RETRATOS AFRICANOS: MÁRIO MACILAU E MALICK SIDIBÉ

 

 

Mário Macilau (Maputo, Moçambique, 1984) apresentou no âmbito dos encontros da Imagem de Braga a exposição “Moments of Transition”, na Galeria Belo-Galsterer (ver Hope & Faith…, 4.10.2014).

A exposição apresentou um conjunto de fotografias de estúdio: retratos de mulheres e homens, vestidos de roupas claras: tecido branco ou claro, estampado de flores ou outros padrões coloridos. O fundo é também branco ou claro, também decorado com flores coloridas. As fotografias são a preto e branco. As roupas foram doadas por outros países a Moçambique, são agora novamente usadas, por vezes costuradas num novo desenho de vestido ou blusa ou camisa. As fotografias são de estúdio, do estúdio de Mário Macilau, em Maputo.

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 Mário Macilau, “Moments of Transition”, na Galeria Belo-Galsterer, 09.2014

  

As fotografias de Macilau trazem-nos à memória as fotografias de Malick Sidibé (Bamako, Mali, 1935 ou 1936), talvez o fotógrafo africano contemporâneo mais conhecido dos europeus. Abriu o seu estúdio na capital, Bamako, em 1958, sendo dos primeiros a utilizar a energia elétrica, o que lhe trouxe grande prestígio, grande parte dos seus retratos são imagens de estúdio.

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 José Pedro Cortes, Estúdio Fotográfico de Malick Sidibé (fotografia à esquerda), Galeria Módulo, 2011

 

Os retratos que Sidibé faz, as suas fotografias de estúdio, retratam as pessoas comuns com os seus trajes, por vezes roupas e acessórios que ele próprio tem no atelier para melhor compor quem se quiser fotografar. Os fundos são tecidos ou telas, lisos ou estampados, coloridos, embora as fotografias sejam a preto e branco.

  

 Malick Sidibé

 

 As fotografias de Sidibé são idênticas, feitas no seu país ou na Europa, como por exemplo no projeto que desenvolveu aquando da sua exposição na galeria Gwin Zegal, em Guingamp, França. Montou o fundo e fotografou quem se quis fotografar. As imagens abaixo foram retiradas da obra “Perception” editado pelas Editions GwinZegal, em 2008.

 

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 Malick Sidibé, “Perceptions”, Editions GwinZegal, 2008.

 

Pode-se pensar na influência da obra de Sidibé na de Macilau, não o creio. Naturalmente que Macilau conhece o trabalho de Sidibé. São o olhar da fotografia africana, do retrato: tanto um como o outro, retratam as pessoas das suas terras, de África, com os seus hábitos, os seus trajes, os seus costumes, os seus valores, o ideal de imagem, de sonho, da presença, da cor… ainda que a preto e branco.