ANTÓNIO BRACONS, SANTUÁRIO DE FÁTIMA, CAPELINHA DAS APARIÇÕES, 2011 / 2017

Centenário das Aparições de Fátima (13 de maio de 1917 – 2017). Hoje o Papa Francisco reza o terço na Capelinha das Aparições.

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António Bracons, Santuário de Fátima, 2011, 2012, 2017

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Desço a esplanada do Santuário.

Ao longo do corredor branco muitos descem de joelhos, agradecendo uma graça em promessas feitas em momentos difíceis. Outros oferecem velas por alguma intenção particular.

A pequena capela é o centro e a alma do Santuário. Assinala o local da primeira aparição, a 13 de maio de 1917. Foi edificada entre 28 de abril e 15 de junho de 1919, benzida, tendo-se celebrado missa pela primeira vez em 13 de outubro de 1921. Dinamitada na madrugada de 6 de março de 1922, foi restaurada e reinaugurada em 13 de janeiro de 1923. A capela resulta do expressamente indicado por Nossa Senhora na aparição de 13 de outubro de 1917 a Lúcia de Jesus, Francisco Marto e Jacinta Marto: «Quero dizer-te que façam aqui uma capela em minha honra, que sou a Senhora do Rosário», como regista Irmã Lúcia na sua Primeira Memória.

Uma cobertura sobre a capela foi posteriormente edificada, substituída pela atual, aquando da visita a Fátima do Papa João Paulo II, a 12 de março de 1982, em agradecimento de ter sido salvo miraculosamente do atentado de 13 de março de 1981.

Junto, fica a azinheira em que os irmãos Francisco e Jacinta e a prima Lúcia se abrigaram aquando da chuva antes da Aparição de 13 de outubro de 1917.

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Sempre que venho a Fátima, sento-me na Capela – ou fico de pé, nem sempre há lugares disponíveis – o silêncio impera naquele espaço. A presença de Nossa Senhora, e por sua intercessão, o Filho, e por intercessão do Filho, Deus Pai, sente-se, vive-se intimamente na Fé. O momento de oração, de recolhimento e de acolhimento é de cada um.

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Chegado a Fátima, na sua primeira intervenção neste dia, o Papa Francisco fez uma oração a Nossa Senhora na Capelinha das Aparições:

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Salve Rainha,

bem-aventurada Virgem de Fátima,

Senhora do Coração Imaculado,

qual refúgio e caminho que conduz até Deus!

Peregrino da Luz que das tuas mãos nos vem, dou graças a Deus Pai que,

em todo o tempo e lugar, atua na história humana;

peregrino da Paz que neste lugar anuncias, louvo a Cristo, nossa paz,

e para o mundo peço a concórdia

entre todos os povos;

peregrino da Esperança que o Espírito alenta, quero-me profeta

e mensageiro para a todos lavar os pés,

na mesma mesa que nos une.

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Salve Mãe de Misericórdia,

Senhora da veste branca! Neste lugar onde há cem anos

a todos mostraste

os desígnios da misericórdia do nosso Deus, olho a tua veste de luz

e, como bispo vestido de branco,

lembro todos os que, vestidos da alvura batismal,

querem viver em Deus

e rezam os mistérios de Cristo

para alcançar a paz.

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Salve, vida e doçura,

Salve, esperança nossa,

ó Virgem Peregrina, ó Rainha Universal!

No mais íntimo do teu ser, no teu Imaculado Coração, vê as alegrias do ser humano

quando peregrina para a Pátria Celeste.

No mais íntimo do teu ser, no teu Imaculado Coração,

vê as dores da família humana

que geme e chora neste vale de lágrimas.

No mais íntimo do teu ser, no teu Imaculado Coração,

adorna-nos do fulgor de todas as joias da tua coroa

e faz-nos peregrinos como peregrina foste Tu. Com o teu sorriso virginal

robustece a alegria da Igreja de Cristo.

Com o teu olhar de doçura

fortalece a esperança dos filhos de Deus.

Com as mãos orantes que elevas ao Senhor

a todos une numa só família humana.

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Ó clemente, ó piedosa,

ó doce Virgem Maria,

Rainha do Rosário de Fátima!

Faz-nos seguir o exemplo dos Bem-aventurados Francisco e Jacinta,

e de todos os que se entregam

à mensagem do Evangelho.

Percorreremos, assim, todas as rotas,

seremos peregrinos de todos os caminhos, derrubaremos todos os muros

e venceremos todas as fronteiras,

saindo em direção a todas as periferias, aí revelando a justiça e a paz de Deus.

Seremos, na alegria do Evangelho,

a Igreja vestida de branco,

da alvura branqueada no sangue do Cordeiro derramado ainda em todas as guerras

que destroem o mundo em que vivemos.

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E assim seremos, como Tu,

imagem da coluna luminosa

que alumia os caminhos do mundo, a todos mostrando que Deus existe, que Deus está,

que Deus habita no meio do seu povo, ontem, hoje e por toda a eternidade.

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(Juntamente com os fiéis, a Oração Jubilar de Consagração:)

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Salve, Mãe do Senhor,

Virgem Maria, Rainha do Rosário de Fátima! Bendita entre todas as mulheres,

és a imagem da Igreja vestida da luz pascal, és a honra do nosso povo,

és o triunfo sobre a marca do mal.

