GIYA MAKONDO-WILLS, THEY CAME FROM THE WATER WHILE THE WORLD WATCHED (2016-2019)
Integra a exposição “The Journey: From Then to Now” / “A Jornada: Do Passado ao Presente” do Imago Lisboa Photo Festival, patente nas Carpintarias de São Lázaro, de 17 de outubro a 9 de novembro de 2025.
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Em They Came From The Water While The World Watched (Eles Vieram da Água e o Mundo Assistiu, 2016–2019), Giya Makondo- Wills retrata a crença Ancestral indígena sul-africana e o Cristianismo em relação à atividade missionária e à colonização do país, abordando as repercussões de longo prazo da agenda colonial europeia do século XIX. A artista discute a tentativa de desmantelar a religião Ancestral e substituí- la pelo Cristianismo, ao mesmo tempo que reflete sobre a fotografia documental e o olhar ocidental, explorando a santidade de manter vivas as crenças tradicionais e a sua adaptação ao mundo contemporâneo.
A complexa relação entre Cristianismo e religião Ancestral manifesta-se na própria família da artista, onde é prática comum invocar tanto Deus como os Deuses. Sendo simultaneamente britânica e sul-africana, Giya Makondo-Wills aborda o conflito de crenças a partir do ponto de vista do colonizador e do colonizado. Assumindo uma perspetiva dual e uma abordagem exploratória, destaca a relação simbiótica entre elementos culturais e a resiliência dos costumes pré-coloniais, que se mantêm vivos sob uma forma modernizada. O título They Came From The Water While The World Watched faz referência à migração e colonização europeias iniciais na África do Sul, bem como à indiferença do mundo ocidental face a este ato.
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Giya Makondo-Wills, They Came From The Water While The World Watched (2016-2019)
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A série de Giya Makondo-Wills, “They Came From The Water While The World Watched (2016-2019)”, integra a exposição “The Journey: From Then to Now” / “A Jornada: Do Passado ao Presente” do Imago Lisboa Photo Festival, patente nas Carpintarias de São Lázaro, na R. de São Lázaro 72, em Lisboa, de 17 de outubro a 9 de novembro de 2025 (5ª feira a domingo, as 12h00 às 18h00).
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Sobre “The Journey: From Then to Now”, escreve a curadora, Anne Nwakalor:
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Quero que o trabalho de cada fotógrafo dialogue entre si, criando uma viagem visual e temática coesa. A exposição seguirá uma trajetória histórica e contemporânea, começando com o projeto de Giya, que explora o colonialismo e o seu impacto nas crenças ancestrais. Este leva ao trabalho de Tayo, que examina a exploração e a mercantilização dos corpos das mulheres negras. E em seguida o projeto de Jono, que lida com as heranças coloniais do Zimbabué, destacando os seus efeitos duradouros.
A partir daí, o trabalho de Obayomi aborda a influência contínua das potências coloniais através da rejeição sistemática de pedidos de visto, revelando barreiras modernas à mobilidade. O projeto de KC capta a instabilidade que muitos enfrentam mesmo dentro do seu próprio continente, documentando o deslocamento forçado de nigerianos na África do Sul devido à xenofobia. A exposição termina com o trabalho de Adïam, que se foca nos combates e na resiliência dos refugiados, oferecendo uma mensagem de esperança apesar dos desafios contínuos do deslocamento.
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Na apresentação desta 7.ª edição do Imago Lisboa Photo Festival, Rui Prata, curador artístico, escreve:
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QUEBRAR O SILÊNCIO – CAMINHAR JUNTOS
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Na sua 7ª edição, o Imago Lisboa reafirma-se como um espaço plural de encontro e reflexão em torno da imagem fotográfica. Consolidado no panorama cultural de Lisboa — e com crescente reconhecimento nacional e internacional — o festival propõe-se, mais uma vez, não apenas como plataforma expositiva, mas como agente ativo no desenvolvimento da literacia visual e da compreensão crítica das artes visuais contemporâneas.
A edição de 2025 inscreve-se num contexto em que a prática fotográfica é convocada a pensar o mundo a partir da sua própria ontologia: o olhar, o registo, a memória, o silêncio. O tema curatorial — Quebrar o silêncio, caminhar juntos — convida à escuta e à partilha, num momento em que a convivência entre culturas e experiências se torna imperativa.
Portugal, enquanto território histórico de cruzamentos, encontros e deslocações, revela-se simultaneamente como espaço de acolhimento e de silêncio. A construção da nossa identidade coletiva foi, desde sempre, marcada pela presença do outro — os cruzados que povoaram os territórios conquistados, os estrangeiros que ocuparam as possessões ultramarinas, os migrantes que hoje respondem às necessidades de uma população em regressão. Este festival pretende, assim, abrir espaço para narrativas que foram historicamente silenciadas e promover uma escuta ativa dessas vozes.
A programação artística do Imago Lisboa 2025 articula-se em torno de um conjunto de exposições que propõem diálogos entre artistas consagrados e emergentes, de diferentes geografias e gerações. Estas exposições espelham a diversidade das práticas fotográficas atuais e são complementadas por um amplo programa de atividades: debates, oficinas, projeções, leituras de portfólios e conferências.Numa estratégia de alargamento e fidelização de públicos, o festival promove ainda ações educativas nas bibliotecas municipais, com sessões dedicadas à História da Fotografia e conversas em torno da obra de artistas participantes — criando, assim, condições para uma descodificação mais sensível e informada das suas narrativas visuais.
Por fim, numa abordagem mais lúdica e experimental, o Imago Lisboa propõe oficinas abertas a jovens, seniores e famílias, onde se exploram formas alternativas de fazer e pensar a fotografia. Porque é também na brincadeira, no gesto e no improviso que se quebram silêncios e se criam novos caminhos partilhados.
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Pode conhecer melhor a obra de Giya Makondo-Wills, aqui.
A agenda da 7.ª edição do Imago Lisboa Photo Festival, 2025, no FF, aqui.
Sobre esta edição do Imago Lisboa Photo Festival, no seu site, aqui.
Sobre estas e outras edições do Imago Lisboa Photo Festival, no FF, aqui.
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Cortesia: Imago Lisboa Photo Festival
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