A MATA NACIONAL DO BUÇACO, 2014

 

 

A Mata Nacional do Buçaco, cresce junto ao Luso, no extremo Noroeste da Serra do Buçaco.

A Mata envolve o Convento de Santa Cruz do Buçaco, dos Carmelitas Descalços, tendo sido enriquecida por estes, com a plantação de muitas espécies vindas de todo o mundo, para a construção do seu “Deserto” em Portugal. Doada em 1628 pelo bispo de Coimbra, a cerca estava concluída e as obras do convento avançadas, em 1630, quando aí se iniciou a vida monástica, que se manteve até 1834, quando ocorreu a extinção das ordens religiosas em Portugal.

Nas Invasões Francesas, teve lugar em 27 de setembro de 1810 a Batalha do Buçaco, tendo o Convento servido de base das operações das tropas anglo-lusas, comandadas pelo Duque de Wellington, contra o Marechal André Masséna; esta teve um papel fundamental, sobretudo pelo que representou na preparação de um confronto posterior que levou à derrota das tropas napoleónicas nas Linhas de Torres Vedras.

Só em 1856 a Mata transita para a Administração Geral das Matas do Reino; posteriormente é construído o Vale dos Fetos, o Lago Grande e o Jardim Novo, de influência barroca, com canteiros geométricos, delimitados por sebes de buxo.

O convento, que ocupa posição central na Mata, atesta a humildade e a pobreza caraterística da Ordem, nomeadamente pela utilização da cortiça e dos embrechados (desenhos feitos de fragmentos de pedras); foi parcialmente demolido para a construção do Palácio Real, atual Palace Hotel do Buçaco, mandado erigir pelo então Ministro das Obras Públicas, Emídio Navarro, em 1888. Em estilo neomanuelino, o projeto é do arquiteto e cenógrafo italiano Luigi Manini (1848-1936), contando com o trabalho de importantes artistas nacionais, como Jorge Colaço, autor dos painéis em azulejo. Foi concluído em 1907.

A Mata acolhe uma riqueza de espaços nos seus 105 ha: as Capelas de devoção e os Passos que constituem a Via Sacra, a Cruz Alta, a Cerca e as suas Portas, o Museu Militar, o monumento comemorativo da Batalha do Buçaco, o Vale dos Fetos, a Fonte Fria e a escadaria monumental que a ladeia, outras fontes, miradouros, recantos…

Não menos importante é a riqueza botânica e animal: a Mata Nacional do Buçaco possui espécies vegetais endémicas e outras, de todo o mundo, muitas trazidas pelos Carmelitas Descalços. Destaque para o cedro-do-Buçaco (Cupressus lusitanica), o ex-libris da mata; da floresta original ainda existem diversos carvalhos, azereiros e loureiros. Foi posteriormente enriquecida, a partir de 1886. Atualmente possui uma das melhores coleções dendrológicas da Europa, com cerca de 250 espécies de árvores e arbustos, vários exemplares notáveis.

Neste breve passeio pela Mata, fiz uma visita ao Convento, circundei o Palace Hotel, deambulei pelo Jardim Novo e por parte da mata, de árvores frondosas, altas, verticais, de grande porte, algumas de várias centenas de anos, de um verde intenso e luminoso.

 

201408-Bussaco-Fot-Antonio-Bracons (1) 201408-Bussaco-Fot-Antonio-Bracons (2) 201408-Bussaco-Fot-Antonio-Bracons (3) 201408-Bussaco-Fot-Antonio-Bracons (4) 201408-Bussaco-Fot-Antonio-Bracons (5) 201408-Bussaco-Fot-Antonio-Bracons (6) 201408-Bussaco-Fot-Antonio-Bracons (7) 201408-Bussaco-Fot-Antonio-Bracons (8) 201408-Bussaco-Fot-Antonio-Bracons (9) 201408-Bussaco-Fot-Antonio-Bracons (10) 201408-Bussaco-Fot-Antonio-Bracons (12) 201408-Bussaco-Fot-Antonio-Bracons (11) 201408-Bussaco-Fot-Antonio-Bracons (14) 201408-Bussaco-Fot-Antonio-Bracons (15) 201408-Bussaco-Fot-Antonio-Bracons (16) 201408-Bussaco-Fot-Antonio-Bracons (17) 201408-Bussaco-Fot-Antonio-Bracons (18) 201408-Bussaco-Fot-Antonio-Bracons (19) 201408-Bussaco-Fot-Antonio-Bracons (20) 201408-Bussaco-Fot-Antonio-Bracons (21) 201408-Bussaco-Fot-Antonio-Bracons (22) 201408-Bussaco-Fot-Antonio-Bracons (23) 201408-Bussaco-Fot-Antonio-Bracons (24)