SCHORE MEHRDJU, THE SECOND + YOUNES MOHAMMAD, THE UNTOLD STORY OF FAMILIES
Estas séries integram a exposição “The Family in Transition”, do Imago Lisboa Photo Festival patente nas Carpintarias de São Lázaro, em Lisboa, de de 2 a 20.10 e de 29.10 a 06.11.2021. Schore Mehrdju, integrou também a seleção EMERGENTES 2020, dos Encontros da Imagem 2021, esteve patente no Mosteiro de Tibães, 17.09 a 31.10.2021.
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SCHORE MEHRDJU, THE SECOND
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Schore Mehrdju, The Second
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The Second é uma série que explora simultaneamente o estatuto social das mulheres e os casamentos polígamos no Tajiquistão.
“Uma mulher sem marido não vale nada aqui!” — isto foi o que a artista ouviu com mais frequência de cada uma das mulheres que fotografou. Para serem respeitadas pela sociedade, as mulheres de Tajik devem ser casadas, não importa se são primeira ou segunda esposa. Esta é a principal razão pela qual o conceito da poligamia se difundiu na sociedade de Tajik, ainda que seja punido por lei.
O contrato de casamento muçulmano, ou Nikoh, permite casamentos polígamos, mas deixa as segundas esposas e seus filhos, sem quaisquer direitos. Foi essa a razão que levou a artista a trabalhar em colaboração com essas mulheres, de forma criar retratos anónimos afastados de qualquer estigmatização.
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António Bracons, Aspetos da exposição (Carpintarias de São Lázaro, Lisboa), 2021
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YOUNES MOHAMMAD, THE UNTOLD STORY OF FAMILIES
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Younes Mohammad, The Untold Story of Families
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Estas fotografias fazem parte de um projeto que documenta os sacrifícios das forças Peshmerga curdas na luta para derrubar o ISIS.
O projeto levou-me até às províncias do Curdistão iraquiano.
Falei com centenas de membros do exército Peshmerga, fiz retratos íntimos dos combatentes feridos e das suas famílias, e documentei não só as histórias dos confrontos, mas também as suas lutas diárias para continuar a vida no pós-conflito. Combatentes que pegaram em armas, não porque eram obrigados a fazê-lo, mas porque era o certo, e o que tinha de ser feito. Quase todos os homens apresentavam lesões físicas graves. Braços, pernas e olhos perdidos. Corpos tão debilitados pelas feridas das balas e estilhaços, que um simples movimento criava uma dor dilacerante. Estes homens também demonstravam sinais do fardo pesado dos traumas mentais, do transtorno de stress pós-traumático, e das memórias que não os largavam. Eles faziam-no pelos seus filhos, pelas suas famílias, pelo seu povo e pelo mundo em geral.
Infelizmente, o sofrimento deles não termina após retornarem a casa. Os homens enfrentam novos desafios, como a obtenção de próteses para os membros afetados, cuidados continuados, ou até como sustentar as famílias tendo em conta as limitações físicas, devido aos ferimentos.
Esta é a história das famílias que conseguiram vencer juntas o impossível.
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António Bracons, Aspetos da exposição, 2021
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As séries de Schore Mehrdju, “The Second” e de Younes Mohammad, “The Untold Story of Families”, integram a exposição “The Family in Transition”, com curadoria de Rui Prata, promovida pelo Imago Lisboa Photo Festival, patente nas Carpintarias de São Lázaro, na R. de São Lázaro, n.º 72, em Lisboa, de 2 a 20 de outubro e de 29 de outubro a 6 de novembro de 2021 (5.ª feira a domingo, 12:00 – 18:00), (inicialmente de 2 a 31 de outubro).
“The Second” de Schore Mehrdju, integrou também a seleção EMERGENTES 2020, dos Encontros da Imagem 2021, esteve exposta em Adaúfe, Braga, no Mosteiro de Tibães, entre 17 de setembro e 31 de outubro de 2021.
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Schore Mehrdju é uma fotógrafa alemã-iraniana que se formou na Escola de Fotografia Ostkreuz. Os seus pais fugiram do Irão, onde ela nasceu, após a revolução islâmica. Ela cresceu na Alemanha, local que agora chama de lar. O seu trabalho inclui fotografias, documentos de arquivo e entrevistas, e explora histórias de vida profundamente pessoais. Schore vive e trabalha em Berlim.
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Younes Mohammad nasceu em 1968 em Dohuk, Iraque. É um fotógrafo autónomo curdo, cuja atividade se foca maioritariamente em trabalhos para jornais, revistas, etc.Passou parte da sua vida no Irão como refugiado, de 1974 a 1998, e formou-se com um MBA na Universidade de Teerão.
A fotografia era a sua paixão, mas ele não teve oportunidade de segui-la enquanto a situação de guerra ainda se mantinha, no tempo de Saddam. Em 2011 abandonou o emprego e iniciou a sua jornada como fotógrafo. O seu trabalho foi exibido internacionalmente e amplamente publicado em várias publicações
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Sobre a exposição, “The Family in Transition. A Família na atual sociedade”, escreve o curador, Rui Prata:
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A origem e definição da palavra família não é consensual. Na Wikipédia encontramos como significado, “um conjunto invisível de exigências funcionais que organiza a interação dos membros da mesma, considerando-a, igualmente, como um sistema que opera através de padrões transacionais”. Parece-nos ser uma significação bastante abrangente e satisfatória no quadro das mutações da família contemporânea, contrariamente à definição sugerida por Claude Lévi-Strauss. Aquele antropólogo francês sugere que “a família nasce a partir do momento em que haja casamento, passando, portanto, a haver cônjuges e filhos da união destes”. No nosso entender é um significado ultrapassado na medida em que o casamento, embora constitua um sacramento na maioria das culturas, e onde podemos incluir outros rituais de acasalamento, não representa mais a exclusividade da génese dos laços familiares. Com a evolução da sociedade atual, foram-se gerando novas configurações familiares. É verdade que as famílias monoparentais resultam maioritariamente da rutura de um casamento, mas também surgem da possibilidade da mulher gerar um filho de forma independente. Igualmente, a família arco-íris constituída por um casal homossexual e que possui, ou não, uma ou mais filhos a seu cargo, não passa necessariamente pelo casamento.
