CARLA GUEDES PINTO, FEDERICO IENNA, MARTA ROBALO E RICARDO MUSSA: NARRATIVAS FOTOGRÁFICAS NO INTENDENTE
Exposição do 7.º curso Narrativas Fotográficas do Intendente, 2.ª parte, orientado por Pauliana Valente Pimentel, patente em Lisboa, na Casa Independente, no Largo Intendente, 45, de 14 de março a 14 de maio de 2018
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Na Casa Independente, no Largo Intendente, 45, em Lisboa, a fotógrafa Pauliana Valente Pimentel tem vindo a dinamizar vários Workshops, sobre o tema geral “Narrativas Fotográficas no Intendente”. O que se apresenta é já a segunda parte do 7.º. Na primeira foram apresentados entre Janeiro e março outros projetos.
Agora, apresentam-se quatro destas Narrativas, registadas no bairro. Constituem um registo da sua vida e da sua história.
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Para Pauliana Valente Pimentel:
O Intendente, bairro histórico lisboeta, foi sempre uma zona popular de comércio, onde o espaço público é intensamente vivido. Este bairro sempre sofreu muitas conotações negativas, com problemáticas ligadas à prostituição, ao tráfico e ao consumo de droga e às sucessivas vagas de imigração. Hoje o processo de transformação deste bairro é muito rápido, em parte devido ao plano urbano implementado pelas politicas públicas, que pretendem revitalizar o tecido urbano e social desta zona. Este workshop leva os alunos a explorar o Intendente durante dez dias nas suas variadas vertentes, os habitantes, a dinâmica de rua, o comércio local, o dia e a noite, de forma a criar um projecto pessoal de acordo com a visão de cada um”.
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Federico Ienna, Amanhã é um Novo Dia: Garagem Auto Lis
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Federico Ienna, Amanhã é um Novo Dia: Garagem Auto Lis, 2017
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Simples e humildes, escondidas em plena visão, cansadas, consumidas e cinzentas, as paredes da Garagem Auto Lis falam sobre o tempo, que das seis da manhã à meia-noite, de Segunda a Domingo, entre 1933 e hoje, parece estar parado. Aqui, onde assentaram o Real Colyseu de Lisboa, o Paraíso de Lisboa, e o Cinema Colossal, encontra-se uma garagem de trabalhadores, sem palcos, barracas de tiro ou tela de projeção, mas ainda assim, um teatro. O fotógrafo foi em busca das histórias que as rugas deste espaço encerram, dos seus objetos esquecidos e das personagens que fazem parte do mesmo cenário.”
Federico Ienna
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Carla Guedes Pinto, Radhuni
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Carla Guedes Pinto, Radhuni, 2017
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Partindo do nome tradicional dado à mulher do Bangladesh que cozinha de forma dedicada, com amor e vitalidade, a fotógrafa mergulhou na comunidade que predomina nas Rua do Benformoso e das Olarias. Estas artérias fundamentais do bairro são predominantemente habitadas por homens e rapazes do Bangladesh formando assim a sua face mais visível, nomeadamente, nas ruas, nas lojas, nas mercearias, nos talhos halal ou restaurantes bengali. A ausência da mulher no espaço social ganha de tal maneira notoriedade que assim se torna o objecto de desejo de Carla Guedes que resolveu ir em sua busca, procurando documentar as suas rotinas: levar os filhos à escola, acompanhar o marido e os filhos nos domingos de folga, ir à mesquita nas sextas-feiras ou, até, descobrir o seu espaço privado, num ambiente mais descontraído.”
Carla Guedes Pinto
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Marta Robalo, Leftover
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Marta Robalo, Leftover, 2017
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Existem pormenores que estão presentes no nosso dia-a-dia e que, pela maioria das pessoas, são considerados insignificantes ou até mesmo como lixo. Pormenores de materiais que sofreram uma intervenção humana e que representam, desta forma, o Homem.
Neste trabalho foram fotografados e colocados numa parede alguns desses pormenores existentes no Intendente, que contêm uma beleza particular, que são ricos nas suas formas, texturas e cores. Marta Robalo, através da sua lente, pretende elevar estes materiais menores a obras de arte.”
Marta Robalo
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Ricardo Mussa, Intendente Bangladeshiano
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Ricardo Mussa, Intendente Bangladeshiano, 2017
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Este é outro olhar sobre a maior comunidade comerciante do Intendente. A constante mutação urbanística e humana ganha ainda outra dimensão perante a hospitalidade e dedicação ao trabalho da comunidade Bangladeshiana. Guiado pelo desejo de conhecer mais sobre os seus antepassados muçulmanos, o autor foi ao encontro de respostas através de breves encontros com membros da comunidade.”
Ricardo Mussa
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