OSVALDO HOPFER, UNTIL FURTHER NOTICE

Em exposição na Cinemateca Nacional, na R. Barata Salgueiro, em Lisboa, de 21 de março a 30 de abril de 2018.

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Osvaldo Hopfer, Until further notice, 2006 – 2013

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“Until further notice” é uma série do fotógrafo Osvaldo Hopfer (Montevideo, 1978), realizada entre 2006 e 2013, onde apresenta cinemas abandonados da Europa e dos Estados Unidos. Nas suas viagens vai ao encontro dos cinemas que já o foram, procurando, como o cinema, guardar o efémero. Em Portugal, encontrou o Cinema Águia d’Ouro, do Porto.

No site “Cinemas do Porto”, podemos ler:

O Café Águia D’ouro abriu as suas portas no primeiro mês de 1839, por lá passaram algumas figuras ilustres portuguesas como Camilo Castelo Branco e Antero de Quental. No Teatro com entrada lateral ao café também passaram inúmeros artistas. Em 1908 esta velha casa, abre-se também ao cinema. A novidade era o “cronomegaphone”, considerado “o mais moderno aperfeiçoamento do cinematógrafo falante”, não sendo cinema sonoro, já que este só apareceu 20 anos mais tarde. Ainda em Agosto de 1907, chegara a estrear o “Cynematographo Edison” sendo o espectáculo dividido em três partes e visto com um só bilhete, os preços para a altura eram bastante económicos; cadeiras 100 réis e galerias a 50 réis. Em 15 de Setembro de 1930 viria a inaugurar-se o cinema sonoro com o filme “All That Jazz” com Al Joson. O Águia seria então uma das melhores salas do Porto.

Em 7 de Fevereiro de 1931 foi reaberto após obras de remodelação, tendo ficado com uma nova fachada, a actual e sustentando no seu pórtico o símbolo do seu nome, uma Águia de Ouro.

Em 1989, já com o café fechado e a ausência dos espectadores às salas de cinema, o Águia viu-se forçado a encerrar as portas, tendo sido comprado pela empresa Solverde com o objectivo de abrir um Bingo, tal como aconteceu ao Olympia, na Rua Passos Manuel. Tendo sido reprovado tal projecto por parte da Câmara, o espaço ficou ao abandono e com o passar do tempo tornou-se uma ruína em elevado estado de degradação. Em Agosto de 2006 a Solverde põem o imóvel à venda por três milhões de euros.

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A série foi realizada com uma câmara Polaroid 600 e filmes expirados: as cores ficam alteradas, desvanecidas, como o sonho do cinema se desvanece com o desaparecimento das salas de projeção.

Como refere Hopfer:

Quando o cinema do bairro da juventude do autor é desativado, uma jornada sentimental em busca de outros cinemas abandonados começa. Muitos cinemas tradicionais, antes cheios de emoções e histórias, agora estavam vazios e nostalgicamente negligenciados, até novo aviso [until further notice].

Esses lugares peculiares, após evocar um sentimento de nostalgia, acabam por exigir uma reflexão sobre a impermanência das coisas e a sua mudança constante e inevitável.”

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“Until further notice”, de Osvaldo Hopfer encontra-se em exposição em Lisboa, na Cinemateca Nacional, na R. Barata Salgueiro, de 21 de março a 30 de abril de 2018

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Pode conhecer melhor o trabalho de Osvaldo Hopfer aqui.

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