JOÃO MIGUEL BARROS, PENDOLINO

No Creative Macau / Center for Creative Industries, em Macau, João Miguel Barros, Francisco Ricarte, Jason Lei, Ieong Man Pan, Tang Kuok Hou e Rusty Fox apresentam “Seeing The Light In Black and White . Ver a Luz em Preto e Branco”, de 13.01 a 19.02.2022.

.

.

.

João Miguel Barros

Pendolino

Fotografia e texto: João Miguel Barros

Ochre Editions / Outubro . 2021

Zine.Photo #8

Inglês / 28,5 x 40,0 cm / 40 pp

Zine. Costura em espinha / 300 ex.

.

.

.

.

Um papel de qualidade (capa 270 gr, miolo 160 gr) e uma impressão cuidada, pretos intensos e brancos fortes, um breve texto de introdução e fotografias ocupando o fólio integral fazem da série de ZINE.PHOTO [stories in black and white] de João Miguel Barros, um projeto extremamente feliz. De acordo com o autor, este “é um projeto individual de longo prazo, não periódico, que visa contar histórias em preto e branco, como se fossem contos autónomos de um livro maior. E é um novo conceito editorial do que pode ser um “Zine”. Cada edição terá um tema independente.”

A coleção é complementada com caixas de arquivo, com capacidade para 8 números, disponíveis em branco e em preto, texto a prata.

.

.

Sobre Pendolino, escreve:

.

Cheguei à idade de quem olha os comboios com um certo olhar romântico criado a partir muitas viagens imaginadas.

Quando eu era criança, os comboios eram mais lentos e viajavam num ritmo que não combinava com os nossos pensamentos. Permitiam a contemplação interior, que às vezes podia magoar, revelando não apenas o bem, mas também o mal que emanava da alma. Eles davam-nos tempo para olhar para as vastas paisagens abertas que se estendiam no horizonte e para olhar para o futuro antes dele chegar.

Este projeto engloba uma viagem de comboio entre as cidades de Lisboa e Porto, e o regresso a Lisboa. O comboio Alfa-Pendular de alta velocidade (Pendolino) encurta a distância, levando-nos ao norte de Portugal e de volta no mesmo dia. Tudo está diferente agora com os comboios que nos levam ao nosso destino mais rápido do que o tempo que precisamos para entrar no dia de amanhã.

O que a memória regista é um dia chuvoso e uma paisagem embaciada. E para testemunhar isso, esta Zine Photo #08.

.

.

.

João Miguel Barros, [fotografias da série] Pendolino

.

.

João Miguel Barros, Francisco Ricarte, Jason Lei, Ieong Man Pan, Tang Kuok Hou e Rusty Fox apresentaram “Seeing The Light In Black and White . Ver a Luz em Preto e Branco”, no Creative Macau / Center for Creative Industries, na Xian Xing Hai Avenue, em Macau, de 13 de janeiro a 19 de fevereiro de 2022.

.

.

.

Sobre esta exposição, referem os autores:

.

Ao longo da história da fotografia, entre os fotógrafos que a fazem como arte, surgiram ideias opostas sobre os textos para explicar as imagens. Diz-se que uma boa fotografia não precisa de explicação. Se fotografia é arte e arte basta, a própria imagem deve ser independente, transmitindo-se tudo através da imagem sem a descrever em texto.

No início, a fotografia foi considerada uma forma de representar a realidade de forma objetiva, no seu estado puro, sem retoques. Essas imagens, bonitas ou não, dizem a verdade através do olhar daquele “momento”. Mais tarde, na câmara escura, para melhorar o filme, geralmente corrigindo arranhões ou outras falhas no filme. No entanto, hoje, não há fotografia (imagem) que não seja “ajustada” para obter o resultado mais próximo do desejável. Assumindo que a manipulação é uma prática recorrente e tão habitual, que ao eliminar a natureza indesejável da imagem captada, extingue-se a alma daquele “momento”. Cada vez mais, a impressão fotográfica torna-se tecnológica. As gráficas utilizam a tecnologia como um processo rápido de produção de livros, aceitando apenas imagens digitais ou digitalizadas do filme analógico. O tom é corrigido de acordo com o gosto do autor e exigindo a natureza do papel como “efeitos de compressão”.

Onde está a verdade da natureza das imagens? Existe uma verdade? Quantas existem?

Aqui ficam 6 fotógrafos que nos deram as respostas e para deleite do público, apresentam a arte da fotografia ao seu estilo. Eles criaram algo novo e original, manipulando a natureza da imagem ou não, alterada, para “mostrar a verdade”.

.

Apresento também o texto sobre a exposição em inglês e em chinês:

.

