ARMANDO CASTRO, TRANSCRIPTIONS [PART 2]
Exposição no Edifício Central do Município de Lisboa, no Campo Grande, 25, de 22 de outubro a 11 de novembro de 2019.
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Armando Castro, Transcriptions [Part 2]
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A persistência do olhar de Armando Castro sobre a natureza revela-nos, nesta segunda parte do seu trabalho, a marca, o signo, a fissura, a linha, a fisicalidade da escrita na pedra que, de algum modo, legitima uma necessidade ancestral de comunicação. Aqui, não da escrita humana sobre a pedra, mas da “escrita” do olhar que a pedra e a terra têm para nos dizer.
Signos deixados ao acaso e à indeterminação que viajaram no tempo mas, uma vez enquadrados, tendem a significar e a insinuar-se no imaginário de quem os vê. Mais uma vez nesta série de fotografias o sentido do autor não é dirigir mas, ao circunscrever territórios, criar instâncias de significação, propiciar condições alargadas de sinestesia, ser facilitador de uma reflexão pessoal a partir da experiência do espaço e da dimensão do real, acalentar a ideia de que o traço, o signo, pode ser sinónimo de transformação.
A terra, o mais material de todos os quatro elementos, é o mais permanente. O “descer à terra” tem o sentido das coisas práticas, do traçar planos, da persistência, da intensidade mas, ao mesmo tempo, a terra é também mãe e matriz geradora de vida, implicando por isso um parto, um dar de si para o exterior, um movimento permanente de nascimento na sua aparente imobilidade.
As dinâmicas entre movimento e imobilidade, entre ruptura e concordância, entre significado e significante, entre interior e exterior, encontram nestas imagens, no deslizar das formas que ora se aconchegam ora se dividem, uma escrita, que é também um dar de si para quem a quiser entender, entender a natureza, e entender a si próprio.
José Gomes de Oliveira
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As transcrições da natureza que a fotografia de Armando Castro mostra, são texturas e relevos. Se na primeira parte deste projeto estas transcrições eram das plantas, mais concretamente de oliveiras, nesta segunda parte são de rochas. O seu olhar centra-se no detalhe, no pormenor, no desenho natural ou na composição natural que regista. Batidas pelo mar, que lhes dá o arredondado da forma ou alarga brechas ou preenche espaços, estas transcrições são micro-fragmentos da nossa paisagem.
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Exposição no Edifício Central do Município de Lisboa, no Campo Grande, 25, entre 22 de outubro e 11 de novembro de 2019.
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António Bracons, Aspetos da exposição, 2019
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Armando Castro nasceu em Lisboa, onde reside e trabalha.
Estudou fotografia na APAF (Associação Portuguesa de Arte Fotográfica), no MEF (Movimento de Expressão Fotográfica) e em workshops diversos, e Estética na SNBA (Sociedade Nacional de Belas Artes).
Das suas exposições destaca-se: “Resistentes”, Galeria Paula Cabral, Lisboa (2012), “Walls”, Edifício Central do Município, Lisboa e “Land(e)scape I”, Biblioteca dos Coruchéus, Lisboa (2015), “Walls 2”, Espaço Montepio, Lisboa e “Land(e)scape I”, Casa de Cultura, Ericeira (2016), “Colecção Arte Municipal”, Casa Cultura, Ericeira (2017) e “Transcriptions [Part 1], Edifício Central do Município, Lisboa (2018).
Os seus projetos fotográficos: 2008: “Resistentes”, concluído; 2013: “Walls”, concluído; 2013: “Land(e)scape” (em desenvolvimento, concluída a 1ª de 4 séries); 2015: “Beyond the Visible” (em desenvolvimento, concluídas 2 de 5 séries); 2019: “Seascape” (em desenvolvimento).
Livros publicados: “Resistentes”, “Land(e)scape I” (a 1ª série do projecto), “Beyond The Visible”.
Está representado em várias colecções particulares e nas coleções da Câmara Municipal de Lisboa e da Câmara Municipal de Mafra.
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Pode conhecer melhor a obra de Armando Castro aqui.
Sobre a 1.ª parte deste projeto no Fascínio da Fotografia, aqui.
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Cortesia do autor.
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