BRUNO SAAVEDRA, MADE IN CHINA

Exposição em Macau, na Galeria de Arte da Fundação Rui Cunha, na Avenida da Praia Grande, nº 749, r/c, de 2 a 11 de setembro de 2019.

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Bruno Saavedra, Made in China, 2016-17

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Bruno Saavedra residiu em Macau entre 2011 e 2014.

Em Novembro de 2016 realizou um workshop “Narrativas fotográficas do Intendente”, lecionado pela fotógrafa Pauliana Valente Pimentel, no Bairro do Intendente, em Lisboa. “O processo fotográfico durou cerca de 4 meses e só foi finalizado nas comemorações do Ano Novo Lunar do Galo, de 2017”.

Este projeto propõe-se retratar “uma visão diferente e subtil da comunidade chinesa” naquela zona da capital portuguesa. “Fui à procura de detalhes e imagens que de alguma forma me fizessem conhecer a história das suas vidas e o modo como vivem nas freguesias mais cosmopolitas de Lisboa”. Para isso, durante três meses, visitou casas, restaurantes, centros de estética, cabeleireiros, centros  de massagens, escolas, lojas, supermercados, templos, igrejas e até médicos. “Ouvi histórias, verdadeiros contos chineses de pessoas que vivem clandestinamente, trabalham 16 horas por dia para conseguir juntar algum dinheiro com o sonho de regressar à sua terra natal”.

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Sobre o projeto, escreve Luís Pereira:

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MADE IN CHINA

Entre o Céu e a Terra o Império do Meio. Inexpugnável, rico e protegido por uma imensa muralha que o mantinha ainda mais distante.

Para os Ocidentais de então, um mundo exótico e diferente. Até que, depois uma longa marcha, se foi por todas as formas aproximando e instalando em cada esquina da nossa realidade.

Muito antes de se tornar no país de dois sistemas que hoje conhecemos, foi também, por via dos portugueses e de Macau, espaço experimental, como entreposto comercial e cultural. Já nessa época, um tubo de ensaio civilizacional, uma verdadeira start-up, de um modelo, que, depois de a China se tornar na “fábrica do mundo”, se fez, exportável e replicável, num modelo que muito pouco ou nada difere, em quase todos os pontos, do mundo ocidental.

Lisboa, cidade de há séculos cosmopolita, num espaço globalizado e aberto não poderia também escapar a esse fenómeno, e, se bem que ainda não tenhamos o espaço físico de outras Chinatown que se formaram em grandes capitais, esta população oriunda daquele longínquo espaço geográfico afirma-se, com outras comunidades asiáticas, na sua presença e na sua cultura, utilizando em proveito próprio a enorme muralha que para a grande maioria representa a sua língua e os seus costumes, continuando indecifrável e paradoxalmente impenetrável.

Uma realidade diferente, um exotismo latente, um visual e uma grafia próprios, um calendário com outras referências. Se consegue passar, pela sua forma integrada, despercebida à sociedade que a acolhe e integra, predominantemente em termos de comércio, medicina tradicional e restauração, não passa certamente e pelas mesmas razões, despercebida a um olhar observador e diferenciador destas mesmas características e treinado para as registar, como é o olhar do fotógrafo.

Foi essa a tarefa atribuída a Bruno Saavedra, um fotógrafo oriundo de latitudes do Novo Mundo, com passagem, antes de voltar a Lisboa, por Macau, pela também fotógrafa Paulina Valente Pimentel que lhe propôs, como objecto de construção de uma “narrativa fotográfica”, captar a realidade dos chineses do bairro mais multicultural de Lisboa, o Intendente.

Desta proposta resultou “Made in China” um projecto que vai muito além da recolha puramente documental ou estereotipada, desenvolvendo Bruno Saavedra, com vários paralelismos e bifurcações, uma história visual de segredos revelados, negociados a cada plano, furtivamente estabelecidos de uma forma cúmplice pela familiaridade cultural assimilada em Macau.

Cada imagem é um avanço ou um ponto de situação em que o fotógrafo se posiciona, as pessoas e as suas emoções abrem-lhe à sua procura, o porto, mas mostrando em simultâneo os contrafortes da muralha. O fotógrafo não poucas vezes rompe e ousa expor os tempos, as modas e os detalhes que sobrepõem latitudes e lugares, a verdade do contrafeito e o kitch, real ou irreal será o que menos importa.

Nesta Lisboa, “Made in China” (nesta China feita em Lisboa), não há casinos com néons ou árvores das patacas. E há Chineses que jogam o destino na clandestinidade, uns por necessidade, outros como forma de vida. E o olhar não pode perder uma cor, um detalhe, uma luz que a qualquer momento pode perder todo o brilho.

Na construção de cada imagem, um milhão de detalhes possíveis, o caleidoscópio formado por esta proposta é, tão só, uma das muitas possíveis.

O seu conjunto e a exposição daí resultante é fundamentalmente o tesouro de emoções que o olhar do fotógrafo ocidental se foi apropriar ao Oriente secreto.

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A exposição de Bruno Saavedra “Made in China” foi exposto na Casa Independe, em Lisboa, de 29 de Junho até 30 de Setembro de 2017 e apresenta-se em Macau, na Galeria de Arte da Fundação Rui Cunha, na Avenida da Praia Grande, nº 749, r/c, de 2 a 11 de setembro de 2019.

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Bruno Saavedra nasceu em 1987 na cidade de Itamaraju-Bahia no Brasil, onde se deixou fascinar pela fotografia. Reside em Portugal desde 2004.

Viveu três anos em Macau, na China (2011/2014), onde trabalhou em diversas atividades artísticas de animação sociocultural na Casa de Portugal em Macau e iniciou o estudo da fotografia com António Duarte Mil-Homens. De regresso a Lisboa, concluiu o curso de maquilhagem da Lisboa Make-Up School – 2014 e deu continuidade nos estudos fotográficos na Restart- Instituto de Criatividade, Artes e Novas Tecnologias (2015/2016). Fez o workshop Food Photography com o fotografo Jorge Simão (2016) e o 5o Workshop Narrativas Fotográficas do Intendente com a fotógrafa Pauliana Valente Pimentel (2016/2017), que resultou na exposição MADE IN CHINA. Frequenta o curso avançado de fotografia da Ar.Co em Lisboa.

Desde 2015, tem vindo a expor o projeto FLAVORS em diversas galerias e espaços culturais em Portugal. Em Novembro de 2017, expôs o projeto POSSIBILITY, no espaço Deleme Artes, em Lisboa, tendo seguido para o Centro Comercial Dolce Vita Tejo, inserido no projeto Tejo Art Gallery. Em Março, de 2018 expôs “ANA”, com curadoria do fotógrafo Valter Vinagre, na Capela do Centro Cultural de Cascais, num projeto inserido no ciclo “OitoxOito”, para a afirmação e visibilidade de jovens artistas emergentes, promovido pela Fundação D. Luís I e a Câmara Municipal de Cascais, no âmbito da Capital Europeia da Juventude 2018.

Ainda em 2018, a convite do festival LUSOMIA, expôs FLAVORS na Wentworth Galleries, em Sydney, Austrália. Em Fevereiro de 2019, expôs ESPERANÇA no espaço cultural Misturado em Lisboa. Em Abril de 2019, expôs NA TERRA DE JACÓ, na Galeria da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior em Lisboa.

Trabalha como fotógrafo free-lancer.

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Pode conhecer melhor o trabalho de Bruno Saavedra no Fascínio da Fotografia aqui, e no site do autor, aqui.

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Cortesia do autor.

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