ISABEL DANTAS DOS REIS, BEATRIZ AREIAS, ALICE WR E MANUELA VAZ, RESPIRAR . 2
Uma exposição do projecto CELEUMA – Residências criativas, iniciativa da Associação de Fotografia Experimental TIRA-OLHOS, integrou o ANALÓGICA – Festival de Fotografia, na Chamusca. Fotografia de Isabel Dantas dos Reis, Beatriz Areias, Alice WR e Manuela Vaz, entre outros.
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Mostro hoje a segunda parte desta exposição que teve lugar em 2022, entre 24 de setembro a 29 de outubro, integrada no ANALÓGICA – Festival de Fotografia, na Chamusca.
A exposição contou com trabalhos de Rui Luís, Alexandre de Magalhães, Lara Limaverde, Isabel Dantas dos Reis, Beatriz Areias, Alice WR, Manuela Vaz, Ana Caetano, Helena Ferreira, Sandra Teixeira, Susana Paiva. Seguindo a disposição do espaço, mostro hoje os projetos de Isabel Dantas dos Reis, Beatriz Areias, Alice WR, Manuela Vaz.
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Na folha de sala, Sofia Silva, do projecto Celeuma, regista:
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A exposição RESPIRAR reúne algumas das obras criadas durante a primeira edição do projecto CELEUMA – residência criativa, que decorreu durante a Primavera de 2022.
Este projecto é uma iniciativa da Associação de Fotografia Experimental TIRA-OLHOS, com origem num lugar de afectos. Falamos daqueles afectos que mexem com o corpo todo, que achincalham a alma e nos revolvem as vísceras, antes de nos iluminarem com significados e significantes que julgáramos até então conhecer. Falamos de uma espécie de hiato que nos atinge quando entre a vida e a morte se revela a palavra ‘amor’. Cenas densas, sabemos disso. Digerimos: parámos, respirámos e, com o objectivo de partilhar essa experiência e proporcionar um espaço de retiro, pensamos a Celeuma como uma zona temporária de incentivo ao recolhimento e a dinâmicas mais amigas da criatividade.
Situada num espaço rural, na Freguesia da Cela, concelho de Alcobaça, nesta primeira edição a casa recebeu 13 artistas corajosxs, decididxs a participar num projecto sem histórico e a embarcar numa experiência cujo lema – a potência do indivíduo é a potência do colectivo – anunciava uma viagem algo estranha. Mas a premissa era simples: uma vez a salvo das dinâmicas frenéticas e desconectadas do quotidiano, xs artistas foram convidadxs a deixarem-se contaminar pela criação dx residente anterior e a usufruir de um outro enquadramento temporal.
À medida que o projecto ia ganhando vida, também a aura do espaço nos ia surpreendendo. Apesar de xs artistas não se cruzarem na casa e de cada um/a contactar apenas com o projecto dx residente anterior, foi apenas quando o grupo reuniu pela primeira vez, no final do ciclo de residências, que nos espantamos com os fios condutores: Os vestígios da natureza, os espasmos da máquina de escrever, a intensidade do azul da prússia, a profundidade do negro carvão, o ruído impactante do silêncio e o ritmo inegável do vento.
Por sugestão de uma das residentes participantes, a artista Isabel Dantas dos Reis – por sinal organizadora do Festival Analógica – começámos a namorar a ideia de preparar uma exposição digna desse contexto. Falou-se do espaço O Lagar, na Chamusca, e houve quórum. Em consonância com o momento em que a Celeuma começa a abrir as portas a uma segunda vaga de residentes, parecia-nos adequado celebrar o final desta experiência colectiva. Contudo, hoje, ao entrarmos no espaço O Lagar, não resistimos a sentir que esta exposição é, antes, o princípio de qualquer coisa. Uma outra onda de afectos se revela. Aquece-nos, inquieta-nos, desperta-nos …
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Dispostas em mesas vamos encontrar as obras de quatro artistas: Isabel Dantas dos Reis, Beatriz Areias, Alice WR e Manuela Vaz.
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Isabel Dantas dos Reis, Em Para quê? Recordas-te?
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Em Para quê? Recordas-te?, Isabel Dantas dos Reis volta ao seu espaço de conforto (ou deveríamos antes dizer desconforto?). Resistindo, mas regressando a um trabalho sobre a ausência e a memória, o trabalho desenvolvido na Celeuma nasce da troca de correspondência entre os pais da artista, durante os dois anos da comissão do pai enquanto soldado na Guiné-Bissau. Isabel chegou à residência com um passaporte renovado, mas ainda sem certezas sobre a sua identidade. Recolheu, viajou nas palavras e fez a purga. Sobreviveu.
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Beatriz Areias, Entre Campos
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A artista Beatriz Areias apresenta-nos Entre Campos, um conjunto de imagens em azul da prússia (cor característica de um dos primeiros processos fotográficos – a Cianotipia), que contam uma história ao mesmo tempo vibrante e melancólica. Entre a iconicidade das plantas e o vestígio das suas breves vidas, encontramos sinais de uma terra palmilhada e fértil que, ao virar imagem, secou.
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Alice WR, A Experiência do Lugar
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Em A Experiência do Lugar, Alice WR arriscou navegar sem balizas nem à prioris, confrontando-se com uma dimensão ao mesmo tempo desconhecida e estranhamente familiar. Entre a magia e o terror, encontrou-se com os cheiros da terra molhada e da noite. Enfrentou os vultos, o nascer do sol e a meia-noite. Chovia. Não havia forma de não se olhar.
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Manuela Vaz, Com Outras Plantas
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Também a artista Manuela Vaz se confrontou com um abalo na dimensão temporal. Em Com Outras Plantas, Manuela partilha a experiência de uma imersão curta, mas intensa. Absorvendo a memória do natural brotar das ervas e das flores que invadem as beiradas dos carreiros, a artista foi explorando as manchas, as cores e as texturas dessa experiência, através de criações fotográficas de impressão lenta, que designamos por ‘luminogramas’.
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“Respirar”, com fotografia de Rui Luís, Alexandre de Magalhães, Lara Limaverde, Isabel Dantas dos Reis, Beatriz Areias, Alice WR, Manuela Vaz, Ana Caetano, Helena Ferreira, Sandra Teixeira e Susana Paiva foi uma exposição do projecto CELEUMA – residências criativas, iniciativa da Associação de Fotografia Experimental TIRA-OLHOS, integrou o ANALÓGICA – Festival de Fotografia, na Chamusca, esteve patente n’ O Lagar, na Rua Dr. Félix Pereira, 72, na Chamusca, de 24 de setembro a 29 de outubro de 2022.
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Fotografias da exposição de António Bracons.
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Pode ver sobre a primeira e a terceira parte desta exposição, no FF, aqui e aqui.
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