O KAOS DE ALBERT WATSON

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Albert Watson, Alfred Hitchcock, 1973 – Mick Jagger, Los Angeles, 1992 – David Bowie, 1996 – Steve Jobs, 2008 – Golden Boy, 1990 – Waris, Ouarzazate, Marrocos, 1993 – Monkey with masks. 19..

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Podemos ver em “Kaos”, exposição antológica da obra de ALfred Watson,  algumas das celebridades que fotografou: Alfred Hitchcock – fotografado em 1973 para a capa da revista Harper’s Bazaar, que publicava uma receita de ganso do realizador, Uma Thurman, Mick Jagger, Steve Jobs, Kate Moss – com 19 anos, bem como a sua série “Macacos com máscara” e paisagens de Las Vegas e Benim.

As suas imagens são intensas, icónicas, ficam na memória. Muitas já as conhecemos.

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António Bracons, Aspetos da exposição “Kaos”, de Albert Watson, 2017

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Albert Watson fez mais de 100 capas da Vogue e mais de 40 da Rolling Stone, para além da TIME e da Harper’s Bazaar, entre tantas outras; criou a imagem de centenas de campanhas publicitárias de grandes marcas, como Prada, Gap, Levi’s, Revlon e Chanel e fez a fotografia de dezenas de cartazes de filmes, como “Kill Bill” e “Memórias de uma Geisha”.

Watson foi considerado pela Photo District News um dos 20 mais influentes de todos os tempos. Entre outras distinções, recebeu um Grammy, foi-lhe atribuída a distinção de carreira pela Royal Photographic Society e a Ordem do Império Britânico, atribuída pela Rainha Isabel II.

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D.R., Alfred Watson

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Depois de apresentado no NorteShopping, em Matosinhos (13 de julho a 31 de agosto), a exposição de 30 fotografias da série “Kaos”, exposição antológica da obra do fotógrafo escocês Albert Watson (Edimburgo, 1942) foi mostrada no Pavilhão 31 do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (CHPL, Hospital Júlio de Matos), de 14 de setembro a 31 de outubro de 2017.

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Desculpem-me os leitores colocar esta visita à exposição após o seu encerramento, mas só quase no último dia a consegui visitar, apesar de na Agenda estar noticiada desde o seu início. O horário de 2.ª a 6.ª feira das 10:00 às 16:00 não é o ideal, mas consegui aproveitar um intervalo de almoço: bem mereceu a visita.

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Esta exposição integra-se no projeto “Entrevista” do Serviço de Reabilitação do CHPL: além das fotografias de Watson, incluem-se fotografias de artistas do atelier de artes plásticas daquele. O objetivo é que os artistas residentes: Artur Moreira, Luís Lemos e Pedro Ventura fotografassem o próprio Albert Watson, fotografias a integrar a exposição, “mas o fotógrafo adoeceu e não esteve presente”.

Assim, “Eles autorrepresentaram-se em fotografias a cores, de meio busto, em estúdio, brincando com a luz e em relação com imagens específicas de Watson, um bocadinho a manipular o trabalho do fotógrafo.”, refere o curador Sandro Resende à revista Visão. As fotografias destes autores interagem com as de Watson.

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Luís Lemos, Luís Lemos, 2017

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Artur Moreira, Artur Moreira, 2017

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Pedro Ventura, Pedro Ventura, 2017

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No mesmo artigo da revista Visão inclui-se uma entrevista de Sílvia Souto Cunha com o fotógrafo (aqui). Permito-me destacar alguns fragmentos:

 

“Um bom fotógrafo anda sempre à procura de algo”, disse em entrevista. Como é que um fotógrafo prolífico e reconhecido, com décadas de carreira, ainda se sente desafiado?

Para mim, não é difícil. Mas não estou a dizer que não exige grande trabalho. A melhor analogia é esta: todos os dias, as pessoas levantam-se, comem o pequeno-almoço, almoçam, jantam. É o que fazem para se manterem vivos. Comigo, acontece o mesmo: acordo e estou sempre à procura de algo para fotografar. Tenho muita sorte de ter encontrado algo que me apaixona assim, e, quando há esta paixão, não sentimos que é trabalho. Sinto-me feliz a captar imagens.

