ALLA DOLGALEVA, ECHO OF MY CHILDHOOD (2014-2020)

Esta série integra a exposição “The Family in Transition”, do Imago Lisboa Photo Festival patente nas Carpintarias de São Lázaro, em Lisboa, de 2 a 20.10 e de 29.10 a 06.11.2021.

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Alla Dolgaleva, Echo of My Childhood (2014-2020)

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A vila cossaca de Bagovskaya, localizada nos sopés do Norte do Cáucaso, na Rússia, é o lugar onde a minha mãe nasceu e onde os seus antepassados viviam: a sua mãe e pai, as suas irmãs e irmãos, e avós. Quando eu era criança, íamos frequentemente a Bagovskaya, quando alguns dos nossos parentes ainda estavam vivos. Após eles morrerem, deixámos de ter razão para regressar, e por muito tempo eu não visitei aquela aldeia. Mas em 2014, quando a minha avó fez 100 anos, visitámos o cemitério de Bagovskaya. A minha mãe encontrou e reconheceu os seus vizinhos, e fomos a sua casa. Fiquei espantada com o quanto a casa deles se parecia com a da minha avó, embora muitos anos se tivessem passado.

Reconheci a cor das paredes das casas, até mesmo os móveis, que, como muitas vezes acontece com os idosos, são comuns e são mantidos para todo o sempre. Eles costumavam viver assim — com algum tipo de cómoda ou um baú, ou uma cama de ferro com “ornamentos” — este tipo de mobiliário comum lembrava a minha infância ou, mais precisamente, lembrava as viagens “da cidade para a aldeia”, para a casa da minha avó, longe das preocupações e da agitada vida da cidade.

Todos os verões volto à aldeia para fotografar.

As fotografias retratam pessoas que eu não conheço. Mas tudo que os rodeia (paisagens montanhosas, o rio) e as coisas que fazem parte da vida deles (artigos da casa, utensílios, decorações de casa) são me muito familiares.… é como se ouvisse um eco da minha infância. Faz-me sentir uma ligeira nostalgia e melancolia de um tempo irrevogável, saudosista pela casa onde somente, crianças e velhos, viviam.

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António Bracons, Aspetos da exposição, 2021

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A série Echo of My Childhood (2014-2020), de Alla Dolgaleva, integra a exposição “The Family in Transition”, com curadoria de Rui Prata, promovida pelo Imago Lisboa Photo Festival, patente nas Carpintarias de São Lázaro, na R. de São Lázaro, n.º 72, em Lisboa, de 2 a 20 de outubro e de 29 de outubro a 6 de novembro de 2021 (5.ª feira a domingo, 12:00 – 18:00), (inicialmente de 2 a 31 de outubro).

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Alla Dolgaleva nasceu em 1968 em Armavir, região de Krasnodar, Rússia.Formou-se na Universidade Estatal de Rostov-on-Don, no Departamento de Literatura Russa, e na Escola de Fotografia do Instituto Cinematográfico All-Russian State Institute of Cinematography, em Moscovo.Vive e trabalha em Moscovo.

Membro do Sindicato dos Artistas de Moscovo.

Participou de exposições coletivas na Holanda, Sérvia e de várias exposições coletivas na Rússia, incluindo exposições na Galeria Estatal Tretyakov, Moscovo; Museu Estatal Russo, São Petersburgo; Museu de Arte Moderna de Moscovo; Casa Central dos Artistas, Moscovo.As suas obras fazem parte da coleção do Museu Estatal Russo, em São Petersburgo, e de coleções privadas no Canadá, Alemanha, Japão, Rússia e Suíça.

