DUARTE BELO, MAGNA TERRA. MIGUEL TORGA E OUTROS LUGARES, 2018

25 anos da morte de Miguel Torga (S. Martinho de Anta, 12 de agosto de 1907 — Coimbra, 17 de janeiro de 1995)

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Duarte Belo

Magna Terra. Miguel Torga e outros lugares

Fotografia e texto: Duarte Belo

Lisboa: Documenta Editora / Janeiro . 2018

Português / 14,4 x 20,2 cm / 96 págs.

Brochura

ISBN: 9789898902023

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Duarte Belo é o fotógrafo que de forma mais sistemática e obsessiva regista a paisagem de Portugal, humana e, sobretudo, física.

Este “pequeno” livro leva-nos a Trás-os-Montes, a S. Martinho de Anta, terra onde nasceu Adolfo Correia da Rocha, o médico que adotaria o pseudónimo de Miguel Torga (e viria a ultrapassar o seu nome), autor de uma obra profundamente humana e tão conhecedora de um país que era o seu. Miguel, de Unamuno e de Cervantes, Torga, de uma erva rasteira que cresce nas penedias transmontanas, resistindo ao frio e ao vento.

Duarte Belo fotografa a aldeia, “a estrada”, “a casa” de família de Torga, que hoje integra o Espaço Miguel Torga, onde esteve este projeto em exposição, “os penedos”. Diferentes vivências do homem, o médico e o escritor, Torga, diferentes partes neste livro, que o fotógrafo destaca com um texto seu de partilha de vivência e sentimentos.

Duarte Belo leva-nos a entrar neste “mundo maravilhoso”, hoje já um pouco diferente do tempo em que Torga viveu.

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Escreve o autor:

Ainda que sobre estas terras caia o esquecimento, de uma humanidade que esconde o seu medo da natureza na profundeza frágil das cidades, um dia talvez tenhamos que regressar a estes territórios. […]

Torga foi um dos mais singulares intérpretes de um tempo que passou, de uma comunidade, quase um país inteiro, que tinha raízes e garras presas a uma antiguidade remota, de feição animal, faminta, de uma sobrevivência em luta tenaz contra a pobreza na mais absoluta falta de liberdade. Torga fala-nos deste passado, mas também da permanência, da dureza das matérias do quotidiano, da suavidade amarga da memória de homens e mulheres. Dignidade e resistência. Esta é a magna terra que nos acolhe, Miguel Torga, escritor de um século. Agora, caminhamos sobre uma ausência deixada na terra. […]

Acordámos numa leitura do universo geográfico, próximo, de Miguel Torga: São Martinho de Anta e os territórios envolventes. São as paisagens do santuário de Nossa Senhora da Azinheira até ao Douro, de Sabrosa à Serra do Alvão. Há outros lugares que foram muito marcantes na vivência de Torga, particularmente Coimbra. A opção de ficarmos pela região onde nasceu, prende-se com o significado que a mesma assume na génese e no carácter de toda a sua obra literária. Há uma marca nestas terras transmontanas que permanece, há aqui um vinco telúrico de que Torga foi um exímio descodificador e singular voz. As suas palavras refletem paisagens que nenhuma fotografia pode revelar. Não deixámos, no entanto, de ensaiar uma viagem imaginária. Praticamente todas as fotografias foram feitas em 2017, especificamente para esta edição e exposição; há duas exceções, as fotografias do Santuário Rupestre de Panóias, de 2015, e as últimas fotografias, a preto e branco, retiradas de um arquivo que, há mais de 30 anos, constrói aproximações à representação do espaço português.”

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Duarte Belo, Magna Terra. Miguel Torga e outros lugares, 2018

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Este livro foi publicado por ocasião da exposição «Magna Terra: Miguel Torga e outros lugares», de Duarte Belo, realizada no Espaço Miguel Torga, em São Martinho de Anta, Sabrosa, de 17 de Janeiro a 31 de Março de 2018.

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Sobre “Coimbra vista por Miguel Torga”, em fotografias de varela Pècurto, no Fascínio da Fotografia, aqui.

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