FÉLIX MULA, MÓNICA DE MIRANDA, PAULIANA VALENTE PIMENTEL, NOVO BANCO PHOTO 2016, 2016

 

 

 

Félix Mula, Mónica de Miranda, Pauliana Valente Pimentel

NOVO BANCO Photo 2016

Fotografia: Félix Mula, Mónica de Miranda, Pauliana Valente Pimentel / Texto e entrevistas: Rafael Bordalo Mouzinho (Mula), Gabriela Salgado (Miranda), António Pinto Ribeiro (Pimentel)

Lisboa: Museu Coleção Berardo / 2016

Português e inglês / 21,4 x 27,8 cm / 184págs

Cartonado / 500 ex.

ISBN: 9789898239518

 

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Félix Mula, Moçambique, Mónica de Miranda, Angola e Portugal e Pauliana Valente Pimentel, Portugal foram os fotógrafos selecionados para o prémio NOVO BANCO Photo 2016, pelo júri composto por: David Santos, curador e sub-diretor da Direção Geral do Património Cultural, Lisboa, Paula Nascimento, curadora, arquiteta e diretora da Beyond Entropy Africa, Luanda e Pompílio Hilário Gemuce, artista e professor da Escola de Artes Visuais, Maputo.

 

Este catálogo mostra, para cada um dos autores, algum trabalho anterior, um ensaio e uma entrevista e o projeto apresentado em exposição. Nalguns casos, as imagens publicadas diferem das imagens expostas, na quantidade e no modo de apresentação.

O trabalho de cada autor é complementado com um ensaio e uma entrevista, que permite um melhor conhecimento da sua obra e do seu percurso.

 

 

FÉLIX MULA (Maputo, Moçambique, 1979) apresenta como trabalho anterior ¼ de 800 Km – Caminhada de Maputo a Gutsuíne – Xai-xai, 2011: o verde, a paisagem, as pessoas nos seus trabalhos e lazeres, no dia-a-dia.

Idas e Voltas, o projeto que se mostra no NOVO BANCO Photo, é sobre os vestígios e a memória da presença portuguesa no território, que sobrevive nos restos materiais das ruínas e de outros objetos que foram deixados e que a natureza foi tomando.

Automóveis, um baloiço, as cantinas, quantas memórias e testemunhos da presença portuguesa permanecem, abandonados, como a presença o foi. Apenas o mato foi alastrando no espaço aberto e tomando conta do que foi deixado.

 

Como refere Rafael Bordalo Mouzinho:

O processo é fortemente marcado pelo uso da fotografia, com a premissa de que o objeto não pode substituir por completo a experiência que faz surgir o trabalho artístico. Por isso, meticulosamente, imprime no seu trabalho uma atitude participativa através de histórias que explora a partir de uma linguagem vernacular, no sentido de inserir o debate nos espaços pré-estabelecidos. Num processo de contornos antropológicos, Félix Mula explora pequenas histórias do cidadão comum para, sem cair na armadilha de particularismos nacionalistas, reabrir, reanimar e explorar uma nova forma de relacionamento do indivíduo e da comunidade com um mundo cada vez mais complexo.”

 

 

MÓNICA DE MIRANDA (Porto, 1976), mostra vários trabalhos anteriores: Hotel Globo, 2015, Arquipélago, 2014, An Ocean between us, 2013, Erosion, 2013 e o trabalho presente na exposição, Field Works: diversas instalações centradas na fotografia, com uma dominante: a fotografia como memória, como presença, como testemunho do passado e, paralelamente, a esperança no futuro, através da presença de jovens bailarinas ou ginastas, que dançam em pontas ou com fitas: uma geração que cresce, que é o futuro.

A memória das fotografias de família (não necessariamente de Mónica) intercala-se com registos e com folhas, plantas, o Jardim Botânico, como memória da natureza e da selva africana. E a paisagem, os horizontes, como cenários, não habitados mas com “atores”: as jovens bailarinas.

 

Diz Mónica de Miranda:

Quero olhar para a fotografia de uma outra perspetiva: como para o fotógrafo a imagem é uma experiência antes de ser produzida como matéria, também o impulso por detrás da criação de uma imagem é desconhecido para o espectador. Gostaria de colocar o espectador no interior do olhar do autor através da criação desta série de instalações fotográficas, que tentam criar uma relação espacial com o espectador e que cativam o observador com a narrativa da imagem. (…) Estes trabalhos fazem referência à dualidade das identidades da diáspora e olham para as apropriações de território, em tais espaços como o da casa colonial ou do aeroporto. O meu interesse em jardins botânicos baseia-se no facto de estes serem também apropriações, onde as plantas são transplantadas de um sítio para o outro e confinadas dentro de fronteiras. Neles, genealogias da paisagem estão associadas com colecionismo e inventariação, tal como em arquivos e álbuns de família, onde as práticas de inventariar identidades constroem a coleção do eu. Esta instalação torna-se num local de descoberta, trânsito e relocação, onde diferentes tempos e espaços são justapostos e entram em diálogo para construir futuros horizontes.”

PAULIANA VALENTE PIMENTEL (Lisboa, 1975) mostra os projetos Youth of Athens, 2012, The Passenger, 2012, The Behaviour of Being, 2015. Em todos os projetos, como o que apresenta, Quel Pedra, os jovens são a dominante e são uma presença constante no seu trabalho.

 

Quel Pedra foi fotografado em Cabo Verde e analisa a questão do transgénero na ilha, a partir de um grupo de amigos. Sobre o projeto, Pauliana diz que:

Existe um mito no Mindelo, na ilha de São Vicente, que diz que quem se sentar numa determinada pedra, no bairro de Font Flip, se torna gay. Foi neste bairro que conheci a Steffy e sete dos seus amigos: Edinha, Gi, Elton, Sindji, Susy, Henio e Jason. Estes rapazes, com idades compreendidas entre os dezassete e os vinte e cinco anos, são transgénero, no sentido em que gostam de usar roupas femininas, maquilhagem, e de serem chamados por nomes de mulher. Deparando-me com esta realidade tão particular em Cabo Verde, e com o significado desta pedra, resolvi intitular este trabalho de Quel Pedra, que é o crioulo para «Aquela Pedra». (…) A ideia deste trabalho é confrontar o espectador com os seus preconceitos, desafiando as convenções e normas sobre a identidade do ser humano. A Simone de Beauvoir disse «Ninguém nasce mulher, torna-se mulher». Talvez este trabalho tenha como intuito o desvendar do que significa ser mulher nos dias de hoje.”

 

 

 

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Félix Mula, Mónica de Miranda, Pauliana Valente Pimentel, NOVO BANCO Photo 2016, 2016

 

 

 

A exposição NOVO BANCO Photo 2016 está patente no Museu Coleção Berardo, no CCB – Centro Cultural de Belém, em Lisboa, de 18.05 a 02.10.2016. Pode ver aqui.

 

O vencedor do NOVO BANCO Photo 2016 foi anunciado em 30 de junho: Félix Mula.