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Sobre a exposição, “The Family in Transition. A Família na atual sociedade”, escreve o curador, Rui Prata:

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A origem e definição da palavra família não é consensual. Na Wikipédia encontramos como significado, “um conjunto invisível de exigências funcionais que organiza a interação dos membros da mesma, considerando-a, igualmente, como um sistema que opera através de padrões transacionais”. Parece-nos ser uma significação bastante abrangente e satisfatória no quadro das mutações da família contemporânea, contrariamente à definição sugerida por Claude Lévi-Strauss. Aquele antropólogo francês sugere que “a família nasce a partir do momento em que haja casamento, passando, portanto, a haver cônjuges e filhos da união destes”. No nosso entender é um significado ultrapassado na medida em que o casamento, embora constitua um sacramento na maioria das culturas, e onde podemos incluir outros rituais de acasalamento, não representa mais a exclusividade da génese dos laços familiares. Com a evolução da sociedade atual, foram-se gerando novas configurações familiares. É verdade que as famílias monoparentais resultam maioritariamente da rutura de um casamento, mas também surgem da possibilidade da mulher gerar um filho de forma independente. Igualmente, a família arco-íris constituída por um casal homossexual e que possui, ou não, uma ou mais filhos a seu cargo, não passa necessariamente pelo casamento.

Existe o estereótipo da família feliz, que coabita em harmonia, mas também existe a família disfuncional, ou aquela onde, por razões diversas, se geram ódios. Situações de disfuncionalidade são inúmeras, mas não resistimos a recordar a mitologia grega na figura de Erígone, filha de Egisto e Clitemnestra. Reza a lenda que, após Agamémnon ter ido para Troia, Clitemnestra, sua esposa, se torna amante de Egisto. Quando Agamémnon regressa, Egisto e Clitemnestra assassinam-no e depois casam-se. Os filhos de Agamémnon e Clitemnestra, Electra e Orestes, decidem vingar o pai e recuperar o reino, o que os leva a assassinar Egisto e a própria mãe. Mas o horror vai mais longe, quando Orestes viola a meia-irmã, a bela Erígone, por quem acaba por se apaixonar.

Assim, acreditamos no facto que no seio familiar, seja ele qual for, o denominador comum assenta, efetivamente, numa estrutura funcional que gere a interação de cada um dos seus membros.

Estamos conscientes de existirem muitas outras possibilidades de mapeamento das relações amorosas e familiares. Contudo, acreditamos que se alcança matéria suficiente para discussão e reflexão em torno da temática eleita pelo festival.

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Sobre o Imago Lisboa Photo Festival, escreve a organização:

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A 3ª edição do festival IMAGO LISBOA evidencia o seu crescimento consolidado.

O festival organiza-se em torno de duas temáticas: The Family in Transition (integralmente apresentada nas Carpintarias de São Lázaro) e Rethinking Nature/Rethinking Landscape (disseminada em vários espaços), que constituem o mote para reflexão em torno de questões fundamentais da atual sociedade.

Na fusão de ambas as temáticas, apresentam-se três séries de Joakim Esklidsen, cuja obra é exposta pela primeira vez no nosso país e que poderá ser visitada no MNAC – Museu Nacional de Arte Contemporânea.

Também numa nova colaboração com o projeto Salut au Monde, apresenta-se na SNBA (Sociedade Nacional de Belas Artes) a exposição We are Family que bebe a influência da mítica exposição The Family of Man, no MoMA em 1955.

A presença portuguesa está a cargo de Pauliana Valente Pimentel cuja obra Ask the Kids, retrata uma franja de jovens portuenses.

Devido à situação pandémica não foi possível, em 2020, realizar o projeto de leitura de portfolios – Lisboa Meeting Point, onde, supostamente, se expunha a obra de Mikhail Bushkov, artista vencedor. Assim, o seu trabalho Zürich bem como da sua mulher Olga Bushkova apresentam-se na novel Galeria Imago Lisboa.

Marginalmente à programação oficial, devemos salientar a crescente colaboração de galerias e outros espaços expositivos que se associam ao evento.

Em paralelo às exposições estão programadas um conjunto de ações tendentes à motivação e participação de públicos diversos.

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Sobre o Imago Lisboa Photo Festival no FF (a Agenda e outras exposições), aqui e no site do Imago, aqui.

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Cortesia: Imago Lisboa Photo Festival.

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