In the course of the history of photography, among photographers who make it as art, there have been opposing ideas about texts to explain the images. It is said that a good photograph needs no explanation. If photography is art and art is sufficient, the image itself must be independent, transmitting everything through the image without describing it in text.

In the beginning, photography was considered a way to represent reality objectively, in its pure state, without being touched up. Those images, beautiful or not, tells the truth through the look of that “moment”. Later, in the darkroom, it was to improve the film, usually repairing scratches or other flaws in the film. However, today, there is no photograph (image) that is not “adjusted” to obtain the result that is closer to what is desirable. Assuming that manipulation is a recurring practice and so habitual, that by eliminating the undesirable nature of the captured image, the soul of that “moment” is extinguished. Increasingly, photographic printing is become technological. The printers use technology as a quick book production process, accepting only digital or digitized images of the analog film. The tone is corrected according to the author’s taste and demanding to the nature of the paper as “compression effects”.

Where’s the truth of the nature of the images? Is there a truth? How many are there?

Here are 6 photographers who gave us the answers and to the public’s delight, present the art of photography in their own style. They created something new and original, by manipulating the nature of the image or not, altered, to “show the truth”.

.

在攝影史中,雖然有攝影師把文字算作創作的一部分,但還是有一些持反對聲音,因為他們認為一幅好的照片是不需文字去講解圖中意思。如果攝影是一門藝術,而藝術是自給自足的,則圖像本身必須是獨立的,因此圖像自身能傳達一切,而不用文字描述。

最初,攝影被認為是一種在不被修飾的情況下客觀呈現真實狀態的方法。那是原始圖像的時代。這些圖像,不論是否美麗,都具有“當下”的真相。後來人們在黑房中對底片作出改善,修補划痕和瑕疵。但是來到今天,基本上很難沒有圖像不曾被調整過,以達到所需效果。如後製是如此的慣性,以消除所攝的不討喜因素,那其實就連當下的「靈魂」都消掉了。同樣的,攝影印刷技術也越來越進步。現在印刷商可以把數碼圖像又或數碼化底片籍現代科技快速生產書本。亦可以簡單把色調根據作者喜好、紙質等作出調整。

圖片的真相在哪裡?到底有沒有所謂的真相?而又有多少?

現在有六位攝影師為大家帶來了充滿個人特色的作品,他們或許通過後製來操縱圖像的性質又或以不改變圖像的本質來創作,以圖“顯示真相”。

.

.

.

João Miguel Barros nasceu em 1958, em Lisboa, Portugal. É Advogado de profissão, em Lisboa e Macau.

Foi codiretor da revista SEMA, de cultura e artes visuais, publicada em Lisboa entre 1979 e 1982 (www.revistasema.pt).

Em 2017 começou a expor o seu trabalho fotográfico, com exposições individuais no “Creative Macau – Centre for Creative Industries”, Macau (fevereiro de 2017), no “Museu Coleção Berardo”, Centro Cultural de Belém, Lisboa, Portugal (de fevereiro a agosto 2018), no “Centro de Arte Contemporânea de Macau – Estaleiro da Marinha nº 1”, Macau (de Abril a Junho de 2019), no Albergue SCM, Macau (Julho 2019) e na Fundação Rui Cunha, Macau (Maio 2020). Tem também participado em várias exposições colectivas.

Foi recentemente seleccionado para representar Macau na Bienal Internacional de Arte de Macau com a quadriptique “Alegoria da Globalização”.

Publicou três fotolivros: “Entre o Olhar e a Alucinação” (auto-edição) em 2017, “Foto-roteiros – 14 contos” (edição do Museu Coleção Berardo) em 2018, “Foto-roteiros 12 contos (edição da Gabinete dos Assuntos Culturais do Governo da RAE de Macau).

No início de 2020, começou a publicar a revista “Zine Photo” (www.zine.photo), que é baseada no seu próprio trabalho.

Em dezembro de 2020, a Photo London Academy publicou uma edição da sua Revista (nº 32), exclusivamente dedicada ao seu trabalho e projetos. Pode ler aqui.

João Miguel Barros é também curador freelance de fotografia contemporânea, tendo promovido exposições de fotografia de artistas internacionais em Portugal, estando atualmente a desenvolver vários outros projetos nesta área.

Recentemente foi seleccionado, juntamente com os artistas Ung Vai Meng e Chan Hin Io, entre 24 grupos candidatos, para representar Macau na “59.ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza”, a realizar em 2022.

Actualmente está a criar o “Espaço Ocre” (www.ochrespace.com) em Lisboa com uma galeria de arte, livraria e editora especializada em fotografia contemporânea.

.

.

.

Pode conhecer mais sobre a obra de João Miguel Barros no site do autor, aqui. Pode conhecer o projeto Zine.Photo aqui.

.

.

.