Existe o estereótipo da família feliz, que coabita em harmonia, mas também existe a família disfuncional, ou aquela onde, por razões diversas, se geram ódios. Situações de disfuncionalidade são inúmeras, mas não resistimos a recordar a mitologia grega na figura de Erígone, filha de Egisto e Clitemnestra. Reza a lenda que, após Agamémnon ter ido para Troia, Clitemnestra, sua esposa, se torna amante de Egisto. Quando Agamémnon regressa, Egisto e Clitemnestra assassinam-no e depois casam-se. Os filhos de Agamémnon e Clitemnestra, Electra e Orestes, decidem vingar o pai e recuperar o reino, o que os leva a assassinar Egisto e a própria mãe. Mas o horror vai mais longe, quando Orestes viola a meia-irmã, a bela Erígone, por quem acaba por se apaixonar.
Assim, acreditamos no facto que no seio familiar, seja ele qual for, o denominador comum assenta, efetivamente, numa estrutura funcional que gere a interação de cada um dos seus membros.
Estamos conscientes de existirem muitas outras possibilidades de mapeamento das relações amorosas e familiares. Contudo, acreditamos que se alcança matéria suficiente para discussão e reflexão em torno da temática eleita pelo festival.
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Sobre o Imago Lisboa Photo Festival, escreve a organização:
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A 3ª edição do festival IMAGO LISBOA evidencia o seu crescimento consolidado.
O festival organiza-se em torno de duas temáticas: The Family in Transition (integralmente apresentada nas Carpintarias de São Lázaro) e Rethinking Nature/Rethinking Landscape (disseminada em vários espaços), que constituem o mote para reflexão em torno de questões fundamentais da atual sociedade.
Na fusão de ambas as temáticas, apresentam-se três séries de Joakim Esklidsen, cuja obra é exposta pela primeira vez no nosso país e que poderá ser visitada no MNAC – Museu Nacional de Arte Contemporânea.
Também numa nova colaboração com o projeto Salut au Monde, apresenta-se na SNBA (Sociedade Nacional de Belas Artes) a exposição We are Family que bebe a influência da mítica exposição The Family of Man, no MoMA em 1955.
A presença portuguesa está a cargo de Pauliana Valente Pimentel cuja obra Ask the Kids, retrata uma franja de jovens portuenses.
Devido à situação pandémica não foi possível, em 2020, realizar o projeto de leitura de portfolios – Lisboa Meeting Point, onde, supostamente, se expunha a obra de Mikhail Bushkov, artista vencedor. Assim, o seu trabalho Zürich bem como da sua mulher Olga Bushkova apresentam-se na novel Galeria Imago Lisboa.
Marginalmente à programação oficial, devemos salientar a crescente colaboração de galerias e outros espaços expositivos que se associam ao evento.
Em paralelo às exposições estão programadas um conjunto de ações tendentes à motivação e participação de públicos diversos.
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Sobre esta edição dos Encontros da Imagem, escreve a Direção:
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Génesis 2:1, foi o tema escolhido para a 31ª edição dos Encontros da Imagem – Festival Internacional de Fotografia e Artes Visuais.2021, que este ano decorre entre 17 de setembro e 31 de outubro. Entre as muitas outras atividades, o Festival engloba 47 exposições distribuídas por 25 espaços distintos, envolvendo a participação de 64 fotógrafos.
“Génesis 2:1” dá continuidade ao tema do ano passado e, nunca um tema escolhido, se enquadrou tão bem no contexto da atualidade.
Um ano depois, voltamos também nós e todo o mundo – em resultado da crise pandémica provocada pelo Covid-19, de novo, a ter que passar por um confinamento generalizado.
Gerou-se a confusão e o caos. Uma incapacidade coletiva para compreender a desordem das coisas, confrontando a humanidade com desafios cada vez mais complexos e exigentes.
A sociedade contemporânea está desde há muito, perante enormes desafios de carácter global: desde as questões relacionadas com o planeta e os seus problemas ecológicos – perda da biodiversidade, alterações climáticas, aquecimento e contaminação – até às civilizações que o habitam, onde muitas delas geram novas desigualdades e indiferença moral – regimes políticos, religiosos, fronteiras, refugiados, racismo, questões de género e muitas outras.
Aquilo a que chamamos progresso, não só deixou de coincidir com a humanização do mundo, como pode acabar por ditar o seu fim. Urge encontrar soluções para acabar com as desigualdades e indiferença em relação ao sofrimento de milhões de pessoas.
Uma interrogação se pode colocar: que futuro nos espera? A crise em que vivemos constitui uma oportunidade para que todos encontremos causas comuns e discutamos as melhores soluções para o que deva ser feito.
Assim, e também com o objetivo de alerta, muitas das exposições agora apresentadas no âmbito dos Encontros da Imagem, para além do seu lado estético, abordam algumas das questões pertinentes que o mundo contemporâneo hoje vive.
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Sobre o Imago Lisboa Photo Festival no FF (a Agenda e outras exposições), aqui e no site do Imago, aqui.
Sobre os Encontros da Imagem no FF, aqui.
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Cortesia: Imago Lisboa Photo Festival e Encontros da Imagem.
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