PAULO NOZOLINO, PEDRO FRADIQUE, RITA CARMO E OUTROS, VELVETNIRVANA

Exposição no Pavilhão Branco do Museu de Lisboa, ao Campo Grande, de 18 de julho a 27 de setembro de 2020.

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Esta exposição, reúne um vasto espólio ligado aos Velvet Underground, aos Nirvana e aos amigos, mostra cartazes, flyers, bilhetes, discos, fotografias. Grandes fotógrafos estão presentes, a que não faltam 3 portugueses: Paulo Nozolino, com Brixton, London, 1979, um políptico de cinco polaroids, ampliadas numa versão de 2020, que se apresenta pela primeira vez; Pedro Fradique, com fotografias do concerto dos Sonic Youth no Campo Pequeno em 1993 e Rita Carmo do concerto dos Nirvana em Cascais, em 1994.

Os autores presentes, sobretudo fotógrafos, mas também de outras áreas, são: Aes-Nihil, Alex Chilton, Andy Warhol, Billy Name, Bob Driscoll, Bob Gruen, Chris Stein, Christopher Makos, David Byrne, David Dalton, David Lang, Dustin Pittman, Eric Engstrom, Gary Panter, Genesis P-Orridge, George DuBose, Gerard Malanga, Glenn Branca, James Stark, James Welling, Jamie Reid, Jim Franklin, John Cale, John Holmstrom, John Rowlands, John Van Hamersveld, Jonathan Richman, Joseph Kosuth, Kavanagh, Kevin Cummins, Lawrence Weiner, Lee Black Childers, Lisa Law, Lou Reed, Lydia Lunch, Mark Weiss, Michael Zagaris, Mick Rock, Nat Finkelstein, Patti Smith, Paul Kagan, Paul Morrisey, Paulo Nozolino, Pedro Fradique, Peter Saville, Raymond Pettibon, Richard Kern, Rita Carmo, Roberta Bayley, Shawn Kerri, Stephen Shore, Steve Nelson, Sue Rynski, Todd Smith, Vivienne Westwood, Malcolm McLaren, William S. Burroughs.

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Miguel von Hafe Pérez, curador, explica:

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Num arco cronológico que se estende de 1965 (ano das primeiras aparições públicas dos Velvet Underground) a 1994 (morte de Kurt Cobain dos Nirvana), velvetnirvana é uma exposição que explora o universo iconográfico dessas décadas a partir da coleção de António Neto Alves.

Fotografias, livros, cartazes, fanzines, flyers, revistas e memorabilia diversa compõem um intrincado universo iconográfico que define a importância vital da palavra e da imagem enquanto construtores de sentido, de impulsionadores de ruturas na forma de comunicar. Articulada em quatro grandes núcleos (Velvet Underground; Nova Iorque experimental; Incandescência punk e Pós?), a exposição sublinha um continuado e polimórfico trânsito entre a cultura musical e as artes visuais, a experiência institucional e a radicalidade de novos modos de produção e distribuição. Se locais como o CBGB’s e o Max’s Kansas City em Nova Iorque dos setenta se viriam a consolidar como catedrais da efervescência juvenil da época, não podemos esquecer que muitas das iniciativas de vanguarda aconteciam em lofts de artistas, na Factory de Andy Warhol ou em galerias de arte. A colaboração entre designers gráficos e bandas estreitava-se e muitos são os protagonistas destas gerações de músicos que tinham formação universitária na Belas Artes.

Se hoje olhamos à nossa volta e percebemos a permanência de muita da iconografia associada a este universo – da banana de Warhol para o primeiro disco dos Velvet Underground & Nico, às t-shirts com os Ramones ou a reprodução das paradigmáticas criações de Peter Saville para os Joy Division ou New Order -, importa refletir sobre a sua radicalidade epocal.

A consciente e prevalecente estética D.I.Y. (do it yourself) que atravessa grande parte das bandas presentes nesta exposição não nos deve enganar: a qualidade musical, a pertinência poética e a estruturada reação a meios sociais conservadores e tendencialmente castradores de uma criatividade disruptiva, marcaram definitivamente a paisagem cultural deste período. É, aliás, no explosivo encontro entre Lou Reed e John Cale que muito simbolicamente se consubstanciam duas vertentes deste mundo complexo: um poético, inspirado na rua e nas suas histórias, outro mais cerebral e erudito. Mas sempre com um desejo profundo de acrescentar composições e narrativas que conseguissem quebrar as barreiras da convencionalidade e comunicar com um público que ainda hoje capta as ondas remotas de terramotos com mais ou menos réplicas que representam as contribuições de personagens e grupos como Iggy Pop, Patti Smith, os Television, os Suicide, Glenn Branca, Lydia Lunch, os Joy Division, os Sonic Youth e os Nirvana, entre tantos outros.

velvetnirvana não se vai debruçar sobre a realidade nacional, pois tal não é o ponto fulcral da coleção. No entanto, apresenta-se uma obra inédita de Paulo Nozolino: Brixton, London, 1979, um políptico de cinco polaroids aqui ampliado numa versão de 2020, que retrata com desarmante crueza o contexto de uma vivência particular da cidade nessa época. Assinalam-se, ainda, dois momentos definidores da receção dos noventa do século passado em Portugal com imagens de Pedro Fradique do concerto dos Sonic Youth no Campo Pequeno em 1993 e fotografias da Rita Carmo do concerto dos Nirvana em Cascais em 1994.

Da efemeridade de papéis que nem sequer tinham sido pensados para perdurar no tempo a obras de arte no sentido mais convencional do termo (de James Welling a Raymond Pettibon), velvetnirvana propõe uma cartografia indexical que permite rever, reformular e criar novas histórias e narrativas sobre aquilo que de uma forma mais evidente ou lateral nos define contemporaneamente.”

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António Bracons, Aspetos da exposição, 2020
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Rita Carmo, Concerto dos Nirvana, Cascais, 1994

Pedro Fradique, Concerto dos Sonic Youth, Lisboa, Campo Pequeno, 1993

Paulo Nozolino, Brixton, London, 1979, 2020

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A exposição “velvetnirvana”, da coleção de António Neto, com curadoria de Miguel von Hafe Pérez está patente no Pavilhão Branco do Museu de Lisboa, palácio Pimenta, ao Campo Grande, de 18 de julho a 27 de setembro de 2020.

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