN: 9789898789044
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Onze fotografias compõe este livro de Nuno Matos Duarte, fotografias a plena página, individuais.
O autor é arquiteto, mas as fotografias registam a obra – uma obra – em “tosco”, está o betão concluído, as alvenarias parcialmente executadas, ainda não há rebocos nem acabamentos.
Este não seria, normalmente o olhar de um arquiteto.
É certo que a fase do betão de uma obra é uma fase extremamente plástica. E muito privada. A obra é um espaço vedado e reservado: só entra na obra, no estaleiro, quem está ligado à obra. Não é um espaço público, ainda que o edifício construído o seja.
Se as obras de arquitetura são sobretudo vistas pelo exterior – é a imagem visível, pública, a que todos têm acesso, a que todos conhecem, a que torna imediatamente reconhecida qualquer obra – e aqui podemos recordar a Arquitetura de Hiroshi Sugimoto, em que o desfoque das imagens até à essência da forma, permite-nos reconhecer a obra fotografada – Nuno Matos Duarte fotografa a obra do interior, no interior – o pouco que se vê para fora não é referencial. E o interior fotografado, pouco diz da obra – pontualmente apenas, para quem conhece bem o interior do edifício – pois são imagens anteriores à compartimentação e aos acabamentos.
Por definição, a obra é a execução e, até à conclusão. Há uma evolução do nada até ao edifício final: abertura de cabocos para as fundações, as fundações, armaduras, cofragens, betão, remoção de cofragens, alvenarias, roços, tubagens, rebocos, enchimentos, revestimentos, pinturas… cada fase acrescenta à anterior, esconde-a, remodela-a, é impossível regressar atrás. Cada momento é, pois, único numa obra. Mas Arqueografia não é um registo da evolução da obra.
As imagens de Nuno Matos Duarte foram obtidas
num curto período de tempo de um processo construtivo rápido e evolutivo, bem mais longo e complexo, transformam-se quase instantaneamente em imagens irrepetíveis. Daí decorre, a meu ver, muito do seu fascínio, de uma certa evocação de intemporalidade do monumento a transparecer do que temos por evidência ser efémero” – como ele próprio escreve.
Por outro lado, pela ausência de pessoas, de ferramentas, de entulhos – de ação – dir-se-ia que era uma obra parada, suspensa. Mas o autor confirma que a obra desenvolvia-se em pleno ritmo. Mas o que mostra da obra é, de facto, a estrutura, a essência da forma, esvaziada de detalhes, num momento de mutação: arqueografia: (n. f.) reprodução gráfica de objetos, ruínas, cenas, monumentos, etc., da Antiguidade.
A obra é o edifício da Câmara Municipal da Ponte de Sor, Nuno Matos Duarte é autor do Projeto de Arquitetura.
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Nuno Matos Duarte, Arqueografia
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O livro foi apresentado no passado dia 23 de abril, no Atelier de Lisboa, por Sérgio B. Gomes e Bruno Sequeira.
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Fotografias da obra: © Nuno Matos Duarte
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Uma visita ao edifício pode ser feita aqui.
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