REMCO DE VRIES, THE HEAVY LOADS OF OUR WORLD. AS PESADAS CARGAS DO NOSSO MUNDO

Integrou a exposição “Action for a Green Future II”, do IMAGO LISBOA Photo Festival.

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A Cimeira do Clima (COP29) está a terminar: tem lugar de 11 a 22 de novembro de 2024, em Baku, no Azerbaijão, procurando ações concretas para combater a crise climática que se desenvolve de forma acelerada.

A este propósito, trago aqui esta série que foi possível ver no âmbito do IMAGO LISBOA Photo Festival, que “convida o espectador a refletir sobre os hábitos excessivos de consumo das atuais sociedades, que contribuem não só para um esgotamento das matérias-primas, mas também para uma elevada poluição na sequência da necessidade massiva de transporte”.

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“The Heavy Loads of Our World” (“As Pesadas Cargas do Nosso Mundo”) é um projeto fotográfico estimulante que expõe as complexidades da indústria naval e o seu impacto profundo na economia global. Através de uma coleção meticulosa de 36 imagens, que capturam a presença imponente dos maiores navios porta-contentores ao longo de um mês no porto de Roterdão, o projeto cria uma tipologia poderosa. Acompanhado por um vídeo fascinante que mostra a sua imensa escala, este trabalho apresenta-se como uma exploração reveladora desta indústria.

Na sua essência, o projeto levanta questões éticas pertinentes que visam o cerne das operações da indústria naval, através da qual um conjunto de nove empresas apenas exerce um controlo significativo sobre a economia global, convidando à consideração da dinâmica e das consequências de tal poder concentrado.

O projeto apresenta-se como um testemunho da maquinaria complexa que está na base do nosso conforto diário, numa sociedade impulsionada pela automação e pelo imediatismo virtual. A justaposição da tecnologia e do esforço humano incita os espectadores a reconsiderar a sua relação com o consumismo e a reconhecer o custo humano e ambiental das suas escolhas.

“The Heavy Loads of Our World” convida os espectadores a refletir e questionar os seus padrões de consumo, incentivando a um exame crítico dos sacrifícios humanos e ambientais que mantêm o comércio global. Através da exploração íntima das múltiplas dimensões da indústria naval, o projeto visa incitar ao diálogo sobre a interação entre o nosso estilo de vida moderno e os recantos ocultos da economia global.
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Remco de Vries, The Heavy Loads of Our World

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António Bracons, Aspetos da exposição, 2024

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A série de Remco de Vries, “The Heavy Loads of Our World”, integrou a exposição “Action for a Green Future II”, do IMAGO LISBOA Photo Festival, com curadoria de Rui Prata, patente no Imago Garage, na Rua do Vale de Santo António, 50 C, em Lisboa, de 27 de setembro a 26 de outubro de 2024.

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Sobre a série “Action for a Green Future II”, escreve o curador, Rui Prata:

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Ação para um Futuro Verde pretende ser mais um alerta contra a rápida degradação do planeta. Enquanto as políticas e comportamentos das atuais sociedades não forem revertidas em direção a um futuro mais sustentável, nunca serão demais as chamadas de atenção nesse sentido. Importa combater o aquecimento global através de atitudes que conduzam à redução dos gases de efeito estufa e promover hábitos de maior sustentabilidade essenciais às atividades humanas.

A presente exposição inicia-se por uma relação poética entre natureza e humanidade. São imagens de proximidade e intimidade que Catarina Nogueira partilha com o observador numa esperança de caminharmos para um futuro mais feliz. Porém, esse desejo é interrompido pelo rasto de destruição provocado pelo furacão Mitch, nas Honduras. Resultante das alterações climáticas, os fenómenos naturais de extrema violência são cada vez mais frequentes.

Por seu lado, Roberto Fernández cria, a partir de gráficos científicos, uma cenografia sobre o degelo no Ártico e Antártico, que terá um impacto desastroso com a subida dos oceanos e o desaparecimento de muitas povoações costeiras.

Através de “The Heavy Loads of Our World”, Remco de Vries convida o espectador a refletir sobre os hábitos excessivos de consumo das atuais sociedades, que contribuem não só para um esgotamento das matérias-primas, mas também para uma elevada poluição na sequência da necessidade massiva de transporte.

Por seu lado, José Artur Macedo, alerta-nos para as questões da seca no Alentejo. As tradicionais culturas de sequeiro têm, paulatinamente, e por razões meramente económicas, vindo a ser substituídas por monoculturas absorvedoras de grandes quantidades de água e que agravam profundamente a situação.

Finalmente, Micael Espinha, elabora uma ficção sobre um possível impacto das alterações climáticas na paisagem Lisboeta. A capital torna-se um território despovoado com uma crescente desertificação.

Face ao agravar crescente das condições ambientais, todos, ainda que em pequena escala, devemos contribuir para um futuro mais verde. Reduzir o consumo de eletricidade, água e combustíveis fósseis, desenvolver hábitos de reciclagem, são pequenas atitudes que o planeta agradece.

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Pode ver a agenda das exposições e eventos do IMAGO LISBOA Photo Festival 2024, no FF, aqui.

Pode ver mais sobre o IMAGO LISBOA Photo Festival 2024, no seu site, aqui.

Sobre outras exposições (dos vários anos), no FF, aqui.

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Cortesia: IMAGO LISBOA Photo Festival.

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