FERNANDO LEMOS, MAIS A MAIS OU MENOS

Exposição na Galeria 111, no Campo Grande, 113, de 8 de junho a 14 de setembro de 2019.

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Fernando Lemos nasceu em Lisboa, a 3 de maio de 1926, na rua do Sol ao Rato.

A sua origem no trabalho gráfico deu-se aos 15 anos quando foi litógrafo de indústria. Estudou na Escola de Artes Decorativas António Arroio e frequentou o curso livre de pintura da Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa, iniciando a sua atividade artística ligado ao Movimento Surrealista, no início da década de 50, “altura em que se dedicou de forma mais consistente à fotografia” (FCG).

Expôs pela primeira vez na Casa Jalco (1952), em Lisboa, conjuntamente com Marcelino Vespeira e Fernando Azevedo.

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Lemos, Marcelino, Vespeira, 3 Exposições, Casa jalco, Lisboa, 1952. Catálogo

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Do entusiasmo resultante da exposição na Casa Jalco, é criada a Galeria de Março, surgida em Março de 1952, que inicialmente dirige com José-Augusto França, e cuja direção deixará. A galeria era propriedade do publicitário Manuel das Neves e teve duas sedes sucessivas: na Avenida António Augusto de Aguiar e na Rua D. Pedro V, em Lisboa.

A galeria abre com uma exposição de Almada Negreiros e irá dar visibilidade a um vasto leque de autores não académicos: os neorrealistas como Júlio Pomar e Lima de Freitas, a surrealistas como António Pedro, António Dacosta, ou abstracionistas como Fernando Lanhas e Jorge de Oliveira. Sarah Afonso, Edgar Pillet, Carlos Botelho, José Júlio, João Hogan, Júlio Resende, Eurico Gonçalves, Menez são outros artistas que expuseram na galeria. Fernando Lemos expõe individualmente o seu trabalho fotográfico na mostra “Fotografia de Várias Coisas”, em 1953.

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Decidiu exilar-se voluntariamente no Brasil, com 27 anos de idade, em 1953, desiludido com a situação cultural e política do país. “Fiquei porque gostei e me adaptei. Primeiro estive no Rio de Janeiro e depois fixei-me em São Paulo.”

Ainda naquele ano, realiza duas exposições de fotografia no Brasil: no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP) e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ).

Praticamente deixa a fotografia. Trabalhando em desenho, expõe na Galeria de Março (1954), vence o Prémio Nacional de Melhor Desenhista Brasileiro na Bienal de S. Paulo de 1957, em 1959 participa na Exposição “50 Artistas Independentes” (SNBA, Lisboa) e, em 1961, na “II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian”, também em Lisboa. Em 1962 recebe uma bolsa de estudos para o Japão, patrocinada pela Gulbenkian. Em 1973 participa na Exposição Inaugural Colectiva da Galeria Quadrum, em Lisboa, e, no mesmo ano, expõe pintura na Galeria Dinastia, em Portugal.

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António Bracons, Fernando Lemos, Lisboa, Imprensa Nacional, 05.06.2019

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Sobre a sua atividade, diz:

Fiz um pouco de tudo no que respeita ao design gráfico: fiz marcas, capas de revistas, cartazes, ilustração; enfim, tudo o que estivesse relacionado com a comunicação visual. Tive em São Paulo um escritório de design industrial onde lancei uma editora de literatura infantil [a Giroflé, em 1963], colagem de figuras para vídeos em 35 mm para marketing e comunicação empresarial, capas de livros e cartazes (como já disse), filmes, estamparia para tecido e azulejo, painéis para o metro, para exposições e espaços comerciais, tapumes institucionais para construções de edifícios, murais, desenhei exposições, fiz muitas ilustrações para poesias e ações de publicidade de vários órgãos públicos, tapeçarias…”

Foi o responsável pela decoração dos pavilhões da representação brasileira nas feiras internacionais de Nova Iorque, 1957 e de Tóquio, 1963; foi professor na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de S. Paulo e colaborou na fundação da ABDI – a primeira Associação Brasileira de Desenho Industrial, de que foi presidente.

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A convite de José-Augusto França, publica regularmente na revista Colóquio Artes e Colóquio Letras, da Fundação Calouste Gulbenkian, com ilustrações e notícias da cultura e das artes no Brasil. Em 1994 foi realizada no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian uma importante exposição retrospetiva da sua obra fotográfica. Está representado em diversas coleções nacionais e internacionais e tem realizado regularmente exposições individuais e coletivas.

Em Portugal foi a fotografia de cariz surrealista, produzida pelo artista entre 1949 e 1952, que, redescoberta e sucessivamente exposta apenas depois de 1977, foi valorizada. Em 1994 expôs individualmente no Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, numa exposição retrospetiva da sua obra.

Em 2001 foi-lhe atribuído o Prémio Nacional de Fotografia, pelo Centro Português de Fotografia e em 2016 o Prémio da Crítica em Artes Visuais da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte). A 6 de junho de 2018, foi condecorado como Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

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António Bracons, Aspetos da exposição, 2019

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Além desta exposição, “Mais a mais ou menos”, que engloba fotografias da época surrealista e os últimos desenhos e aguarelas, com curadoria de Rosely Nakagawa e que se apresenta na Galeria 111, no Campo Grande, 113, de 8 de junho a 14 de setembro de 2019, pode-se ver a exposição “Fernando Lemos Azulejaria”, na Galeria Ratton, na Rua da Academia das Ciências, 2C, para a qual fez novos desenhos, entre 5 de junho e 6 de setembro e “Fernando Lemos Designer”, no Torreão Poente da Cordoaria Nacional, na Av. da Índia, de 7 de junho a 6 de outubro de 2019, “segundo o olhar curatorial de Chico Homem de Melo e o desenho expositivo de Nuno Gusmão, dois designers gráficos de formação. Um brasileiro, outro português”. A 5 de junho foi lançado o livro “Fernando Lemos. Ph04”, edição da Imprensa Nacional.

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Pode ver a exposição na Casa Jalco, em 1952, no Fascínio da Fotografia, aqui.

Pode conhecer o livro “Fernando Lemos. Ph04”, edição da Imprensa Nacional, 2019, no Fascínio da Fotografia, aqui.

Pode conhecer mais sobre Fernando Lemos no Fascínio da Fotografia, aqui.

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