A ÁGUA DE LUSO, 2014
No “Arquilégio Medicinal”, o 1º inventário das águas minerais portuguesas, de 1726, do Dr. Francisco da Fonseca Henriques, refere-se que no Luso, “abayxo de huma copiosíssima fonte de agoa fria, rebenta hum olho de agoa quente, a que chamão o Banho” e que terá propriedades medicinais.
Cerca de 50 anos depois, em 1775, começa a utilização das suas águas com fins terapêuticos e em 1838, a Câmara Municipal da Mealhada constrói uma casa de alvenaria, substituindo as antigas de madeira, para aí funcionarem os banhos.
Em 25 de agosto de 1852, por iniciativa do médico e professor da Universidade de Coimbra, Dr. António Augusto da Costa Simões (Mealhada, 23.08.1819 – Mealhada, 27.11.1904) é fundada a Sociedade para o Melhoramento dos Banhos de Luso, cujos estatutos foram confirmados por Alvará Régio em 1853. A 22 de julho do ano seguinte inicia-se a construção das novas instalações hidroterapêuticas, inauguradas a 1 de Junho de 1856.
Em 1886, foi edificado o edifício onde veio a funcionar o Casino, estilo Arte Nova, representando a “Belle Époque” que se vivia em Portugal. Engloba um salão de espetáculos, destacando-se a pintura do teto, do consagrado pintor Gabriel Constante, realizada em 1910, bem como uma biblioteca considerável, onde se pode consultar ou requisitar qualquer obra.
O “Casino” abriga também um núcleo museológico da Sociedade da Água de Luso, com referência aos momentos e figuras marcantes, bem como um acervo de peças, máquinas, equipamentos e documentos das fábricas Luso e Cruzeiro, das Termas e do Grande Hotel de Luso.
Em 1894 inicia-se a venda da Água Termal de Luso e em 1901 o engarrafamento em vasilhame próprio; em 1903, o Dr. Charles Lepierre realiza pela primeira vez análise bacteriológica àquela água e classifica-a de “muitíssimo pura”. Em 1904 é construído um edifício junto ao Balneário Termal, para engarrafamento, passando as 3 torneiras para 7, em 1909.
Em 22.12.1916, transforma-se na Sociedade da Água de Luso, S.A.R.L. e em 1925 é construído novo edifício destinado exclusivamente ao engarrafamento, que o será até 1970, hoje a sede.
O médico e professor universitário Bissaya Barreto (1886-1974), presidente do conselho de administração (1931-1959), conjuntamente com o apoio de outros acionistas, como Messias Ferreira Baptista (1891-1974), impulsionou e desenvolveu a empresa: com a construção do Grande Hotel de Luso e novas instalações industriais de engarrafamento e a compra da Quinta do Cruzeiro. Em 10.7.1938, é efetuado o primeiro registo do logotipo, inspirado na escultura “Menina Pureza”, em pedra lioz, do prestigiado escultor João da Silva.
Na sequência de parceria entre a Malo Clinic e a Sociedade da Água de Luso, já neste século, surge a Malo Clinic Termas Luso Thermal & Medical Spa. As Termas de Luso abrem as portas todo o ano, com Termalismo Clássico, Spa Termal (com as vertentes Esthetics e Acqua) e Medical Center (com Reabilitação Física e Reabilitação Cardíaca).
As suas águas, de caraterística hipossalina, cloretada, sódica e silicatada, atingindo a temperatura de 27 ºC, são utilizadas sobretudo no tratamento de problemas renais, hipertensão arterial, perturbações do metabolismo e do aparelho locomotor, reumatismos, afeções respiratórias crónicas e patologias dérmicas.




























