CARLOS RELVAS (1838-1894). VISTAS INÉDITAS DE PORTUGAL. A FOTOGRAFIA NOS SALÕES EUROPEUS – II
Dos 180 anos do nascimento aos 125 da morte de Carlos Relvas (Golegã, 13 de novembro de 1838 – Golegã, 23 de janeiro de 1894)
Exposição no MNAC – Museu Nacional de Arte Contemporânea / Museu do Chiado, em Lisboa, de 27 de setembro de 2018 a 24 de fevereiro de 2019.
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Continuo nesta publicação a visita à exposição “Vistas Inéditas de Portugal. A Fotografia nos Salões Europeus“, sobre a obra de Carlos Relvas nos primeiros anos da sua produção fotográfica, entre 1862 e 1874 (até à construção da sua Casa-Estúdio), que se apresenta numa fantástica exposição no MNAC – Museu Nacional de Arte Contemporânea / Museu do Chiado, em Lisboa, entre 27 de setembro de 2018 e 24 de fevereiro de 2019 (inicialmente 20 de janeiro), com a curadoria de Victor Flores, Ana David Mendes, Denis Pellerin e Emília Tavares.
Os trabalhos expostos vão para além dos salões europeus: são as edições de Carlos Relvas, a sua fotografia familiar, essencialmente até à construção do novo estúdio, hoje conhecida como Casa-Estúdio Carlos Relvas.
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A exposição é composta por dez núcleos: “As Primeiras Fotografias”, “Fotografia e Património”, “Fotografia e Belas-Artes”, “Na Câmara Escura” (que apresentamos na primeira parte) e nesta publicação: “Os Salões de Fotografia Europeus”, “As Séries Estereoscópicas e a Paisagem”, “Atelier Relvas — Uma Reconstituição”, reconstituindo em realidade virtual o primeiro estúdio de Carlos Relvas, “Imagens Resgatadas”, “A Casa Estúdio” e “Novas Técnicas”.
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Os Salões de Fotografia Europeus
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Carlos Relvas fotografava retratos: da família, dos amigos, mendigos e outros; paisagens, animais – o que não era vulgar na época –, naturezas mortas…
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Em 1868, Carlos Relvas envia um álbum com algumas fotografias para a Société Française de Photographie, onde é admitido na sessão de 5 de fevereiro de 1869.
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No primeiro trimestre de 1969 tem lugar a 1.ª exposição individual de Carlos Relvas. As fotografias são expostas em molduras douradas. Ofereceu as fotografias ao casal real, integram a coleção do Palácio Nacional da Ajuda.
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Assinatura de Carlos Relvas, detalhe.
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Carlos Relvas, Monumento da Batalha. Telhado de pedra da casa do capítulo e coruchéu da cegonha, 1868-69.
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Carlos Relvas, Queda do Rio dos Mouros, Condeixa, 1868-69.
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Carlos Relvas, Mosteiro de Santa Maria de Belém, 1870
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Por vezes, para a realização das suas fotografias, montava estruturas nas quais colocava a câmara, tomando assim vistas mais elevadas que o olhar normal. Regista-se uma imagem ao fotografar as Capelas Imperfeitas do Mosteiro da Batalha. Fotografia integral, ampliada para a parede de fundo e detalhe. Percebe-se na câmara um acessório criado por Carlos Relvas (girando obtinham-se diferentes objetivas [ou aberturas diferentes?]).
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Os cenários eram importados de Londres para os fotógrafos. Relvas tem vários (o estúdio Perestrello, no Funchal também tem alguns), e Relvas tem também outros pintados por pintores portugueses. O estudo do seu vasto espólio e os catálogos que se conservam permite atestá-lo.
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Augusto Fonseca. Era um fotógrafo de Lisboa, fotografava a cidade (existe um álbum seu no Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico). Foi para a Golegã, como assistente de Carlos Relvas. Viveu naquela cidade até falecer e está sepultado no cemitério da Golegã.
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A sua participação na oitava exposição da Sociedade Francesa de Fotografia:

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Provas estereoscópicas de Carlos Relvas, [fotógrafo] amador. Estojo e alguns cartões.
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Visor estereoscópico e alguns cartões, parciais, “Vues du Portugal par C. Relvas, Phot. Amateur”, registados a partir de um dos óculos do visor.
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As Séries Estereoscópicas e a Paisagem
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No lado direito da imagem no caminho, observa-se a carroça fechada preta, onde funcionava o laboratório fotográfico.
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António Bracons, Victor Flores e Arqt.ª Sofia Aleixo, 2018
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Além das vulgares ‘carte-de-visite’, Relvas fazia formatos bastante maiores, até 50 x 60 cm (retratos álbum), pois as fotografias eram impressas por contacto (a fotografia tinha o tamanho do negativo). Frequentes vezes tirava duas fotografias – não pelo efeito estereoscópico, mas para escolher a melhor imagem a imprimir.
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Diversos autoretratos de Carlos Relvas, 1865-1875. Impressões atuais em albumina, a partir da digitalização de negativos (vidro) originais em colódio húmido.
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Tal como nos retratos (carte de visite), também nas fotografias estereoscópicas, Carlos Relvas recorreu a diferentes suportes e a sua identificação foi evoluindo ao longo do tempo: desde sem qualquer referência, ao nome e a prémios ganhos.
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Atelier Relvas — Uma Reconstituição
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Das muitas imagens existentes do seu primeiro estúdio, foi possível fazer uma reconstituição prodigiosa em 360 graus e em 3D do seu interior, a que se juntou o som ambiente que rodeia a atual casa-estúdio.
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António Bracons, Visualização em 3D do primeiro estúdio de Carlos Relvas, 2018.
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Imagens Resgatadas
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A Casa Estúdio
Novas Técnicas
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Carlos Relvas, Atelier de Carlos Relvas (em construção), 1875. Albumina.
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Carlos Relvas, Atelier de Carlos Relvas (em construção), 1875. Fototipia.
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Carlos Relvas, Atelier de Carlos Relvas (em construção), 1875. Impressão atual em albumina, virada a ouro, realizadas por Luís Pavão.
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António Bracons, Luís Pavão falando sobre a casa-Estúdio Carlos Relvas e as impressões atuais em albumina, 2018.
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Esta é, sem dúvida, uma das mais importantes exposições já realizadas sobre a obra de Carlos Relvas: pela investigação, pela recolha – uma parte significativa das peças são originais e ainda não haviam sido mostradas – e muitas são-no apenas através dos visores estereoscópicos -, pela relação entre as peças, pela abordagem de forma bastante exaustiva do período inicial da sua produção fotográfica e artística, onde o seu nome se consolida como fotógrafo não só em Portugal, mas um pouco por toda a Europa. É, pois, do maior interesse e importância que esta exposição dê origem a um catálogo com a dimensão correspondente para o detalhe que a exposição mostra e a obra de Carlos Relvas merece.
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A exposição é uma produção do Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, com a parceria da Câmara Municipal da Golegã, da Câmara Municipal de Leiria, da Sociedade Nacional das Belas Artes, da Sociedade Francesa de Fotografia, decorrendo de um projeto do centro de investigação CICANT da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias.
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Pode ver a primeira parte da visita à exposição, aqui.
Pode conhecer melhor a obra de Carlos Relvas no Fascínio da fotografia, aqui.
Pode ler sobre esta exposição o texto de Sérgio B. Gomes, “O que está por detrás das medalhas de Carlos Relvas”, no jornal Público, de 5 de outubro de 2018, aqui.
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