IMAGO LISBOA PHOTO FESTIVAL. NOVAS VISÕES (2): NATHALIE HERSCHDORFER SELECIONA JONATHAN LLENSE, KATRIEN DE BLAUWER E VIRGINIE REBETEZ
Exposição “Novas Visões na Fotografia Contemporânea” em Lisboa, nas Carpintarias de São Lázaro, R. de S. Lázaro, de 10 de outubro a 17 de novembro de 2019.
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Uma das grandes exposições do IMAGO LISBOA Photo Festival é “Novas Visões na Fotografia Contemporânea” e resulta de um convite efetuado a 3 comissários: Alejandro Castellote, Nathalie Herschdorfer e Peggy Sue Amison, a que se junta o coordenador do IMAGO, Rui Prata (durante muitos anos organizador dos Encontros da Imagem), escolhendo cada um 3 fotógrafos.
Apresento hoje a seleção de Nathalie Herschdorfer: Jonathan Llense, Katrien de Blauwer e Virginie Rebetez.
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JONATHAN LLENSE, ELNUNO SIN EL OTRO
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O processo de trabalho de Jonathan LLense é moldado por passeios diários pela cidade. Guiado por uma primeira intuição, joga com o ambiente envolvente, combinando elementos previamente existentes para criar uma nova e lúdica perceção.
No seu trabalho, espaços urbanos e privados parecem ser fonte inesgotável de inspiração e descoberta. LLense identifica sistemas visuais, formas padrão, arranjos e bricolage, onde o poder de evocação que contêm se deve à recorrência de composições e gestos e onde ele, subsequentemente, interage com o espaço circundante. As suas imagens apresentam essencialmente pessoas e objetos em configurações e situações estranhas, encenadas e construídas num diálogo direto com sua experiência diária. Corpos triviais e sucatados, elementos naturais ou industriais, subitamente tornam-se objeto de um jogo de associações formais, desvios semânticos, colagens de duas ou três dimensões, que são fotografados e mostrados para si próprios no espaço expositivo. Dentro destes gestos arcaicos, destas possessões vernaculares, LLense restaura toda a teatralidade do espaço quotidiano alterada pelos seus usuários. Oferece um olhar divertido sobre as coisas em nosso redor, sobre todas essas cenas do dia-a-dia e revela o potencial de prazer que a experimentação lhe reservam.
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António Bracons, Aspetos gerais da exposição, 2019
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KATRIEN DE BLAUWER, ELEVEN STORIES
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A prática artística de Katrien de Blauwer, que vive e trabalha em Antuérpia (Bélgica) baseia-se na colagem, e devemos ver por detrás deste termo a ideia de uma atitude total, mais do que uma categoria ou uma espécie de divisão. O seu idílio artístico com a colagem começou cedo, enquanto jovem e aluna de arte e moda. Como um prelúdio para a sua pesquisa atual, os seus livros de humor da época já mostravam uma bulimia para a imagem e, além da imagem, um fascínio ilimitado pela sua construção.
O processo é espontâneo, livre como um gesto que deforma a imagem. O seu trabalho é nutrido por fotografias esquecidas que ela recicla, corta e une. Às vezes, são pintadas. A pincelada é tão seca quanto um golpe de tesoura. Por trás desse “corte” intransigente, semelhante à técnica de montagem, há o desejo de reconstruir a imagem, dar à luz uma história e devolver a essa matéria-prima toda a sua vibração passada. É a partir de uma seleção de imagens recolhidas a partir de revistas velhas que se fizeram estas colagens. Nascem de uma conexão insuspeita entre várias figuras, entre padrões e cores. Mais do que apenas formal, essas associações são ditadas por uma sensação imediata e refletem o paradoxo desafiador da sua prática. Na verdade, as escolhas que atuam no tratamento desses fragmentos referem-se à sua própria privacidade, mesmo quando ela manipula imagens anónimas, à priori distantes. Ao banir os olhares e os rostos das suas composições, preserva uma certa neutralidade, uma liberdade de interpretação que voluntariamente deixa espaço para qualquer um que queira nela se incluir. É este desejo de universalidade que nasce o potencial narrativo e memória das colagens da artista.
