NEAL SLAVIN, PORTUGAL, 1971
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Neal Slavin
Portugal
Fotografia: Neal Slavin / Texto: Mary McCarthy (Letter from Portugal) / Design e edição: Neal Slavin e Ralph Gibson
New York: Lustrum Press / 1971
Inglês / 21,2 x 27,9 cm / 96 págs, não paginado
Brochura
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Neal Slavin estudava Artes na Universidade, para criativo de publicidade, designer gráfico, teria uns 19, 20 anos quando o irmão e a irmã lhe ofereceram uma máquina fotográfica. A paixão surgiu de imediato. “A fotografia apoderou-se da minha vida. Tudo aquilo que eu conseguia fazer era comer, beber e dormir com a fotografia.”, diria.
Candidatou-se a uma bolsa Fullbright, no Institute of International Education, para ir para a Europa, pensava em Itália, mas foi-lhe sugerido Portugal, pois para Itália seria difícil, era onde todos queriam ir. A sua reação foi: “Portugal?! Porque é que eu haveria de querer ir para lá? É um país governado por um ditador?”. Foi pesquisar, descobriu que os romanos tinham cá estado, havia ruínas, algo que o apaixonava. Veio, pensando trabalhar numa escavação. Tinha 27 anos.
Em Conímbriga chegou a trabalhar com Jorge de Alarcão, onde também fotografou as ruínas, mas voltou-se para a sua paixão, o retrato.
Durante um mês deambulou pelas ruas, procurando perceber o ambiente. Percebeu o que era a saudade. Diria ao Observador numa entrevista a Rita Garcia (16.10.2016):
Nessa altura, eu odiava fado. Não era só não gostar: achava que era a música mais estúpida que eu já tinha ouvido. Quando descobri o que era a saudade, também percebi o fado e que eles andavam de mãos dadas. Foi só nessa altura que decidi levar a câmara para a rua. Estranhamente, as pessoas deixavam-me fotografá-las.”
Morou em Lisboa, na Rua Rodrigues Sampaio. Uma cidade que “tem uma luz inacreditável.” E saía de automóvel, percorreu o país, fotografou-o.
Em Portugal Slavin fez cerca de 11.000 negativos e imprimiu ele próprio mais de 2.000, entre 1968 e 1971.
Selecionou mais de 200 imagens, destas 32 compõem o livro “Portugal”, cuja edição e grafismo são de Slavin e do fotógrafo Ralph Gibson (1939), fundador da Lustrum Press, em Nova Iorque, em 1970. O texto em posfácio, “Letter from Portugal”, de Mary McCarthy, foi retirado da obra “On the contrary”, da autora, 1955, 1961, ed. Farrar, Staus & Giroux.
“Portugal” foi uma das obras que lançou a Lustrum Press, considerada por Gerry Badger “possivelmente a melhor das pequenas editoras de livros de fotografia americanas dos anos 1970” (The Photobook: A History, vol. 1, Phaidon, 2005, p. 260), que nesse ano também editou o livro “Tulsa”, de Larry Clark.
Esta obra tornou Slavin conhecido como fotógrafo e “Portugal” acabou por ser “o trabalho mais importante da sua vida” (Sérgio B. Gomes); a partir de 1972 começou a utilizar a cor e especializou-se na fotografia de pessoas, especialmente grupos.
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“Portugal” é sobretudo uma galeria de retratos. Como o seu trabalho posterior, como o que gosta de desenhar. Gente do campo ou da cidade, imagens de pessoas (pintura, imagens sacras), mais próximas ou afastadas, no seu quotidiano, nas suas atitudes, mostram a realidade e a história de um país, o nosso, num tempo concreto.
Para António Sena, o livro “constitui, sem dúvida, o principal – e intrigante – documento do fim da década de 60, com o «acidente» [de cadeira] de um regime e a morte de Salazar” (História da Imagem Fotográfica em Portugal, Porto: Porto Editora, 1998, p. 301).
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Neal Slavin, Portugal, 1971
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Slavin expôs algumas fotografias de Portugal no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, em 1968, e em 1971, em Nova Iorque, na Underground Gallery, uma galeria dedicada exclusivamente à fotografia.
Em 1990, a Fundação de Serralves organizou uma exposição das suas fotografias, “Portugal 1968”. Sobre o catálogo, no Fascínio da Fotografia, aqui.
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Há alguns meses, Slavin colocou algumas imagens de Portugal no seu site e mostrou-as ao seu galerista, «este lançou-lhe o desafio: “Porque não fazes aqui um filme?” Slavin: “De que é estás a falar?” Galerista: “Só tens de regressar e falar com as pessoas sobre este tempo.”» (entrevista a Sérgio B. Gomes, Ypsilon, Público, 21.10.2016, cf. com entrevista a Rita Garcia).
Diria Slavin ao L’Oeil de la Photographie (20.09.2016):
Como o próximo ano marca o 50.º aniversário da minha estada em Portugal, irei regressar a esse povo e a esse país que foram tão importantes para a minha aprendizagem. Eu irei fazer um documentário explorando o passado e o presente do país. Irei também fazer novas fotografias para um novo livro que fará parte do filme. Espero que os Portugueses me ensinem novas realidades e ao mesmo tempo, espero aprofundar a minha memória visual desse passado.”
O seu amigo Tariq Anwar (“Beleza Americana” e “O Discurso do Rei”), adorou as fotografias, ofereceu-se para fazer a edição, a Anita Burkhart fez a produção. De meados de setembro a outubro esteve em Portugal a filmar e a fotografar para um novo livro, que se chamará Saudade. No próximo ano, o filme será distribuído. “É um filme muito humano. É sobre as pessoas.”
Aguardamos.
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Portugal no site de Neal Slavin, aqui.
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Entrevista de Neal Slavin a Sérgio B. Gomes, no suplemento Ypsilon, do Público (21.10.2016), aqui; a Rita Garcia, ao Observador (16.10.2016), aqui e no L’Oeil de la Photographie (20.09.2016), aqui.
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