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Mantêm a sua curiosidade intacta?

É claro. Sou tão apaixonado pela fotografia hoje, como era há 30, 40, 50 anos.

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Falando de planos, como é que conseguiu colocar Mick Jagger e um leopardo a posarem para a sua câmara?

Essa dupla exposição de Mick Jagger e do leopardo foi um caso de espontaneidade e urgência. A ideia original era captar o Mick a guiar um Corvette, ao lado do felino. Mas o animal revelou-se perigoso, e isto foi antes da era digital… Enquanto construíam uma cerca para os separar no carro, fiz uma dupla exposição: retratei o leopardo, desenhei os olhos, focinho e nariz no visor da câmara, andei com o filme para trás e refotografei-o com a cara do Mick. Como só havia um rolo, foi um golpe de sorte as fotografias terem encaixado tão bem uma na outra.

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Porque é que certas fotografias têm um poder duradouro, e outras desfazem-se em pó, apesar das boas intenções do fotógrafo?

Penso que, por vezes, os fotógrafos não trabalham suficientemente o fator intensidade, o poder. Eu procuro três coisas numa fotografia: que seja memorável, que tenha um poder icónico, que tenha intensidade. Icónica é uma boa palavra para aplicar a muitas imagens minhas.

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Crê que algumas das suas imagens podem ter outras leituras, ou esta perspetiva não o preocupa?

Não. Esperamos sempre que as nossas fotografias provoquem o pensamento, que as pessoas que as observam se interessem pelas nossas criações. Comigo, sempre me interessaram tantos aspetos diferentes da fotografia… Sempre tentei demonstrar que era eu que fotografava. Mas interessava-me a paisagem, a fotografia de moda, de celebridades, de beleza, naturezas mortas…

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Trabalhou para revistas como Time, Rolling Stone, Vogue… Crê que os fotógrafos são os verdadeiros responsáveis por aquilo que chamamos, hoje, a cultura pop?

Não fomos os únicos, mas contribuímos.

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Hoje, todos são fotógrafos?

Na atual cultura, o que eu gosto é que toda a gente é um fotógrafo. Mas um iPhone não nos torna num grande fotógrafo. Agrada-me muito que todos possam fotografar e que não tenham que pensar muito sobre o assunto. No passado, as pessoas tinham medo da fotografia, parecia algo complicado: havia que considerar o diafragma, as aberturas, as lentes… Agora, qualquer um pode fazê-lo e ter a fotografia na palma da mão, e essa democracia agrada-me. Mas quando os meus amigos me mostram as fotografias que tiraram, vejo que são simpáticas, mas não são grandes imagens.

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As suas fotografias são, hoje, clássicas, valiosas, vendidas por preços elevados, e expostas em museus. È surpreendente pensar que a sua exposição Kaos foi primeiro apresentada em Portugal num centro comercial. Como lida com esta relação entre extremos?

Gosto que tenha estado num centro comercial, pois isso quer dizer que muitas pessoas viram as imagens. Quanto mais pessoas virem, e se sentirem afetadas por estas, é muito bom.”

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A 15 de setembro, quando inaugurou a exposição, foi também lançado o livro KAOS, pela editora Taschen, em formato XXL (“Baby sumo”), 37,2 x 50,0 cm, 408 págs., edição limitada (pode ver aqui).

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Livro “Kaos”, de Albert Watson, ed. Taschen, 2017. A capa reproduz um detalhe da série “Monkey with gun”.

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Em 20 de outubro inaugurou a exposição Kaos, na Taschen Gallery, em 8070 Beverly Blvd, Los Angeles, Estados Unidos, a qual pode ser vista até 1 de dezembro.

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Philip Faraone, Albert Watson e Benedikt Taschen junto à Taschen Gallery, Los Angeles, outubro 2017

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Philip Faraone, Taschen Gallery, Exhibition Kaos, de Albert Watson, Los Angeles, outubro 2017

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