Para o festival Imago Lisboa, Katrien de Blauwer, impõe uma nova escala e propõe uma fórmula inédita pela ampliação fotográfica das suas colagens originais, depois repintada com cor sólida. Mais uma vez, vamos esquecer a questão do género, a sua reprodutibilidade ou sua singularidade, porque a força da proposição está incorporada na reutilização não discriminatória dos elementos que compõem o trabalho. É ao mesmo tempo superfície, colagem, pintura e fotografia.
Sébastien Borderie
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António Bracons, Aspetos gerais da exposição, 2019
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VIRGINIE REBETEZ, MALLEUS MALEFICARUM
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Virginie Rebetez realiza uma investigação fotográfica sobre médiuns e curandeiros, vulgares na região católica de Friburgo (CH) e bem enraizada na cultura, aprendendo sobre a sua identidade e prática, como ela os coloca num contexto histórico mais amplo de caça às bruxas. Malleus Maleficarum é talvez o esforço mais ambicioso e ousado de Rebetez para explorar o espaço entre o visível e o invisível, para repensar e reconsiderar a história de uma maneira nova. O passado é trazido através da figura de Claude Bergier, que foi acusado de feitiçaria e queimado na fogueira em 1628, em Friburgo. Rebetez traz de volta Bergier através de leituras mediúnicas, depois dando voz a uma pessoa ausente. Explorando presenças e ausências, apresenta a possibilidade de narrativas alternativas, mapeando visualmente pontes entre pessoas e lugares separados do tempo e do espaço: reunindo-os e transmitindo-nos as suas histórias em molduras fotográficas polifónicas.
Elisa Rusca
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António Bracons, Aspetos gerais da exposição, 2019
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Jonathan LLense nasceu em 1984 em Seclin, França. Licenciou-se na l’École Supérieure des Beaux-arts de Valenciennes em 2010 e posteriormente fez o curso na l’École Nationale Supérieure de la Photographie d’Arles, 2013. Em 2014 a exposição «DISPONIBLE-553201-8056» na galeria IFAL no México apresenta a sua obra realizada durante uma residência. Participa também na coletiva «Inside/Outside territory» durante a UNSEEN em Amesterdão. Desde 2018 que trabalha com a galeria Espace JB à Genève e The Link mgmt em Paris.
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Katrien de Blauwer estudou arte em Gant e moda em Antuérpia. As foto-colagens de Katrien De Blauwer são tangenciais à moda, dança, cinema e fotografia. Alguns chamam-lhe “fotógrafa sem câmara”. Outros definem o seu trabalho como “pós-fotográfico”. A sua obra recorre à apropriação de imagens de revistas que sofrem um processo de renovação e manipulação.
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Virginie Rebetez obteve a sua licenciatura em 2005 na Escola de Fotografia de Vevey e mais tarde, 2008, cursou na Gerrit Rietveld Academie de Amsterdão. Vive em Lausanne, Suíssa. A sua obra tem sido regularmente apresentada em museus e galerias, quer no país natal, quer noutros países europeus. Recebeu variadas distinções de instituições de arte.
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Cortesia IMAGO LISBOA Photo Festival.
Atualizado em 2019.11.11 com a visita à exposição.
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No Fascínio da Fotografia, sobre o IMAGO LISBOA Photo Festival e a exposição Retrospectiva de Pentti Sammallahti, aqui; Construir Pontes (fotografia portuguesa), aqui; Novas Visões na Fotografia Contemporânea, a escolha de 4 comissários: Alejandro Castellote, aqui, Nathalie Herschdorfer (este), Peggy Sue Amison, aqui e Rui Prata aqui.
Mais informação aqui.
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