CHARLOTTA MARÍA HAUKSDÓTTIR, A MATTER OF SOME MOMENTS

Esta série integra a exposição “The Family in Transition”, do Imago Lisboa Photo Festival patente nas Carpintarias de São Lázaro, em Lisboa, de 2 a 20.10 e de 29.10 a 06.11.2021.

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Charlotta María Hauksdóttir, A Matter of Some Moments

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A sensação de lar tem a ver com memórias, intimidade e o apego que se tem a certos lugares. Na série, fotografo famílias nos seus lares. Várias fotografias, tiradas ao longo do tempo, sobrepõem-se e esbatem-se entre si. Na imagem final, o espaço permanece basicamente o mesmo, porém as ações e interações das famílias são captadas em diferentes posições, cada uma apresentando uma aparência efémera e fantasmagórica. Ao destacar a temporalidade do ser, as fotos tornam-se um testamento para os acontecimentos, aparentemente mundanos que muitas vezes, incluem memórias significativas. Como afirma Gaston Bachelard, no seu livro The Poetics of Space, “a casa tem unidade e complexidade, é feita de memórias e experiências, as suas diferentes partes despertam diferentes sensações e, ainda assim, é construída uma experiência de vida íntima e unitária.” Ao evocar sentimentos de nostalgia e perda, a cristalização das imagens, suspende brevemente o tempo, criando assim espaço para a reflexão sobre as próprias experiências e sobre as paisagens familiares das nossas memórias e lugares.

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António Bracons, Aspetos da exposição, 2021

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A série “A Matter of Some Moments”, de Charlotta María Hauksdóttir, integra a exposição “The Family in Transition”, com curadoria de Rui Prata, promovida pelo Imago Lisboa Photo Festival, patente nas Carpintarias de São Lázaro, na R. de São Lázaro, n.º 72, em Lisboa, de 2 a 20 de outubro e de 29 de outubro a 6 de novembro de 2021 (5.ª feira a domingo, 12:00 – 18:00), (inicialmente de 2 a 31 de outubro).

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Charlotta María Hauksdóttir é uma artista islandesa radicada na Califórnia, que trabalha principalmente com fotografia. Reside nos EUA há mais de 18 anos, mas ainda se inspira no seu país natal, a Islândia.

O seu trabalho gira em torno da conexão singular que cada um cria com lugares e momentos no tempo, e com a forma como as memórias incorporam e elevam essas conexões.

Charlotta formou-se no Instituto de Arte de São Francisco com um Mestrado de Belas Artes em Fotografia, em 2004, e formou-se também em Fotografia pelo Instituto Europeu de Design em Roma, Itália, em 1997.O seu trabalho já foi exibido em todo o mundo, com exposições individuais nos EUA, Rússia e Islândia, mais recentemente no Museu de Fotografia de Reykjavik. As suas fotografias premiadas foram publicadas em várias revistas e livros e o seu trabalho faz parte de inúmeras coleções públicas e privadas em todo o mundo.

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Sobre a exposição, “The Family in Transition. A Família na atual sociedade”, escreve o curador, Rui Prata:

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A origem e definição da palavra família não é consensual. Na Wikipédia encontramos como significado, “um conjunto invisível de exigências funcionais que organiza a interação dos membros da mesma, considerando-a, igualmente, como um sistema que opera através de padrões transacionais”. Parece-nos ser uma significação bastante abrangente e satisfatória no quadro das mutações da família contemporânea, contrariamente à definição sugerida por Claude Lévi-Strauss. Aquele antropólogo francês sugere que “a família nasce a partir do momento em que haja casamento, passando, portanto, a haver cônjuges e filhos da união destes”. No nosso entender é um significado ultrapassado na medida em que o casamento, embora constitua um sacramento na maioria das culturas, e onde podemos incluir outros rituais de acasalamento, não representa mais a exclusividade da génese dos laços familiares. Com a evolução da sociedade atual, foram-se gerando novas configurações familiares. É verdade que as famílias monoparentais resultam maioritariamente da rutura de um casamento, mas também surgem da possibilidade da mulher gerar um filho de forma independente. Igualmente, a família arco-íris constituída por um casal homossexual e que possui, ou não, uma ou mais filhos a seu cargo, não passa necessariamente pelo casamento.

Existe o estereótipo da família feliz, que coabita em harmonia, mas também existe a família disfuncional, ou aquela onde, por razões diversas, se geram ódios. Situações de disfuncionalidade são inúmeras, mas não resistimos a recordar a mitologia grega na figura de Erígone, filha de Egisto e Clitemnestra. Reza a lenda que, após Agamémnon ter ido para Troia, Clitemnestra, sua esposa, se torna amante de Egisto. Quando Agamémnon regressa, Egisto e Clitemnestra assassinam-no e depois casam-se. Os filhos de Agamémnon e Clitemnestra, Electra e Orestes, decidem vingar o pai e recuperar o reino, o que os leva a assassinar Egisto e a própria mãe. Mas o horror vai mais longe, quando Orestes viola a meia-irmã, a bela Erígone, por quem acaba por se apaixonar.

Assim, acreditamos no facto que no seio familiar, seja ele qual for, o denominador comum assenta, efetivamente, numa estrutura funcional que gere a interação de cada um dos seus membros.

Estamos conscientes de existirem muitas outras possibilidades de mapeamento das relações amorosas e familiares. Contudo, acreditamos que se alcança matéria suficiente para discussão e reflexão em torno da temática eleita pelo festival.

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Sobre o Imago Lisboa Photo Festival, escreve a organização:

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A 3ª edição do festival IMAGO LISBOA evidencia o seu crescimento consolidado.

O festival organiza-se em torno de duas temáticas: The Family in Transition (integralmente apresentada nas Carpintarias de São Lázaro) e Rethinking Nature/Rethinking Landscape (disseminada em vários espaços), que constituem o mote para reflexão em torno de questões fundamentais da atual sociedade.

Na fusão de ambas as temáticas, apresentam-se três séries de Joakim Esklidsen, cuja obra é exposta pela primeira vez no nosso país e que poderá ser visitada no MNAC – Museu Nacional de Arte Contemporânea.

Também numa nova colaboração com o projeto Salut au Monde, apresenta-se na SNBA (Sociedade Nacional de Belas Artes) a exposição We are Family que bebe a influência da mítica exposição The Family of Man, no MoMA em 1955.

A presença portuguesa está a cargo de Pauliana Valente Pimentel cuja obra Ask the Kids, retrata uma franja de jovens portuenses.

Devido à situação pandémica não foi possível, em 2020, realizar o projeto de leitura de portfolios – Lisboa Meeting Point, onde, supostamente, se expunha a obra de Mikhail Bushkov, artista vencedor. Assim, o seu trabalho Zürich bem como da sua mulher Olga Bushkova apresentam-se na novel Galeria Imago Lisboa.

Marginalmente à programação oficial, devemos salientar a crescente colaboração de galerias e outros espaços expositivos que se associam ao evento.

Em paralelo às exposições estão programadas um conjunto de ações tendentes à motivação e participação de públicos diversos.

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Sobre o Imago Lisboa Photo Festival no FF (a Agenda e outras exposições), aqui e no site do Imago, aqui.

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Cortesia: Imago Lisboa Photo Festival.

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