JOSÉ MORUJÃO, SO.LE.DA.DE, 2021

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José Morujão

SO.LE.DA.DE

Fotografia: José Morujão / Texto: Isabel Morujão, José Morujão / Edição: Arlindo Pinto

Lisboa: Planeta dos Catos / Abril . 2021

Português / 15,4 x 21,6 cm / 80 pp

Cartonado / 75 ex.

ISBN: 9789893315811 

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[…] por que palavras dizer

que nosso era um coração solitário […]

Ruy Belo, «A flor da solidão»

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José Morujão através deste pequeno livro, intimista e pessoal, presta homenagem a Soledade Tjaden, “Amiga de convicções fortes, mulher das artes e amante da natureza.” Por isso, excetuando duas imagens, “um retrato e um snapshot numa viagem para Lagos, todas as fotografias foram registadas no lugar onde a Soledade e o seu marido Willem viviam”.

As fotografias de floresta e de árvores, de cores suaves, diáfanas, múltipla exposição, criam um percurso sentimental, íntimo, emotivo.

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Isabel Morujão, da Universidade do Porto/CITCEM, escreve o prefácio da obra:

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Imagens de lugares que o autor percorreu repetidamente ao longo de vários meses, este livro de fotografias de José Morujão constitui um caminho pela paisagem do interior da alma. Centrando o olhar sobre as árvores (uma afiação que lhe vem de longa data), o autor reforça a unidade do objeto, fixando-o sempre em Lagos, que é, neste livro, ponte para outras viagens, em que o cenário ponteado pela figueira, amendoeira ou oliveira se torna metáfora de solidão, So.le.da.de.

Pode o sentimento ser fotografado? A resposta dá-la-á o leitor, após a perceção demorada das trinta e quatro fotografias que se sucedem neste livro, numa composição baseada em recortes de árvores sobre o plano de fundo de um céu que vai sombreando a tonalidade azul, em construção narrativa.

Reunir fotografias é (re)ordenar o mundo e dá-lo a ver em declinações subjetivas do olhar. Uma vez captada a paisagem que se imobilizou e desgarrou do fluxo do tempo, o fotógrafo revisita lugares de memória, imortalizando momentos e espaços que se percorrem então pelo lado de dentro da existência. E ao avesso da paisagem que este livro nos convida a viajar.

A linguagem fotográfica desta obra dá lugar a um registo de contrastes fortes de sombra e luz, de cor e do seu esbatimento, numa geografia um tanto dramática, em que algumas árvores se destacam do seu conjunto, em doses perturbadores, que conduzem o olhar para texturas densas, enrugadas, nodosas, sobrepostas, que exibem cortes, escorrências, cicatrizes.

Há nestas fotografias uma estética do fragmento, que se anuncia logo desde o título do livro, onde a palavra nos surge fracionada em sílabas. Na composição da imagem, observa-se ainda um procedimento quase fractal, pelo qual se dá corpo a desdobramentos múltiplos de formas que repetem um padrão de ramificações quase labirínticas e produzem efeitos fantasmáticos, quase mágicos, sobre a paisagem. Também a pixelização intencional esbate formas e amplia sombras, criando efeitos de angústia e de tensão.

Em algumas fotografias deste livro, a mancha larga de cor azul ou verde é preenchida por linhas minúsculas, quase filigrana de nervuras, galhos quebrados, fragilidades orgânicas que se expõem ao olhar do leitor como grafia do mundo, como sinais à espera de interpretação. Cinco das trinta e quatro fotografias deste livro aparecem ladeadas por um título que lhes retira a possibilidade de uma leitura referencial. Títulos quase versos, que atiram as imagens para um plano de significação que é necessário perscrutar, demorando o olhar e insistindo na decifração. Porque a fotografia também pode ser poema.

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José Morujão, SO.LE.DA.DE, 2021

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José Morujão nasceu em 1957 em Santa Maria da Feira, em 1985 radicou-se em Setúbal.

Iniciou a atividade profissional como professor em novembro de 1979. Além de professor de Educação Física, foi Professor Bibliotecário durante 7 anos.

Exposições Individuais:

.    1991 – Série “Blitzkrieg”, “Casa de Bocage”, Galeria Municipal de Artes Visuais, Setúbal.

.    2013 – Série “Short Stories”, “Casa d’Avenida”, Setúbal.

.    2017 – Série “The Real Thing I”, Fábrica Braço de Prata, Lisboa.

.    2018 – Série “The Real Thing II”, Fábrica Braço de Prata, Lisboa.

Exposições Coletivas:

.    1991 – Electrografias, “Casa de Bocage”, Setúbal, Série “Blitzkrieg”, II Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira

.    1993 – Série “Narciso ou A Estratégia do Vazio”, III Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira

.    1995 – Série “Ritual das Sombras”, 1º Conc. Nac. Fotóg. Amad., EXPOVISÃO 95, IV Bienal de Fotografia Vila Franca de Xira, II Bienal de Fotografia da Moita

.    1997 – Primavera Fotográfica (Faro/Loulé), Série “O Espantalho”, V Bienal de Fotografia Vila Franca de Xira

.    2008 – Série “Céu em fogo”, X Bienal de Fotografia Vila Franca de Xira

Foto livros:

.    2018 – Polis, Pipa Books (vários autores)

Prémios:

.    1995- 1º Prémio II Bienal de Fotografia da Moita

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Pode conhecer mais sobre José Morujão aqui.

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