Profecia do Amor misericordioso do Pai,

Mestra do Anúncio da Boa-Nova do Filho,

Sinal do Fogo ardente do Espírito Santo,

ensina-nos, neste vale de alegrias e dores, as verdades eternas

que o Pai revela aos pequeninos.

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Mostra-nos a força do teu manto protetor. No teu Imaculado Coração,

sê o refúgio dos pecadores

e o caminho que conduz até Deus.

Unido aos meus irmãos,

na Fé, na Esperança e no Amor, a Ti me entrego.

Unido aos meus irmãos, por Ti, a Deus me consagro,

ó Virgem do Rosário de Fátima.

E, enfim, envolvido na Luz que das tuas mãos nos vem, darei glória ao Senhor

pelos séculos dos séculos.

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Amen”

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Após a bênção das velas, antecedendo a recitação do terço, na Capelinha das Aparições, a 12 de maio, o Papa Francisco fez uma comunicação:

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Amados peregrinos de Maria e com Maria!

Obrigado por me acolherdes entre vós e vos associardes a mim nesta peregrinação vivida na esperança e na paz. Desde já desejo assegurar a quantos estais unidos comigo, aqui ou em qualquer outro lugar, que vos tenho a todos no coração. Sinto que Jesus vos confiou a mim (cf. Jo 21, 15-17) e, a todos, abraço e confio a Jesus, «principalmente os que mais precisarem» – como Nossa Senhora nos ensinou a rezar (Aparição de julho de 1917). Que Ela, Mãe doce e solícita de todos os necessitados, lhes obtenha a bênção do Senhor! Sobre cada um dos deserdados e infelizes a quem roubaram o presente, dos excluídos e abandonados a quem negam o futuro, dos órfãos e injustiçados a quem não se permite ter um passado, desça a bênção de Deus encarnada em Jesus Cristo: «O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te favoreça! O Senhor volte para ti a sua face e te dê a paz» (Nm 6, 24-26).

Esta bênção cumpriu-se cabalmente na Virgem Maria, pois nenhuma outra criatura viu brilhar sobre si a face de Deus como Ela, que deu um rosto humano ao Filho do eterno Pai, podendo nós agora contemplá-Lo nos sucessivos momentos gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos da sua vida, que repassamos na recitação do Rosário. Com Cristo e Maria, permaneçamos em Deus. Na verdade, «se queremos ser cristãos, devemos ser marianos; isto é, devemos reconhecer a relação essencial, vital e providencial que une Nossa Senhora a Jesus e que nos abre o caminho que leva a Ele» (PAULO VI, Alocução na visita ao Santuário de Nossa Senhora de Bonaria-Cagliari, 24/IV/1970). Assim, sempre que rezamos o Terço, neste lugar bendito como em qualquer outro lugar, o Evangelho retoma o seu caminho na vida de cada um, das famílias, dos povos e do mundo.

Peregrinos com Maria… Qual Maria? Uma «Mestra de vida espiritual», a primeira que seguiu Cristo pelo caminho «estreito» da cruz dando-nos o exemplo, ou então uma Senhora «inatingível» e, consequentemente, inimitável? A «Bendita por ter acreditado» (cf. Lc 1, 42.45) sempre e em todas as circunstâncias nas palavras divinas, ou então uma «Santinha» a quem se recorre para obter favores a baixo preço? A Virgem Maria do Evangelho venerada pela Igreja orante, ou uma esboçada por sensibilidades subjetivas que A veem segurando o braço justiceiro de Deus pronto a castigar: uma Maria melhor do que Cristo, visto como Juiz impiedoso; mais misericordiosa que o Cordeiro imolado por nós?

Grande injustiça fazemos a Deus e à sua graça, quando se afirma em primeiro lugar que os pecados são punidos pelo seu julgamento, sem antepor – como mostra o Evangelho – que são perdoados pela sua misericórdia! Devemos antepor a misericórdia ao julgamento e, em todo o caso, o julgamento de Deus será sempre feito à luz da sua misericórdia. Naturalmente a misericórdia de Deus não nega a justiça, porque Jesus tomou sobre Si as consequências do nosso pecado juntamente com a justa pena. Não negou o pecado, mas pagou por nós na Cruz. Assim, na fé que nos une à Cruz de Cristo, ficamos livres dos nossos pecados; ponhamos de lado qualquer forma de medo e temor, porque não se coaduna em quem é amado (cf. 1 Jo 4, 18). «Sempre que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do carinho. Nela vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos mas dos fortes, que não precisam de maltratar os outros para se sentirem importantes (…). Esta dinâmica de justiça e de ternura, de contemplação e de caminho ao encontro dos outros é aquilo que faz d’Ela um modelo eclesial para a evangelização» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 288). Possamos, com Maria, ser sinal e sacramento da misericórdia de Deus que perdoa sempre, perdoa tudo.

Tomados pela mão da Virgem Mãe e sob o seu olhar, podemos cantar, com alegria, as misericórdias do Senhor. Podemos dizer-Lhe: A minha alma canta para Vós, Senhor! A misericórdia, que usastes para com todos os vossos santos e com todo o vosso povo fiel, também chegou a mim. Pelo orgulho do meu coração, vivi distraído atrás das minhas ambições e interesses, mas não ocupei nenhum trono, Senhor! A única possibilidade de exaltação que tenho é que a vossa Mãe me pegue ao colo, me cubra com o seu manto e me ponha junto do vosso Coração.

Assim seja.”

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Atualizado em 13 de maio de 2017

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