CATARINA OSÓRIO DE CASTRO, DEVAGAR, 2020

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Catarina Osório de Castro

Devagar

Fotografia: Catarina Osório de Castro / Textos, edição e layout: Catarina Osório de Castro, Bruno Pelletier Sequeira / Design Gráfico: Joana Durães / Tradução: Miguel Rodrigues

Lisboa: Atelier de Lisboa / Outubro . 2020

Português e inglês / 21,7 x 29,5 cm / 72 pp, não numeradas

Brochura com sobrecapa em tela, impressa a 4 cores / Textos em folha 18,5 x 23,5 cm, 4 pág., inserida no interior / 300 ex. / Ed. especial de 21 ex., em caixa-moldura de madeira com livro e fotografia em impressão C-Type, 3 fotografias diferentes em edição de 7 exemplares numerados

ISBN: 9789893306321

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É devagar que se olha e se vê.

Devagar é o tempo de fotografar.

É devagar que se sente cada momento.

É devagar que se saboreia a vida.

É devagar que as árvores crescem.

O mar vem e as vagas estendem-se contra as rochas e o areal da praia,

A espuma do mar, a espuma dos dias,

Com o tempo da eternidade.

Devagar.

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Catarina Osório de Castro partilha sobre a série:

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Olha calmamente para as coisas e descobre como se forma a espuma no mar, com que rapidez se transforma outra vez em água, como reflete a luz do sol… de que cor é? Amanhã encontra outro mar, como se forma a espuma nesse mar?

Sopra um vento de dia de tempestade e lembra-me o mar que naveguei outrora com o meu pai. Uma luz de outono e os barcos balanceando nas ondas brilhantes,.

Pára esse momento e torna-o eternidade.

Na continuidade dos dias, observo atentamente o agora, os pequenos gestos das coisas, o sol como toca essas coisas, o desenho das formas, das sombras. A pele e a textura do corpo, da pedra, da madeira, da água, contam uma história, da passagem lenta do tempo num ciclo que amanhã se repete, mas nunca igual. Pessoas íntimas e paisagens pessoais parecem tornar-se eternas, como se o tempo fosse outro.

O tempo é o que nós quisermos que as coisas sejam.

Observa como as formas se repetem na natureza e como o homem as revê no seu corpo, nas coisas que cria e como nos transformamos constantemente, no fundo somos todos o mesmo.

Coleciono coisas próximas, momentos íntimos, aproprio-me do que não é meu e é para mim especial, com esses fragmentos construo uma realidade, minha.

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Bruno Pelletier Sequeira, fundador e diretor do Atelier de Lisboa, editor, escreve:

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A SUSPENSÃO DO TEMPO

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Na série Devagar, Catarina Osório de Castro apresenta um conjunto de imagens fotográficas a cores, de formato quadrado e dimensões variáveis, que revelam um processo de investigação visual no qual a artista desmonta o espaço físico, público e privado nos seus elementos primordiais e nos seus detalhes significativos.

As formas geométricas elementares aparecem regularmente como que num esforço de organizar o espaço e de lhe conferir significado. Pressentimos em cade fotografia a suspensão do tempo e o movimento determinado de aproximação ao assunto, com o objectivo de capturar a sua essência.

A luz solar contrastante e as sombras profundas participam também nesse processo de simplificação de formas. Elementos tridimensionais restringem-se aos seus correspondentes bidimensionais: um maciço rochoso numa praia e um monumento funerário piramidal são convertidos em triângulos.

Os elementos vegetais também surgem recorrentemente. À possibilidade de observação de uma árvore inteira, a artista contrapõe imagens que resultam de um duplo processo de observação cirúrgico. Troncos de árvore seccionados revelam as suas formas elementares e permitem uma observação do seu interior, como que procurar a sua intimidade ao mesmo tempo que mostram, nos seus anéis, o tempo longo do seu crescimento.

A oscilação entre espaço público e privado é diminuída pela construção de uma intimidade nos lugares públicos. O gesto de aproximação aos assuntos e a observação demorada e meticulosa e o método preferido pela artista pera a elaboração das suas fotografias.

Também ao nível das formas assistimos a uma oscilação entre polos. A presença recorrente da água, em diversos contextos e com diferentes plasticidades, introduz uma dimensão de fluidez e acentua e dimensão melancólica e poética do trabalho. Um édredon que escorre para o chão, o cabelo de uma amiga ou a superfície ondulante de uma mesa de pedra.

No seu conjunto, esta série de imagens convoca o observador a participar na surpresa que Catarina Osório de Castro experiência perante o mundo que a rodeia e no encantamento que motiva a construção deste diário visual.

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Este fotolivro, o primeiro de Catarina Osório de Castro e o primeiro editado pelo Atelier de Lisboa, denota um cuidado especial, uma depuração do olhar e da sua conceção. O livro é exclusivamente fotografia. O texto insere-se numa pequena folha, dobrada, em português e inglês. A capa é azul escura, sobrepõe-se uma tela impressa, com a fotografia de um tronco cortado. Devagar… os anéis do tronco dão a idade do pinheiro. Devagar se cresce e se constrói com solidez. A capa é apenas imagem. Na contracapa identifica-se o título, a autora e o editor.

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Catarina Osório de Castro, Devagar, 2020

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Catarina Osório de Castro, Devagar – edição especial, 2020

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“Devagar”, de Catarina Osório de Castro, esteve em exposição no Módulo – Centro Difusor de Arte, em Lisboa, de 21 de outubro a 19 de novembro de 2016. Pode ver no Fascínio da Fotografia, aqui.

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Pode conhecer melhor a obra de Catarina Osório de Castro no FF, aqui e no site da autora, aqui.

Pode adquirir o livro no Atelier de Lisboa, na Rua João Saraiva, 28A-2º, Alvalade, em Lisboa, ou on-line, aqui.

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